LIBRAS NA SAÚDE: Estratégias de Inclusão e Acessibilidade Comunicacional na Rede Municipal de Saúde

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Luciana Pimemtel Figueiredo

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Luciana Pimemtel Figueiredo

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A garantia de acesso equitativo à saúde para a população surda permanece como um dos principais desafios estruturais do Sistema Único de Saúde (SUS). A barreira comunicacional entre profissionais de saúde e usuários surdos impacta diretamente a segurança do paciente, a adesão terapêutica e a humanização do cuidado. Segundo o IBGE (2010), o Brasil possui aproximadamente 9,7 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva, sendo a língua brasileira de sinais (Libras) a principal forma de comunicação da comunidade surda, reconhecida como língua oficial pela Lei n.º 10.436/2002 e regulamentada pelo Decreto n.º 5.626/2005.
No município de Campina Grande – PB, essa lacuna comunicacional era observada cotidianamente nos serviços de saúde, gerando situações de constrangimento, erro na compreensão de orientações clínicas, dificuldade de consentimento informado e subnotificação de queixas por parte dos usuários surdos. A ausência sistemática de estratégias formativas voltadas à comunicação em Libras nos serviços configurava um déficit ético e assistencial urgente.
A Cartilha Híbrida representa a principal inovação pedagógica do projeto. Trata-se de um material técnico-visual que articula conteúdo impresso e digital, com integração de QR Codes que direcionam o profissional de saúde a vídeos educativos em Libras diretamente nas páginas da cartilha. Ao acessar o QR Code, o profissional visualiza os conteúdos em Libras ,com vocabulário clínico, os fluxos assistenciais e orientações ao paciente — transformando o momento de leitura em experiência formativa imersiva e prática.
O projeto alinha-se às diretrizes constitucionais do SUS, à Política Nacional de Humanização (PNH), à Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência (Portaria GM n.º 1.060/2002), à Lei Brasileira de Inclusão (Lei n.º 13.146/2015) e às diretrizes nacionais de Saúde Digital para o Brasil, posicionando-se como experiência de referência para replicação em outros municípios brasileiros.

● OBJETIVOS

Objetivo Geral
Promover a acessibilidade comunicacional plena no SUS de Campina Grande – PB por meio da integração entre educação permanente em Libras, Cartilha Híbrida como instrumento formativo inovador e tecnologia QR Code como canal de conteúdo informacional em Libras nos processos de atendimento, qualificando o cuidado à população surda.

Objetivos Específicos
▶ Capacitar profissionais de saúde em Libras aplicada ao contexto assistencial, com foco em situações reais de atendimento nos diferentes níveis de atenção (primária, secundária e terciária);
▶ Implementar a Cartilha Híbrida como ferramenta central de educação permanente na formação dos profissionais de saúde, integrando conteúdo técnico-visual com acesso digital via QR Code;
▶ Incorporar QR Codes com conteúdos informativos em Libras nos pontos de atenção à saúde, constituindo-os como canal permanente e autônomo de comunicação assistencial para usuários surdos;
▶ Fortalecer práticas de educação em saúde inclusiva nos diferentes níveis da rede de atenção, com metodologias participativas e inovação digital;
▶ Reduzir as barreiras comunicacionais entre profissionais e pacientes surdos, ampliando a segurança do paciente, a adesão terapêutica e a humanização do cuidado;
▶ Construir modelo de experiência replicável para outros municípios da Paraíba e do Brasil.

Nesse contexto, o projeto Libras na Saude foi concebido e implementado como uma estratégia inovadora de educação permanente em saúde, integrando três eixos articulados: (1) formação em Libras aplicada ao contexto assistencial; (2) desenvolvimento e implementação de Cartilha Híbrida como instrumento de educação permanente; e (3) incorporação de QR Codes com conteúdos informativos em Libras nos pontos de atenção à saúde. A experiência foi implementada a partir do CER IV, com progressiva expansão para os diferentes níveis de atenção da rede municipal.
METODOLOGIA

A experiência foi estruturada sob os fundamentos da Educação Permanente em Saúde (EPS) (Portaria GM/MS n.º 198/2004 e Portaria de Consolidação n.º 2/2017), utilizando metodologias ativas de aprendizagem e tecnologias inovadoras. A implementação foi organizada em três eixos estratégicos integrados, com cronograma escalonado iniciado em 2024 e com plena operacionalização em 2026.

EIXO 1 – FORMAÇÃO EM LIBRAS NA SAÚDE
Foram realizadas capacitações presenciais e na modalidade híbrida dirigidas aos profissionais de saúde da atenção primária (Unidades Básicas de Saúde – UBS), atenção secundária (ambulatórios e CER IV) e atenção terciária (unidades hospitalares municipais). Os conteúdos abrangeram: vocabulário clínico em Libras; sinais para procedimentos diagnósticos e terapêuticos; orientações sobre fluxos assistenciais; anamnese e escuta qualificada com paciente surdo; e noções sobre a cultura surda. As turmas foram conduzidas por professor especialista de Libras em acessibilidade em saúde. A carga horária 60 horas com duração de 6 meses, metodologias ativas: simulação de atendimento, roleplay clínico, aprendizagem baseada em problemas (ABP) e uso de ferramentas digitais.

EIXO 2 – CARTILHA HÍBRIDA: A INOVAÇÃO NA FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
A Cartilha Híbrida constitui o principal produto educacional do projeto e representa uma inovação metodológica de significativa relevância no campo da Educação Permanente em Saúde. Seu desenvolvimento ocorreu em processo colaborativo, com participação de profissionais de comunicação e especialista em Libras na construção dos conteúdos baseado nas experiências nas redes de atenção primária, média e alta complexidade.
A cartilha integra dois planos formativos complementares:
(a) plano impresso — com conteúdo técnico organizado por áreas clínicas (anamnese, triagem, orientações diagnósticas, procedimentos, alta hospitalar e cuidados continuados), ilustrações de sinais em Libras, tabelas de comunicação rápida e fluxogramas assistenciais;
(b) plano digital interativo — integrado via QR Codes posicionados estrategicamente ao longo das páginas, que direcionam o profissional a vídeos em Libras executando os sinais contextualizados, tornando o material vivo, dinâmico e atualizado continuamente.
A cartilha híbrida foi inserida nos programas de indução de novos servidores, nas rodas de educação permanente das unidades e no acervo formativo dos serviços, configurando-se como referência constante para o profissional durante a prática assistencial. Seu uso foi adotado como instrumento transversal nas capacitações, potencializando a aprendizagem ao articular a teoria impressa com a demonstração prática em vídeo.

EIXO 3 – TECNOLOGIA QR CODE: EXCELÊNCIA NO CONTEÚDO INFORMACIONAL EM LIBRAS NO ATENDIMENTO
A incorporação de QR Codes como canal permanente de conteúdo informacional em Libras representa a estratégia de maior impacto no processo de atendimento ao usuário surdo, caracterizando-se como o diferencial tecnológico de excelência do projeto. Os QR Codes foram implementados em pontos estratégicos das unidades de saúde — recepções, salas de espera, consultórios, postos de medicação, triagens e leitos —, alcançando a totalidade dos ambientes de interação com o paciente.
Cada QR Code direciona para um repositório digital estruturado em vídeos curtos (entre 1 a 2 minutos), produzidos em Libras, abordando os seguintes conteúdos: identificação do serviço e orientações de acesso de informações as consultas .A solução garante ao paciente surdo autonomia informacional plena independentemente da presença de um intérprete no serviço, reduzindo a dependência de terceiros para compreensão das orientações de saúde. Trata-se de uma tecnologia de baixo custo, alta efetividade e replicabilidade imediata, alinhada às diretrizes da Saúde Digital para o Brasil e à Estratégia de Saúde Digital do Ministério da Saúde (e-Saúde Brasil 2020–2028).

A barreira comunicacional entre profissionais de saúde e usuários surdos impacta diretamente a segurança do paciente, a adesão terapêutica e a humanização do cuidado. Segundo o IBGE (2010), o Brasil possui aproximadamente 9,7 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva, sendo a língua brasileira de sinais (Libras) a principal forma de comunicação da comunidade surda, reconhecida como língua oficial pela Lei n.º 10.436/2002 e regulamentada pelo Decreto n.º 5.626/2005.
No município de Campina Grande – PB, essa lacuna comunicacional era observada cotidianamente nos serviços de saúde, gerando situações de constrangimento, erro na compreensão de orientações clínicas, dificuldade de consentimento informado e subnotificação de queixas por parte dos usuários surdos. A ausência sistemática de estratégias formativas voltadas à comunicação em Libras nos serviços configurava um déficit ético e assistencial urgente.

Os resultados alcançados pelo projeto evidenciam impacto multidimensional sobre a qualidade do cuidado, a inclusão do usuário surdo e a qualificação do trabalho em saúde no município de Campina Grande – PB:
Resultados Quantitativos
– Capacitação de profissionais de saúde nos três níveis de atenção (atenção primária, secundária e terciária) da rede municipal de Campina Grande;
– Implementação de QR Codes com conteúdos em Libras em múltiplas unidades de saúde, distribuídos em todos os pontos estratégicos de interação com o paciente (recepção, triagem, consultórios);
– Desenvolvimento e distribuição de Cartilha Híbrida às equipes de saúde e sua incorporação nos processos formais de educação permanente;
– Expansão progressiva da iniciativa do CER IV para os demais pontos da rede municipal de atenção à saúde;
– Produção de repositório digital estruturado de vídeos em Libras para os serviços de saúde.

Resultados Qualitativos e de Impacto
Redução significativa das barreiras comunicacionais entre profissionais e pacientes surdos, com maior resolutividade nas consultas;
Melhoria mensurável na adesão terapêutica e na compreensão das orientações clínicas por parte dos usuários surdos;
Ampliação da segurança do paciente, com diminuição de erros decorrentes de falhas de comunicação no processo assistencial;
Fortalecimento da humanização do cuidado com reconhecimento da identidade linguística e cultural da comunidade surda;
Elevação da autoconfiança dos profissionais de saúde no atendimento à pessoa surda;
Geração de modelo de gestão do trabalho que articula inovação tecnológica e educação permanente como eixos indissociáveis;
Reconhecimento pelos usuários surdos da iniciativa como avanço concreto na garantia do direito à saúde.

O projeto evidencia que é possível implementar soluções de alto impacto, baixo custo e ampla replicabilidade quando a inovação é orientada por valores humanísticos, fundamentação científica e comprometimento com a equidade. Recomenda-se sua adoção como modelo de referência para os demais municípios da Paraíba e do Brasil, contribuindo para a modernização das práticas de gestão do trabalho e de educação na saúde no Sistema Único de Saúde.

autor Principal

Luciana Pimemtel Figueiredo

luciana.pimentel@aluno.fiocruz.br

Cordenador

Coautores

Luciana pimentel figueiredo

A prática foi aplicada em

Campina Grande

Paraíba

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Secretaria de Saúde Campina Grande - Avenida Jornalista Assis Chateaubriand - Liberdade, Campina Grande - PB, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Luciana Pimemtel Figueiredo

Conta vinculada

08 maio 2026

CADASTRO

08 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

10 abr 2024

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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