ACS Multiplicadores: fortalecendo o cuidado através da educação permanente sobre prevenção de quedas

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Micaely Araújo da Costa

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Micaely Araújo da Costa

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O Agente Comunitário de Saúde (ACS) é o profissional mais próximo das residências e território comunitário, exercendo uma influência importante no processo de trabalho em saúde (Santos et al., 2025). Dessa forma, os ACS encontram diversas chances para promover educação em saúde com os usuários, contribuindo para a criação de laços de confiança e solidariedade (Castro et al., 2019).
Atividades com foco na educação permanente em saúde (EPS) desses profissionais são imprescindíveis, principalmente com a finalidade de superar falhas de formação continuada, ou atualizações necessárias. A EPS brasileira representa uma proposta ético-político-pedagógica que visa mudar e qualificar a atenção à saúde, as práticas de educação em saúde e os processos formativos (Brasil, 2009).
Visando tornar os ACS de São José do Sabugi-PB aptos a orientar o idoso e sua família/cuidadores em relação à prevenção de quedas, oficinas de EPS sobre o tema foram realizadas entre os meses de abril e junho de 2025.
A importância de realizar EPS voltada à prevenção de quedas em idosos com os ACS surge da constatação de que, com o processo natural de envelhecimento, os idosos enfrentam uma série de mudanças físicas, como a perda de equilíbrio, massa muscular e óssea, que os tornam mais suscetíveis a quedas. No entanto, é importante destacar que existem medidas preventivas eficazes que podem ser ensinadas e adotadas, tanto pelos idosos quanto por seus cuidadores, para minimizar esses riscos.
Reconhecendo-se o papel fundamental dos ACS na promoção da saúde e na educação junto à comunidade, capacitá-los para orientar os idosos sobre essas práticas preventivas não só contribui para a redução de quedas, mas também promove um envelhecimento saudável. Além disso, é essencial que o idoso compreenda que o envelhecimento é um processo natural e que, com orientações adequadas, é possível viver essa fase da vida de forma mais segura e ativa.
METODOLOGIA
Trata-se de um relato sobre a experiência de intervenções de EPS realizadas por uma fisioterapeuta profissional da equipe e-multi do município de São José do Sabugi-PB. O cenário da pesquisa envolveu os 11 ACS atuantes na Atenção Básica (AB) local.
A intervenção se deu entre os meses de abril à junho de 2025. A condução das atividades seguiu uma sequência metodológica que envolveu levantamento de informações, planejamento das ações educativas, desenvolvimento das oficinas e posterior feedback. O processo foi organizado por meio de encontros presenciais realizados no auditório da Secretaria Municipal de Saúde, distribuídos entre reunião inicial e três oficinas de EPS.
A reunião inicial teve como finalidade apresentar a proposta da pesquisa, esclarecer dúvidas e sensibilizar os participantes quanto à importância da temática. As temáticas das oficinas foram idealizadas e contextualizadas tendo por base as impressões trazidas pelos ACS e amparada pela literatura oficial do Ministério da Saúde (Caderno 4 da Atenção Básica, “Atenção à Saúde do Idoso – Instabilidade Postural e Quedas – Brasil, 2000), e na Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa (Brasil, 2017).
Cada oficina abordou dimensões da prevenção de quedas em idosos: a primeira tratou das causas e fatores de risco; a segunda, das estratégias de prevenção e promoção da saúde; e a terceira focou na capacitação dos ACS como multiplicadores em educação em saúde.
Para as três oficinas de EPS, foram utilizadas formas ativas de aprendizado coletivo, que favorecessem e estimulassem a interação entre facilitadora e participantes. Fazendo o uso de dinâmicas em grupo, rodas de conversa, discussões reflexivas e estudos de caso.
Norteadas pelos princípios da EPS, as oficinas tiveram como finalidade ampliar a visão dos ACS a respeito das problemáticas que surgiam durante o seu processo de trabalho, assim como sensibilizá-los para a importância da reflexão/ação por meio da ação educativa (Araújo et al., 2021).
Ao final de cada oficina, ocorreu um momento de feedback, como meio de avaliar a satisfação com as oficinas desenvolvidas, metodologias e conteúdo, como também indicar caminhos melhores para a condução de atividades futuras.
Foi negociado com a gestão municipal e com as equipes de Saúde da Família a liberação de todos os ACS interessados em participar do processo formativo. A confidencialidade e a privacidade dos participantes foram rigorosamente garantidas.

Sistematizar ações de Educação Permanente em Saúde para Agentes Comunitários de Saúde, com vistas à reorientação de práticas e estratégias para prevenção de quedas em idosos no contexto da Atenção Básica.

RESULTADOS
Durante a reunião inicial, ficou evidente que os ACS reconheciam a relevância da prevenção de quedas em idosos, porém relataram a ausência de capacitações regulares, demonstrando demanda por ações formativas continuadas.
A primeira oficina, contou com a participação de 11 ACS, foi voltada ao conhecimento do processo de envelhecimento e a identificação das causas e fatores de risco para quedas em idosos. Observou-se que muitos ACS apresentavam dificuldades na compreensão da categorização dos fatores de risco e a relação direta com os agravos na saúde do idoso. Contudo, a atividade promoveu reflexões sobre a prática cotidiana, estimulando o raciocínio crítico, o diálogo e favorecendo a fixação do conteúdo.
Na segunda oficina, participaram 10 ACS, foram abordadas estratégias de prevenção de quedas e o uso da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa (CSPI). A simulação do preenchimento da CSPI, a partir de um caso clínico realista, realizada durante a oficina, revelou desconhecimento prévio sobre a utilização pelos ACS, sendo percebida como instrumento restrito à enfermagem, evidenciando fragmentação no trabalho em equipe. A atividade possibilitou a ressignificação da CSPI como ferramenta de vigilância e orientação, ampliando a compreensão do papel dos ACS no cuidado à pessoa idosa.
A terceira oficina, contou com 9 participantes, o foco foi a educação em saúde, com ênfase na capacitação dos ACS como multiplicadores de conhecimento. Nesse contexto, foram realizadas simulações de abordagens educativas baseadas em um cenário-problema, nas quais os participantes demonstraram criatividade, segurança e adequação às realidades locais, fortalecendo habilidades comunicativas, empatia e adaptação sociocultural.
Ao final do processo formativo, os participantes relataram aumento significativo do conhecimento sobre prevenção de quedas em idosos, além de destacarem a relevância, clareza e aplicabilidade dos conhecimentos adquiridos, evidenciando o impacto positivo do processo formativo.

Por meio de um processo formativo baseado em metodologias ativas e construído a partir das necessidades reais do território, é possível promover a ampliação do conhecimento, a ressignificação de práticas e o fortalecimento da atuação dos ACS como educadores em saúde.
Por fim, conclui-se que investir na formação dos ACS, por meio da EPS, é essencial para consolidar práticas mais resolutivas, humanas e integradas no cuidado à pessoa idosa na Atenção Primária à Saúde.

autor Principal

Micaely Araújo da Costa

micaelycostaf@gmail.com

Fisioterapeuta da equipe e-multi

Coautores

Micaely Araújo da Costa, Pedro Paulino Torres Neto

A prática foi aplicada em

São José do Sabugi

Paraíba

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Atenção Primária à Saúde / Secretaria Municipal de São José do Sabugi PB

São José do Sabugi, PB, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Micaely Araújo da Costa

Conta vinculada

13 maio 2026

CADASTRO

13 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

28 abr 2026

inicio

20 jun 2025

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos