Triagem neuropsicomotora na primeira infância: integração APS, educação e eMulti em Betim (MG)

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Anacele de Oliveira Silva Menezes

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Anacele de Oliveira Silva Menezes

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Segundo o Ministério da Saúde, a primeira infância compreende os seis primeiros anos de vida da criança, período marcado por oportunidades únicas em que experiências positivas e estímulos qualificados favorecem significativamente o desenvolvimento humano.O diferencial da ação consiste no protagonismo colaborativo entre profissionais de Educação Física e Fisioterapia das equipes eMulti atuantes na Atenção Primária à Saúde (APS). Nessa proposta, esses profissionais mobilizam saberes sobre ciências do movimento e desenvolvimento neuropsicomotor para realizar ações de rastreio por meio de atividades lúdicas, tendo como referência os parâmetros da Caderneta da Criança relacionados aos marcos do desenvolvimento infantil. A ação não se limita apenas ao rastreio, mas também estabelece uma ponte para o cuidado das crianças identificadas, utilizando o apoio matricial como ferramenta de gestão clínica para organizar seu percurso assistencial na Rede de Atenção à Saúde (RAS). A ação, iniciada em 2024, consolidou-se em 2025 e tende a ser mantida como estratégia longitudinal de cuidado resolutivo e proteção à infância nos territórios. Os objetivos específicos deste projeto são: realizar o rastreio dos marcos do desenvolvimento neuropsicomotor em crianças de 18 a 36 meses, utilizando o ambiente escolar como espaço privilegiado para a identificação precoce de sinais de atraso;Fortalecer a atuação dos profissionais de Educação Física e Fisioterapia na Atenção Primária à Saúde, valorizando os conhecimentos sobre movimento humano e desenvolvimento infantil como ferramentas técnicas de vigilância em saúde; Utilizar o apoio matricial como dispositivo de articulação entre equipe de referência e profissionais da eMulti, favorecendo a definição ágil do plano de cuidados e o suporte oportuno às crianças identificadas. Consolidar as Instituições de Educação Infantil como espaços estratégicos de cuidado e vigilância em saúde, reconhecendo o potencial da rotina escolar e das práticas lúdicas para a compreensão ampliada do desenvolvimento infantil. Assegurar a continuidade da estratégia por meio de ciclos anuais de execução, incorporando a triagem como rotina permanente de monitoramento da primeira infância no território.

A experiência foi desenvolvida a partir da necessidade de qualificar a identificação precoce de atrasos no desenvolvimento infantil e reduzir o tempo de resposta entre o rastreio e o acesso ao cuidado na RAS. Em resposta a esse desafio, o município de Betim estruturou, no âmbito do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) do PSE, uma estratégia unificada para os territórios, transformando a triagem neuropsicomotora em ação organizada e contínua. No biênio 2023–2024 do PSE, a prática corporal figurava como tema prioritário, fortalecendo a incorporação do movimento como eixo central da iniciativa.
O percurso metodológico foi construído de forma colaborativa com profissionais de Educação Física e Fisioterapia das equipes eMulti, que traduziram o conhecimento técnico sobre o movimento em circuitos lúdicos estruturados como instrumentos de avaliação. Professores das instituições participantes atuaram como observadores ativos, contribuindo para leitura ampliada das potencialidades e dificuldades de cada criança em seu contexto de vida. Ao serem identificados sinais de atraso no desenvolvimento, a criança era imediatamente inserida em fluxo assistencial previamente estruturado.
Nesse contexto, as práticas corporais deixaram de ser apenas atividades recreativas e passaram a ser utilizadas como ferramentas de rastreio, fundamentadas nos marcos do desenvolvimento infantil previstos na Caderneta da Criança.
Um dos principais diferenciais da experiência foi a utilização do apoio matricial como organizador do cuidado. Os casos identificados passaram a ser discutidos entre equipes de Saúde da Família (eSF) e profissionais da eMulti, permitindo a construção compartilhada do plano de cuidados. A definição dos responsáveis pelo acompanhamento (médicos, enfermeiros e especialistas da eMulti, como fisioterapeutas, assistentes sociais, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, profissionais de educação física e psicólogos) ocorria de forma integrada, garantindo maior resolutividade e acesso oportuno.
O ciclo era concluído com o agendamento do atendimento e o envio de devolutiva formal à escola, destinada às famílias, informando data, local e profissional responsável pela continuidade do cuidado.
A experiência reorganiza o cuidado à primeira infância no território ao integrar vigilância em saúde, práticas corporais e coordenação do cuidado na APS, apresentando potencial de replicabilidade e contribuindo para a qualificação do acesso e da resolutividade do SUS.

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a identificação precoce de sinais de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor ainda representa importante desafio. Nesse contexto, as Instituições de Educação Infantil configuram-se como espaços estratégicos para o alcance da população-alvo, tornando as ações intersetoriais entre saúde e educação uma alternativa promissora para viabilizar esse cuidado. Em Betim, essa necessidade motivou a elaboração de uma ação sistemática de triagem neuropsicomotora voltada a crianças de 18 a 36 meses matriculadas em instituições aderidas ao Programa Saúde na Escola (PSE). A iniciativa parte do entendimento de que o ambiente escolar constitui espaço estratégico para a vigilância em saúde, possibilitando o alcance de crianças cujo acompanhamento longitudinal ocorre de forma fragmentada

A implementação da estratégia ampliou o acesso ao rastreio do desenvolvimento infantil no território, alcançando crianças matriculadas nas Instituições de Educação Infantil de Betim em uma fase decisiva para o desenvolvimento infantil. No primeiro ciclo, aproximadamente 1.500 crianças passaram pela triagem, sendo 132 identificadas com sinais de atraso neuropsicomotor.
O impacto social da ação evidencia-se no fato de que 64,33% desses casos (85 crianças) foram avaliados pela primeira vez, demonstrando a capacidade da estratégia de viabilizar acesso oportuno aos cuidados em saúde. Apenas 47 crianças possuíam acompanhamento prévio na APS relacionado ao desenvolvimento infantil, o que sugere que, sem essa intervenção, parte significativa delas poderia permanecer com essa demanda invisível aos olhos da APS no mesmo período.
Já no segundo ciclo de implementação, a estratégia consolidou-se como rotina de vigilância, alcançando a marca de 2.873 crianças triadas. Dentre elas, 495 (17,2%) apresentaram sinais de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor com necessidade de intervenção clínica e foram inseridas no fluxo de cuidados em saúde da RAS.
Do total de crianças com alterações identificadas, 158 (31,9%) foram inseridas de imediato em atendimento na APS, sendo 82 (16,6%) já acompanhadas previamente pelo serviço e 76 (15,4%) incluídas na agenda da APS para discussão multiprofissional de casos, a partir do apoio matricial entre eSF e eMulti. O grupo restante, composto por 337 crianças (68,1%), não teve comparecimento registrado ou desfecho documentado em prontuário.

A utilização do apoio matricial como tecnologia de organização do cuidado qualificou a resposta da Rede de Atenção à Saúde (RAS), especialmente no cuidado multiprofissional e na definição compartilhada do plano terapêutico. Esse processo reduziu encaminhamentos fragmentados e garantiu maior resolutividade, com definição ágil dos responsáveis pelo cuidado e agendamento oportuno dos atendimentos.
Outro resultado relevante foi o fortalecimento da integração entre saúde e educação no território. A participação ativa dos professores ampliou a observação do desenvolvimento infantil no cotidiano escolar, enquanto a devolutiva às famílias fortaleceu o vínculo com os serviços de saúde.
A experiência também evidenciou o potencial estratégico dos profissionais de Educação Física e Fisioterapia na APS, qualificando o rastreio neuropsicomotor, fortalecendo práticas interdisciplinares e ampliando a relevância de seus saberes técnicos na vigilância em saúde.
Como desafio para os próximos ciclos, destaca-se o fortalecimento da busca ativa e da contrarreferência, essenciais para reduzir o absenteísmo e garantir assistência contínua.
A manutenção dos resultados positivos reforça a consolidação da ação, demonstrando que a integração entre educação e saúde qualifica a porta de entrada do SUS para a primeira infância e fortalece a capacidade de resposta da rede municipal de saúde.

autor Principal

Anacele de Oliveira Silva Menezes

anacele.oliveira@gmail.mg.gov.br

Referência Técnica da Promoção da Saúde

Coautores

Anacele de Oliveira Silva Menezes, Vinícius Coimbra Viana, Daniela Carvalho de Oliveira, Iara Nunes de Paula Mendes

A prática foi aplicada em

Betim

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Pará de Minas, 640 - Brasiléia, Betim - MG, 32600-412, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Anacele de Oliveira Silva Menezes

Conta vinculada

19 maio 2026

CADASTRO

19 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

13 maio 2026

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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