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# Relato de Experiência: Escudo de Proteção
## Contextualização
A redução das coberturas vacinais e a reemergência de doenças imunopreveníveis constituem importantes desafios para a saúde pública, com impacto direto nos indicadores de morbimortalidade e no risco de reintrodução de agravos previamente controlados. Nesse cenário, a Atenção Primária à Saúde desempenha papel estratégico na ampliação da cobertura vacinal, por meio de ações de educação em saúde, busca ativa e fortalecimento do vínculo com a comunidade.
O ambiente escolar destaca-se como espaço privilegiado para o desenvolvimento dessas ações, por possibilitar o alcance de diferentes faixas etárias e favorecer a articulação intersetorial entre saúde, educação, assistência social e famílias. Em 2026, no município de Alfredo Vasconcelos/MG, a análise da situação vacinal evidenciou desafios relacionados à adesão, especialmente baixa cobertura da vacina contra o HPV entre escolares de 9 a 11 anos, associada à hesitação vacinal, desinformação e fragilidades no envolvimento familiar.
## Objetivo
Promover a ampliação da cobertura vacinal no território por meio de estratégia intersetorial com abordagem lúdica no ambiente escolar, visando à desmistificação da vacinação, ao enfrentamento da hesitação vacinal e ao fortalecimento do vínculo entre serviços de saúde, escola e famílias, com ênfase na vacina contra o HPV.
## Justificativa
A necessidade de fortalecer a cobertura vacinal, especialmente em relação ao HPV e demais imunobiológicos preconizados pelo Programa Nacional de Imunizações, motivou a implementação desta experiência. A identificação de atrasos vacinais, associada à circulação de informações incorretas e ao receio de parte das famílias, evidenciou a importância de estratégias inovadoras, acessíveis e culturalmente adequadas.
A utilização de metodologias lúdicas no ambiente escolar mostrou-se uma alternativa potente para promover aprendizagem significativa, reduzir medos, estimular o protagonismo infantil e ampliar o engajamento familiar, contribuindo para a construção de uma cultura de prevenção e cuidado.
## Implementação e Desenvolvimento da Experiência
Trata-se de uma experiência de intervenção intersetorial, desenvolvida em 2026 no município de Alfredo Vasconcelos/MG, envolvendo a Estratégia Saúde da Família, a Vigilância em Saúde, as escolas, o CRAS e as famílias, com público-alvo de crianças de 4 a 5 anos e de 9 a 11 anos da rede escolar.
A intervenção foi estruturada em três eixos operacionais: planejamento, execução e acompanhamento.
### Planejamento
As escolas disponibilizaram listas nominais dos estudantes, utilizadas para análise da situação vacinal por meio do sistema PEC/e-SUS. Essa etapa permitiu identificar esquemas vacinais incompletos, estratificar riscos e definir prioridades de atuação. Como estratégias de mobilização, foram utilizados bilhetes informativos aos responsáveis e articulação intersetorial entre saúde, educação e assistência social, com participação ativa do CRAS.
### Execução
Foram realizadas ações educativas preparatórias em sala de aula e no ambiente domiciliar, fundamentadas no conceito pedagógico “Escudo de Proteção”. A ação principal ocorreu em 10 de abril de 2026, com utilização de metodologias ativas e lúdicas, incluindo teatro educativo com elementos musicais, mediação com o personagem Zé Gotinha, rodas de conversa e atividades expressivas.
Para crianças de 4 a 5 anos, foram desenvolvidas estratégias lúdicas, como teatro musical e atividades de colorir, voltadas à desmistificação da vacinação, redução do medo e construção do cuidado. Para o público de 9 a 11 anos, foram realizadas ações de educação em saúde, conferência das cadernetas vacinais e vacinação no ambiente escolar, mediante autorização prévia dos responsáveis.
Como recursos, destacaram-se o Vacimóvel, o sistema PEC/e-SUS, as cadernetas de vacinação, materiais educativos impressos e a atuação integrada da equipe multiprofissional.
### Acompanhamento
Os casos identificados com esquemas vacinais incompletos passaram a ser monitorados continuamente pela equipe de saúde, assegurando longitudinalidade do cuidado, rastreabilidade e integração entre os diferentes pontos da rede de atenção.
## Resultados
Foram atendidas 262 crianças, sendo 126 na faixa etária de 9 a 11 anos e 136 de 4 a 5 anos.
Entre os escolares de 9 a 11 anos, identificaram-se 29 casos de atraso vacinal para HPV. Desses, 9 foram vacinados durante a ação, correspondendo a 31% de resolução imediata das pendências, enquanto 20 permanecem em acompanhamento pela equipe de saúde. Observou-se baixa adesão de parte dos responsáveis quanto ao envio dos cartões de vacinação e autorizações.
No grupo de 4 a 5 anos, foram avaliados 115 cartões de vacinação, com identificação de 6 atrasos vacinais e 13 pendências relacionadas à vacina varicela, atribuídas ao desabastecimento ocorrido em 2025. Nessa faixa etária, destacou-se elevada adesão dos responsáveis e excelente participação nas atividades propostas.
Houve participação de 100% das crianças nas atividades educativas e envolvimento familiar em 84% dos casos. Os resultados evidenciam impacto positivo na identificação precoce de pendências vacinais, ampliação do acesso à imunização e fortalecimento do vínculo entre comunidade e serviços de saúde.
## Conclusão
A experiência evidenciou que a articulação entre estratégias educativas, metodologias lúdicas e oferta facilitada de vacinação no ambiente escolar constitui abordagem efetiva para ampliação da cobertura vacinal e fortalecimento da cultura de prevenção no território.
A integração entre Estratégia Saúde da Família, Vigilância em Saúde, escola, CRAS e famílias mostrou-se fundamental para a consolidação da intersetorialidade, potencializando o alcance das ações e favorecendo a identificação e o acompanhamento de crianças com pendências vacinais.
Observou-se elevada participação das crianças, expressivo envolvimento familiar e impacto positivo na desmistificação da vacinação, na redução do medo e no fortalecimento do vínculo com os serviços de saúde. Destaca-se, contudo, a necessidade de intensificar estratégias voltadas aos responsáveis, especialmente no público de 9 a 11 anos, a fim de ampliar a adesão às ações de imunização.
Trata-se de uma estratégia de baixo custo, alta aplicabilidade e grande potencial de replicabilidade em diferentes contextos, contribuindo de forma consistente para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e para a melhoria dos indicadores de cobertura vacinal no âmbito do SUS.
A redução das coberturas vacinais e o aumento da hesitação vacinal, especialmente em relação ao HPV, evidenciaram fragilidades na adesão às imunizações no território. Esse cenário compromete a prevenção de doenças imunopreveníveis e reforçou a necessidade de estratégias inovadoras, intersetoriais e acessíveis para ampliar a cobertura vacinal, fortalecer o vínculo com as famílias e qualificar as ações de promoção da saúde no ambiente escolar.
A prática possibilitou a avaliação de 262 crianças, com identificação precoce de pendências vacinais e ampliação do acesso à imunização. Houve atualização imediata de parte dos esquemas em atraso, especialmente para HPV, além de fortalecimento do vínculo entre serviços de saúde, escola e famílias. As metodologias lúdicas favoreceram a desmistificação da vacinação, reduziram medo e resistência entre as crianças e estimularam maior participação familiar. Como inovação, destaca-se a integração entre educação em saúde, busca ativa territorial, vacinação no ambiente escolar e uso do conceito pedagógico “Escudo de Proteção”, demonstrando ser uma estratégia de baixo custo, replicável e com alto potencial de impacto na qualificação da Atenção Primária e na melhoria das coberturas vacinais.
A implementação de práticas semelhantes requer, inicialmente, diagnóstico situacional robusto da cobertura vacinal e análise das vulnerabilidades do território, subsidiando a definição de prioridades e estratégias. A articulação intersetorial entre Atenção Primária à Saúde, Vigilância em Saúde, educação, assistência social e famílias constitui elemento central para o sucesso da intervenção, favorecendo corresponsabilização e sustentabilidade das ações. Recomenda-se a adoção de metodologias ativas, lúdicas e culturalmente adequadas, capazes de promover aprendizagem significativa, reduzir barreiras relacionadas ao medo e enfrentar a hesitação vacinal. Estratégias de comunicação direcionadas aos responsáveis são indispensáveis, especialmente em grupos com maior resistência à vacinação. Além disso, o monitoramento sistemático das pendências vacinais, associado à busca ativa e à oferta oportuna de imunização, potencializa os resultados. Trata-se de uma estratégia de baixo custo, alta aplicabilidade e elevado potencial de replicabilidade em distintos contextos da Atenção Primária à Saúde.
R. Oswaldo Angelo Furtado, 53 - Alfredo Vasconcelos, MG, Brasil
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