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Descrição da Experiência: Integração e Implementação
A experiência desenvolvida no bairro São Domingos, em Maués/AM, partiu da identificação de um nó crítico na gestão do território: a fragmentação de informações essenciais para a saúde pública. Enquanto a Vigilância em Saúde detinha os mapas de calor de infestação pelo Aedes aegypti, a Atenção Primária possuía os dados de vulnerabilidade clínica das famílias (idosos, gestantes e acamados). A falta de cruzamento desses dados gerava ações isoladas e dificultava a priorização de áreas onde o risco biológico encontrava a fragilidade social.
Objetivos e Justificativa
O objetivo central foi unificar esses fluxos por meio da criação de um Mapa de Risco Integrado, justificando-se na necessidade de otimizar os recursos públicos e garantir uma resposta preditiva às arboviroses. Buscou-se, especificamente, georreferenciar imóveis de alto risco e institucionalizar visitas conjuntas entre Agentes de Combate a Endemias (ACE) e Agentes Comunitários de Saúde (ACS), promovendo a atenção integral no território.
Desenvolvimento e Implementação
A implementação ocorreu de forma interprofissional, aproveitando a formação técnica das categorias. O processo de desenvolvimento envolveu a sobreposição manual e digital das áreas de calor sobre as microáreas da Estratégia Saúde da Família, resultando em uma ferramenta visual colorimétrica de fácil interpretação pela equipe da UBS. Com o mapa em mãos, as equipes passaram a realizar o planejamento semanal de visitas baseando-se em 15 pontos de intersecção prioritários.
Essa estratégia não apenas qualificou o processo de trabalho, como também fortaleceu o vínculo com a comunidade, que passou a receber uma abordagem dupla (clínica e ambiental) em uma única visita, elevando a resolutividade das ações de controle vetorial e o cuidado longitudinal aos pacientes vulneráveis.
O desafio central identificado no bairro São Domingos, em Maués/AM, foi a fragmentação das informações de saúde no território: o mapa de risco ambiental (focos de vetores) e os dados de vulnerabilidade clínica das famílias (APS) existiam em bases de dados separadas. Essa ausência de cruzamento visual comprometia a agilidade na definição de prioridades, dificultando intervenções em áreas onde o risco biológico encontrava a fragilidade social (como idosos e acamados). Identificou-se, portanto, a oportunidade de integrar os processos de trabalho entre ACE e ACS para criar um Mapa de Risco Unificado, permitindo um planejamento estratégico conjunto, a otimização de recursos públicos e uma vigilância em saúde muito mais preditiva e precisa.
A implementação do Mapa de Risco Unificado no bairro São Domingos gerou resultados imediatos e mensuráveis tanto na vigilância quanto na assistência. O impacto mais significativo foi a redução de 20% no Índice de Infestação Predial (IIP), que declinou de 2.0 para 1.6 em apenas 60 dias, demonstrando a eficácia do direcionamento estratégico das ações. A grande inovação consistiu na interoperabilidade humana de dados: a capacidade de ACE e ACS cruzarem informações de bases distintas para criar uma ferramenta visual única. Isso permitiu que 100% dos 15 pontos de intersecção de risco mapeados passassem a receber visitas conjuntas, garantindo que famílias com alta vulnerabilidade clínica (idosos e acamados) fossem protegidas prioritariamente contra o risco ambiental. Além disso, a abordagem integrada aumentou a confiança da comunidade no serviço de saúde, resultando em uma queda de 40% na taxa de recusa de visitas domiciliares.A principal lição da implementação foi que a integração entre Vigilância e Atenção Primária não requer tecnologias complexas, mas sim o fortalecimento do trabalho interprofissional e da inteligência geográfica local. A prática comprovou que, ao unificar o olhar sobre o território, é possível otimizar recursos públicos limitados e oferecer uma resposta muito mais ágil e humanizada aos desafios das arboviroses em contextos amazônicos.
Para facilitar a implementação de práticas similares, recomenda-se, primordialmente, a institucionalização do Mapeamento de Risco Unificado como um protocolo padrão de planejamento dentro das equipes de Saúde da Família. É fundamental fomentar a parceria formal e o diálogo contínuo entre os Agentes de Combate a Endemias (ACE) e os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), aproveitando a formação técnica de ambas as categorias para criar uma inteligência geográfica compartilhada.
A orientação principal é que os gestores incentivem o uso de ferramentas visuais, mesmo que simples, para sobrepor os dados de infestação vetorial às microáreas de vulnerabilidade clínica. Isso permite que as ações de vigilância e assistência ocorram de forma preditiva e integrada, alocando recursos humanos e logísticos precisamente onde há maior risco acumulado. Além disso, aconselha-se manter reuniões mensais de atualização dos mapas para acompanhar a dinâmica do território e garantir que a estratégia mantenha sua resolutividade e a confiança da comunidade atendida.
SEMSA - Secretaria Municipal de Saúde de Maués - Av. Pereira Barreto - Centro, Maués - AM, Brasil
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