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O projeto Corpo que navega foi desenvolvido pela equipe de Atenção Primária à Saúde nas comunidades ribeirinhas e povos originários do Bom Intento e Cai n´água, no município de Manaquiri-AM. A ação surgiu a partir da identificação de elevado número de usuários com hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus com controle inadequado, sedentarismo e baixa adesão às orientações de mudança do estilo de vida. Considerando as dificuldades de acesso a espaços formais de exercício físico e as particularidades geográficas e culturais da região, foram implantadas atividades físicas coletivas adaptadas ao território, utilizando espaços comunitários e práticas corporais culturalmente aceitas. O projeto ocorre de forma contínua em ciclos trimestrais, promovendo exercícios supervisionados, orientações em saúde e acompanhamento dos parâmetros clínicos. A iniciativa fortaleceu o vínculo entre equipe e comunidade, estimulou a autonomia do cuidado e contribuiu para melhoria da qualidade de vida dos participantes.
Durante atendimentos na UBS, identificou-se elevado número de usuários com níveis pressóricos e glicêmicos alterados, associado ao sedentarismo e pouca adesão às orientações não farmacológicas. Observou-se também que intervenções educativas isoladas apresentavam baixa efetividade quando não acompanhadas de estratégias práticas. A proposta utiliza o território como espaço terapêutico, transformando locais de convivência em ambientes de promoção da saúde. Assim, a prática corporal passou a ser incorporada como parte do tratamento e não apenas como recomendação, fortalecendo o cuidado integral na Atenção Primária.
Observou-se melhora significativa da adesão dos usuários ao tratamento não medicamentoso, com aumento da participação nas atividades coletivas e fortalecimento do vínculo com a equipe de saúde. Houve redução de níveis pressóricos em participantes hipertensos e melhora do controle glicêmico em usuários diabéticos acompanhados regularmente. Relatos frequentes de melhora do sono, disposição física e redução de dores osteomusculares também foram registrados. O projeto promoveu socialização comunitária, diminuindo isolamento social, principalmente entre idosos. A prática coletiva favoreceu motivação contínua e maior responsabilidade compartilhada pelo cuidado. Também foi observado aumento da procura espontânea pela UBS para acompanhamento clínico, demonstrando ampliação do acesso e confiança no serviço.
O projeto Corpo que navega demonstrou que intervenções de promoção da saúde adaptadas ao território são eficazes no cuidado de pessoas com hipertensão e diabetes em comunidades ribeirinhas. A atividade física coletiva, quando inserida na rotina comunitária e acompanhada pela equipe de saúde, transforma-se em ferramenta terapêutica acessível, de baixo custo e alta adesão. A experiência reforça o papel da Atenção Primária como ordenadora do cuidado e evidencia que estratégias culturalmente adequadas ampliam a autonomia dos usuários, fortalecem vínculos e contribuem para melhores resultados clínicos. Trata-se de uma prática replicável em outros territórios amazônicos, valorizando o cuidado integral no SUS.
R. Antônio Mendonça, 2, Manaquiri - AM, 69435-000, Brasil
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