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A experiência relatada foi motivada pela análise dos indicadores de imunização do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Município de Lassance/MG, os quais evidenciaram coberturas vacinais abaixo das metas preconizadas para imunobiológicos do calendário básico, além da ocorrência de esquemas vacinais incompletos e taxas de abandono em grupos prioritários, como crianças menores de dois anos, gestantes e idosos. Esses dados, extraídos do SIPNI e acompanhados pela equipe da Atenção Primária à Saúde, sinalizaram risco de reintrodução de doenças imunopreveníveis no território. Lassance possui uma população estimada de 7.398 habitantes e uma extensa área rural 3.204,217km ², o que impõe desafios relacionados à adesão às campanhas de vacinação, à busca ativa de faltosos e à regularidade da vacinação de rotina. A avaliação dos indicadores do PNI também evidenciou impactos do período pós-pandemia, com redução da procura espontânea pelos serviços de imunização e aumento do atraso vacinal.
Diante desse cenário, a prática teve como objetivo reorganizar o processo de trabalho das salas de vacina, fortalecer o monitoramento sistemático dos indicadores do PNI, intensificar ações de busca ativa e educação em saúde e ampliar estratégias extramuros, visando elevar as coberturas vacinais e reduzir o abandono. Essa iniciativa contribui para enfrentar um relevante problema de saúde pública: a baixa e/ou heterogênea cobertura vacinal, que compromete a imunidade coletiva e aumenta o risco de surtos. Ao alinhar as ações locais às diretrizes do PNI, a prática fortalece a vigilância em saúde e promove maior equidade no acesso às vacinas no município.
A experiência envolveu as salas de vacina das Unidades Básicas de Saúde e ações desenvolvidas em todo o território municipal, incluindo áreas urbanas e rurais. A iniciativa passou a integrar a prática permanente da equipe de saúde, sendo incorporada à rotina de trabalho após a identificação de baixas coberturas vacinais nos indicadores do Programa Nacional de Imunizações (PNI). A prática se desenvolveu a partir da análise sistemática dos dados do SIPNI, que evidenciaram esquemas vacinais incompletos, usuários faltosos e dificuldade no monitoramento adequado das coberturas. Diante desse cenário, o município promoveu uma mudança no sistema de acompanhamento da imunização, com reorganização dos registros, qualificação da alimentação do sistema de informação e adoção de um monitoramento mais frequente e detalhado dos indicadores, permitindo maior confiabilidade dos dados e tomado de decisão oportuna. Com base nesse diagnóstico, foi realizada a reorganização do processo de trabalho das salas de vacina, com definição de novos fluxos, conferência ativa dos cartões de vacinação e acompanhamento contínuo dos usuários em atraso. As metodologias utilizadas incluíram o monitoramento sistemático dos indicadores, a busca ativa de faltosos realizada pelos Agentes Comunitários de Saúde durante visitas domiciliares, conferencia no atendimento da puericultura mensal da criança menor de 2 anos e a utilização dos registros do e-SUS APS para atualização cadastral e acompanhamento dos grupos prioritários. Também foram realizadas capacitações internas das equipes, com foco nas normas técnicas do PNI, registro adequado das doses no sistema de informação e garantia da qualidade da cadeia de frio. Como estratégias de mobilização da população, o município desenvolveu ações extramuros, com vacinação em escolas, instituições públicas e comunidades da zona rural, vacina casa a casa dos faltosos além da ampliação do horário das salas de vacina em períodos estratégicos. Foram realizadas ações educativas e divulgação das campanhas por meio de redes sociais, carros de som e apoio de lideranças comunitárias, fortalecendo o vínculo com a população e ampliando o acesso à imunização. Quanto aos recursos tecnológicos, foram utilizados os sistemas de informação do SUS, especialmente o SIPNI, Portal da Vigilancia e o e-SUS APS, para registro das doses aplicadas, identificação de usuários com esquemas vacinais incompletos e monitoramento dos indicadores do PNI.
A experiência teve como principal problema os baixos indicadores em imunização, marcados pelas baixas coberturas vacinais abaixo do preconizado pelo Ministério da Saúde.
A prática contou com parcerias intersetoriais, envolvendo a Secretaria Municipal de Educação, com apoio das escolas, empresas existentes no território para realização de ações de vacinação e atividades educativas, além do apoio de lideranças comunitárias e instituições locais, fortalecendo a mobilização social e ampliando o alcance das ações de imunização no município. A experiência promoveu melhorias significativas na imunização, como a reorganização das salas de vacina, a mudança no sistema de acompanhamento dos registros possibilitaram o monitoramento mais preciso das coberturas vacinais, identificação de usuários com esquemas incompletos e tomada de decisão oportuna pela equipe de saúde. Como resultado, houve aumento do número de doses aplicadas, especialmente em crianças menores de um ano, gestantes e idosos, e redução do atraso vacinal, com maior atualização dos cartões de vacinação durante atendimentos de rotina. Para aprimorar o acompanhamento de grupos prioritários, foi implantado o cartão espelho, utilizado em consultas de puericultura para crianças menores de 2 anos, no acompanhamento das consultas de gestantes e no monitoramento semestral de idosos, permitindo registro sistemático de vacinas, exames e orientações de saúde, fortalecendo a longitudinalidade do cuidado. As estratégias extramuros, incluindo vacinação em escolas, instituições públicas, empresas privadas e comunidades rurais, ampliaram o acesso e a adesão da população. As enfermeiras relatam que as ações fora das unidades aproximaram a equipe da comunidade e permitiram vacinar as pessoas que antes tinham dificuldade de acesso e após a implantação do cartão espelho tanto para as crianças menores de 2 anos, gestantes e idosos, facilitou o acompanhamento dessas ações. Agentes Comunitários de Saúde destacaram que a busca ativa domiciliar foi fundamental para localizar usuários faltosos e orientar famílias sobre a importância da vacinação.
No conjunto, a prática resultou em melhoria da cobertura vacinal, maior equidade no acesso às vacinas e fortalecimento da vigilância em saúde, contribuindo para a proteção individual e coletiva da população lassancense e para a prevenção de surtos de doenças imunopreveníveis. A experiência desenvolvida proporcionou importantes aprendizados à equipe de saúde. Destaca-se a importância do monitoramento sistemático dos indicadores do PNI para identificar usuários com esquemas vacinais incompletos e planejar ações de busca ativa. O uso do cartão espelho mostrou-se estratégico para o acompanhamento contínuo de crianças, gestantes e idosos, reforçando a longitudinalidade do cuidado e a integração entre atenção primária e vigilância em saúde. Além disso, a prática evidenciou que ações extramuros e parcerias com escolas, creches e lideranças comunitárias são fundamentais para ampliar o acesso e a adesão da população à vacinação. Entre os aprendizados, destaca-se também a necessidade de capacitação constante das equipes, garantindo segurança no manejo dos imunobiológicos, registro correto das doses e uso eficiente dos sistemas de informação. A prática reforçou que a comunicação com a comunidade e a educação em saúde são essenciais para reduzir hesitação vacinal e fortalecer o vínculo com os serviços.
Secretaria Municipal de Saúde de Lassance (MG) - Avenida Nossa Senhora do Carmo, Lassance - MG, Brasil
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