SEMENTES DA LUZ: A MÚSICA COMO TERAPIA DE SOCIALIZAÇÃO E INSERÇÃO SOCIAL DE CRIANÇAS TEA

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LAIS MARTINS BARROS SILVA

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LAIS MARTINS BARROS SILVA

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APRESENTAÇÃO

Tratando-se de crianças neurodivergentes, sabe-se que muitos são os desafios clínicos e terapêuticos não apenas para as crianças, mas para as famílias. Inúmeras consultas, terapias, medicamentos e tratamentos fazem parte da rotina deste público. Em se tratando de neurodivergências, muitas vezes o foco limita-se ao tratamento clínico e formas de lidar com suas limitações. Entretanto, ainda há pouca ênfase sobre as potencialidades deste público e dos inúmeros talentos que não podem ser fielmente concebidos ou evidenciados a partir apenas do âmbito pedagógico ou terapêutico. Por outro lado, sabe-se que há comprovações científicas quanto ao poder da música não apenas emocional e psicológica, mas também biologicamente. Foi proposto então a criação de um coral, onde as crianças pudessem ter contato personalizado com a música, para que elas pudessem desfrutar com equidade desta ferramenta como forma não apenas terapêutica, mas de forma a inflamar seus talentos e criatividade diante deste ambiente livre, porém direcionado. Os resultados foram surpreendentes pois além de se mostrarem talentosos, houve grande desenvolvimento social além da inserção do grupo no ambiente social comum, participando de apresentações externas no município e no Campus da UFCG. O município de Cuité/PB possui um CAPSi de alcance regional, que tem hoje cerca de 700 usuários ativos entre consultas e terapias. Seu público são crianças dos 3 aos 18 anos e é formado majoritariamente com crianças com TEA e TDAH e foi neste contexto que se desenvolveu este projeto.
METODOLOGIA
Foi desenvolvida uma oficina de música, onde as crianças participam conforme aceitação destas e seus respectivos pais. São selecionadas músicas previamente e as crianças são expostas a ela, onde ficam alinhadas para contemplarem a reação dos colegas, mas tem liberdade de fazer seus movimentos. Para as apresentações foram ensaiadas músicas temáticas onde letra e melodia concordavam com a finalidade e aceitação das crianças e foram ensinados passos de acordo com a letra, o que as ajuda na assimilação do conteúdo da música, sendo possível de ser interpretada mesmo por aquelas crianças não-verbais. Em todo o tempo elas ficam livres diante das suas limitações de movimentos e para até criar os seus próprios, o que acaba ajudando a extravasarem emoções e evita sobrecarga cognitiva. Nas apresentações os pais sempre estão presentes e as orientadoras responsáveis participam ao lado, assim elas ficam confiantes e os pais orgulhosos. A oficina foi criada em novembro de 2025 e desde então sua funcionalidade tem sido confirmada através dos resultados.

Fomentar as potencialidades e talentos de crianças neurodivergentes e inseri-los de forma participativa na comunidade típica. Propiciar um ambiente de exposição direcionada à música e aos seus aspectos como o canto e a dança. Flexibilizar os limites de sensibilidade sensorial. Viabilizar a socialização de crianças com rigidez ou tendência ao isolamento. Gerar nos pais, nas crianças e na comunidade a perspectiva de um olhar menos focado nas limitações, e mais direcionado às potencialidades.

A oficina foi pensada com a finalidade de propiciar um lugar de promoção e propulsão de potenciais e talentos, não apenas na música, mas na arte propriamente. Os resultados, por sua vez, transcenderam qualquer expectativa inicial. A maioria das crianças aprendeu a coreografia e a letra desde a primeira audição da música e se mostrou ativa e disposta até mesmo nos ensaios e apresentações. Quanto ao aspecto sensorial, crianças que não conseguiam entrar na sala ao primeiro dia, foram as primeiras e mais ansiosas pela oficina nos demais encontros, segundo observação e relatos das mães. Há ainda crianças que fazem uso de abafadores comumente, mas o retiram por se sentirem confortáveis com a música. No aspecto social, as crianças foram dividas em dois grupos para abarcar a quantidade total sem gerar desconforto para elas. Umas passaram a ajudar as outras nos movimentos e lidam bem com o grupo. A música a ser trabalhada é enviada em um grupo de whatsapp para os pais, que as ovem em casa, talvez isso ajude a ter previsibilidade e tenha aumentado a aceitação auditiva. Em relação às apresentações, todas elas foram em públicos distintos e as crianças mostraram-se confiantes seguindo a condução das orientadoras e se apresentando com alegria. Neste quesito, algumas mães relataram ser um grande passo para filhos que antes tinham muita resistência ao público em geral, mesmo em lugares cotidianos como escola e mercado, e que diante das apresentações seus filhos passaram a ser mais sociáveis tanto na escola quanto nestes ambientes. O fato de eles estarem em foco diante do público, mas com uma música previsível, com movimentos anteriormente padronizados e ao lado das orientadoras, provavelmente os faz sentir seguros diante de um cenário que de outra forma seria um gatilho para crises.

Num cenário onde há tantas limitações, consultas e tratamentos, o coral Sementes de Luz nasce como uma luz que nos permite enxergar o que pode estar coberto pela sombra destes percalços: as potencialidades. Foi visto que crianças atípicas, mesmo diante de limitações como sensibilidade auditiva e social, perante um cenário que fomenta seus potenciais e criações, podem reagir de uma forma surpreendente. Estas crianças são capazes além das terapias, do letramento e das altas terapêuticas. Possuem em si possibilidades infinitas que provavelmente nós, como comunidade científica e pedagógica é que ainda não abarcamos como possíveis. Ao passo que visualizamos crianças evoluindo socialmente e sensorialmente, vemos crianças que por vezes não acessam os modus e espaços típicos subirem ao palco e protagonizarem o canto que deve ecoar em nossas consciências e corações: somos capazes e somos parte da comunidade, não apenas em eventos próprios para debates de conscientização sobre TEA e TDAH, mas participando ativamente da “comunidade comum” pois também a somos.

autor Principal

LAIS MARTINS BARROS SILVA

laih_martins@hotmail.com

Nutricionista

Coautores

Laís Martins Barros Silva, Nadja Pereira Silva

A prática foi aplicada em

Cuité

Paraíba

Nordeste

Esta prática está vinculada a

CAPSi / Secretaria Municipal de Saúde de Cuité PB

Secretaria Municipal de Saúde de Cuité PB

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

LAIS MARTINS BARROS SILVA

Conta vinculada

13 maio 2026

CADASTRO

13 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

04 nov 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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