Resposta rápida em crise de saúde mental infantojuvenil: cuidado intensivo e articulação em rede

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Renata Silva de OLiveira

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Renata Silva de OLiveira

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A experiência foi desenvolvida em um Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) e refere-se ao acompanhamento de uma usuária admitida aos 10 anos de idade, com agravamento importante entre 11 e 12 anos, quando passou a apresentar crises frequentes caracterizadas por heteroagressividade, autoagressividade, múltiplas tentativas de autoextermínio, evasão escolar e baixa adesão ao tratamento, além de intenso sofrimento familiar.
Diante da complexidade, foi necessária a atuação recorrente dos serviços de emergência, como SAMU, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, além de internações em leito de saúde mental, com uso de contenções em situações de risco iminente. Esse cenário evidenciou a necessidade de organização de uma resposta mais estruturada, rápida e integrada no território.
Como estratégia, o CAPSi assumiu o papel de articulador da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), promovendo integração entre Atenção Primária à Saúde, assistência social (CRAS/CREAS), Conselho Tutelar, escola, hospital geral e projeto social do território (Projeto Ser Criança). Foi instituído um plano terapêutico singular, com cuidado intensivo e acompanhamento multiprofissional.
Destaca-se como inovação a implementação de cuidado compartilhado, com permanência em leito de saúde mental no período noturno por 12 dias associada à permanência diurna no CAPSi, possibilitando monitoramento contínuo, manejo precoce das crises e evitando institucionalização prolongada.
Além disso, foi incluído o acompanhamento da genitora na Atenção Primária, considerando sua sobrecarga emocional e dificuldade no manejo da situação.
A experiência demonstra a importância da atuação intersetorial, da resposta rápida em situações de crise e da organização do cuidado em rede, com foco na integralidade, no território e no cuidado em liberdade, conforme os princípios do SUS.

O caso evidenciou fragilidades na resposta às crises em saúde mental infantojuvenil, com acionamentos frequentes de serviços de emergência, internações recorrentes e risco elevado à integridade da usuária e de terceiros. Havia baixa articulação entre os serviços e dificuldade de manejo contínuo no território, além de sobrecarga familiar significativa. Essa realidade apontou a necessidade de estruturar um modelo de cuidado mais integrado, ágil e resolutivo, capaz de reduzir riscos, qualificar a resposta em crise e fortalecer o cuidado em rede.

A implementação do cuidado intensivo e articulado em rede resultou em redução significativa das crises e dos acionamentos dos serviços de emergência em aproximadamente seis meses. Houve diminuição das internações, melhora da estabilidade clínica e adesão ao tratamento.
Em cerca de um ano, foi possível retirar a medicação injetável, mantendo apenas tratamento oral. A usuária retornou à escola, passou a frequentar regularmente atividades do Projeto Ser Criança e apresentou melhora importante no convívio familiar.
Observou-se também fortalecimento da capacidade de cuidado da genitora, que anteriormente apresentava elevado sofrimento emocional. Atualmente, a usuária encontra-se estável, sem intercorrências graves recentes, em acompanhamento pela Atenção Primária.
A experiência evidenciou como a articulação entre serviços e o cuidado territorial podem produzir resultados sustentáveis e reduzir a necessidade de intervenções de urgência.

Recomenda-se fortalecer o papel do CAPSi como articulador da rede e investir na construção de planos terapêuticos singulares com corresponsabilização entre os serviços. É fundamental garantir comunicação efetiva entre saúde, assistência social, educação e segurança pública, especialmente em situações de crise.
A adoção de estratégias de cuidado intensivo no território, mesmo com recursos já existentes, pode evitar internações prolongadas e melhorar os desfechos clínicos e sociais. Também é essencial incluir a família no cuidado, oferecendo suporte contínuo.
Por fim, destaca-se a importância de organizar fluxos de resposta rápida às crises, com definição clara de papéis entre os serviços, favorecendo intervenções mais seguras, resolutivas e humanizadas.

autor Principal

Renata Silva de OLiveira

renatawenders98@gmail.com

Coordenador Geral

Coautores

Renata Silva de Oliveira

A prática foi aplicada em

Araçuaí

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

R. Benjamin Constant, 222 - Esplanada, Araçuaí - MG, 39600-000, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Renata Silva de OLiveira

Conta vinculada

06 maio 2026

CADASTRO

06 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

23 jun 2025

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos