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A Baía da Traição, território de forte presença de comunidades tradicionais, abriga uma expressiva população de trabalhadores da pesca artesanal. Esses sujeitos constroem sua existência a partir do mar e da maré, enfrentando desafios específicos em seu modo de viver e trabalhar. No entanto, suas necessidades em saúde muitas vezes não são reconhecidas ou contempladas nos modelos convencionais de atenção.
Este curso surge como estratégia de qualificação dos profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), buscando ampliar o olhar sobre os determinantes sociais que atravessam a vida desses trabalhadores, qualificar as práticas de cuidado, fortalecer a escuta e o vínculo e garantir acesso a serviços integrados de forma resolutiva. Objetivo geral é Fortalecer a atuação da APS junto aos trabalhadores da pesca artesanal, promovendo uma abordagem integral, culturalmente sensível e baseada na articulação entre saberes populares e técnicos, com foco na vigilância em saúde, cuidado multiprofissional e acesso às redes de atenção. E, os específicos Reconhecer o modo de vida e os saberes tradicionais dos pescadores artesanais do território;
Compreender os principais agravos relacionados ao trabalho da pesca artesanal;
Discutir os determinantes sociais e os desafios para o cuidado em territórios tradicionais;
Promover o uso de instrumentos como a carteira do trabalhador da pesca e fluxos de cuidado na APS;
Fortalecer o papel do CEREST e da rede de atenção na linha do cuidado do trabalhador;
Estimular a educação permanente e o compartilhamento de experiências entre profissionais e comunidade.
A oportunidade surge a partir da invisibilidade das necessidades de saúde dos trabalhadores da pesca artesanal nos processos de trabalho da Atenção Primária.
Baixa incorporação dos determinantes sociais relacionados ao modo de vida da pesca nas práticas de cuidado;
Subnotificação ou não identificação de agravos relacionados ao trabalho (lesões, exposição solar, acidentes, saúde mental, etc.);
Fragilidade na articulação entre APS, CEREST e demais pontos da Rede de Atenção à Saúde;
Ausência de fluxos organizados e instrumentos específicos para acompanhamento dessa população;
Distanciamento entre saberes técnicos e saberes tradicionais, impactando no vínculo e na adesão ao cuidado.
Diante disso, identifica-se como oportunidade a qualificação dos profissionais da APS para um cuidado mais sensível, territorializado e resolutivo, voltado às especificidades dos pescadores artesanais.
Ampliação do olhar dos profissionais sobre os determinantes sociais e o processo saúde-doença dos pescadores;
Maior identificação e registro de agravos relacionados ao trabalho da pesca;
Fortalecimento do vínculo entre equipe de saúde e comunidade;
Implantação de fluxos de cuidado mais organizados dentro da APS;
Maior articulação com o CEREST e outros pontos da rede;
Aumento da adesão dos trabalhadores às ações de saúde;
Melhoria no acompanhamento longitudinal desses usuários;
Inclusão de práticas de educação em saúde culturalmente adequadas.
Realizar diagnóstico prévio do território, considerando aspectos culturais, sociais e produtivos da população;
Envolver lideranças comunitárias e os próprios pescadores no processo formativo;
Adaptar a linguagem e as metodologias às especificidades locais;
Fortalecer a articulação intersetorial, especialmente com o CEREST;
Implantar instrumentos simples de registro e acompanhamento na APS;
Garantir apoio da gestão para continuidade das ações;
Investir em educação permanente como estratégia contínua, e não pontual;
Valorizar a integração entre saberes populares e técnico-científicos.
Baía da Traição, PB, Brasil
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