VIGIA-APS: INOVAÇÃO E VALORIZAÇÃO NA INTEGRAÇÃO ENTRE VIGILÂNCIA E ATENÇÃO PRIMÁRIA

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Romario Gabriel Aquino

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No município de Angra dos Reis/RJ, com 179 mil habitantes e cobertura integral da Estratégia Saúde da Família, as complexidades geográficas — incluindo extenso território, comunidades tradicionais e regiões insulares — tornam a vigilância local um desafio crítico. Para enfrentar essa realidade, a gestão municipal buscou romper com a fragmentação entre os setores através de uma estratégia de educação permanente e monitoramento. Esse movimento culminou na criação do VIGIA-APS (Vigilância Integrada e Geradora de Informação e Ação na Atenção Primária à Saúde). Trata-se de uma estratégia institucional desenhada para converter o potencial capilar da APS em uma rede de vigilância ativa, conectando a qualificação técnica dos profissionais ao monitoramento sistemático de indicadores e à valorização do desempenho das equipes no território.

OBJETIVOS
Objetivo geral
Fortalecer a integração entre Vigilância em Saúde e Atenção Primária à Saúde por meio da implementação de um ciclo institucional baseado na qualificação das equipes, na análise de indicadores e no reconhecimento das unidades com melhor desempenho.
Objetivos específicos
Estimular a incorporação das práticas de vigilância no cotidiano das equipes da Estratégia Saúde da Família; acompanhar indicadores estratégicos relacionados às ações de vigilância no território; ampliar o uso das informações epidemiológicas na gestão local; e valorizar as equipes com melhores resultados, incentivando processos de aprimoramento contínuo.

A estratégia metodológica do VIGIA-APS foi estruturada em um ciclo de gestão composto por três fases interdependentes, visando a integração teórico-prática entre os setores. A primeira etapa consistiu em um processo formativo abrangente, realizado entre março e abril de 2025. A carga horária de 30 horas foi distribuída em seis encontros presenciais, realizados durante o expediente de trabalho para assegurar a adesão dos profissionais. As aulas foram ministradas por técnicos da VS municipal e especialistas convidados da Secretaria de Estado de Saúde (SES/RJ). Para garantir a participação integral de todos os membros das equipes sem interromper a assistência nas unidades, a formação foi organizada em duas turmas com cronogramas alternados. O conteúdo programático focou em eixos críticos: imunização, investigação de surtos, fluxos de notificação compulsória, manejo de ISTs, zoonoses, epidemiologia e vigilância em saúde do trabalhador.
Na segunda etapa, instituiu-se o Prêmio VIGIA-APS, ferramenta de monitoramento do desempenho das unidades da APS. A avaliação baseou-se em três eixos técnicos prioritários: 1) Notificação, analisando a consistência do registro dos cinco principais agravos de importância sanitária municipal; 2) Imunização, focando na completude do esquema vacinal em menores de um ano; e 3) Vigilância da Sífilis, mensurada pela razão entre testes rápidos solicitados e realizados. Para assegurar fidedignidade, a análise utilizou dados primários extraídos diretamente dos sistemas oficiais de informação em saúde. Os resultados foram submetidos a uma padronização em escala de pontuação, possibilitando a construção de um ranking institucional comparativo.
A terceira fase compreendeu a apuração técnica em fevereiro de 2026, seguida pela cerimônia de premiação em março de 2026. O evento reuniu profissionais de ambos os setores e incluiu mesa de debate com a SES/RJ, discussão técnica sobre os indicadores e a apresentação das dez unidades de destaque. Um diferencial fundamental foi a utilização desse diagnóstico para identificar as equipes com menor pontuação, o que orientou estratégias de apoio institucional e supervisão técnica dirigida para superar as vulnerabilidades assistenciais em cada território.

A articulação sistêmica entre a Vigilância em Saúde (VS) e a Atenção Primária à Saúde (APS) constitui um dos pilares para a sustentabilidade do SUS, sendo essencial para a identificação precoce de agravos e respostas territoriais eficazes. No entanto, persistem desafios operacionais na notificação compulsória e no uso de dados para o planejamento do cuidado.

A implementação do VIGIA-APS consolidou-se como um marco na gestão municipal, proporcionando uma visibilidade sem precedentes às ações de vigilância executadas no âmbito da APS. A estratégia permitiu que o dado epidemiológico deixasse de ser apenas um registro burocrático para se tornar uma ferramenta viva de gestão territorial. A publicização do ranking institucional foi um fator determinante para a transparência do processo avaliativo, gerando uma mobilização técnica saudável entre os profissionais, que passaram a priorizar o alcance de metas pactuadas. Durante a cerimônia de premiação, as três equipes de melhor desempenho foram honradas com placas de reconhecimento institucional para afixação nas unidades, o que não apenas valorizou o esforço coletivo, mas também fortaleceu a confiança da comunidade no serviço prestado. Operacionalmente, a iniciativa superou a lógica meramente meritocrática ao funcionar como um potente diagnóstico situacional: o mapeamento permitiu identificar com precisão as unidades com maiores fragilidades nos eixos de notificação e imunização, orientando a formulação de estratégias de apoio institucional e supervisão técnica dirigida. Como desdobramento direto, observou-se um incremento substancial no protagonismo das equipes, que passaram a monitorar proativamente seus próprios indicadores e a buscar a gestão central para discutir o aperfeiçoamento dos fluxos de trabalho e a otimização das ações desenvolvidas em seus respectivos territórios.

O VIGIA-APS demonstrou ser uma estratégia prática e eficaz para fortalecer a integração entre a Vigilância em Saúde e a Atenção Primária ao associar a qualificação das equipes, o monitoramento de indicadores e o reconhecimento do trabalho realizado. A experiência indica que iniciativas baseadas na análise de dados e na valorização do esforço coletivo são capazes de provocar mudanças reais no processo de trabalho, consolidando a vigilância territorial como uma prática cotidiana e integrada ao cuidado nas unidades de saúde. Ao incentivar o protagonismo das equipes de Saúde da Família na identificação de riscos e na organização de respostas locais, o projeto qualificou a capacidade do sistema de lidar com os desafios epidemiológicos do território. Conclui-se que o modelo VIGIA-APS é uma estratégia sustentável e plenamente replicável em outros municípios, servindo de exemplo para gestores que buscam transformar a informação produzida na ponta do sistema em ações de saúde pública mais ágeis, oportunas e eficientes para a população.

autor Principal

Romario Gabriel Aquino

romariogabriel@hotmail.com

Diretor de Vigilância em Saúde

Coautores

Romário Gabriel Aquino, Renan Moreira Reis, Jéssica da Silva Furtado, Grazielle T. Bedaque, Camila Lima, Wesley Abel Mariano, Mariana Barbosa, Alda Valéria da Silva.

A prática foi aplicada em

Angra dos Reis

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Almirante Machado Portela - Balneário, Angra dos Reis - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Romario Gabriel Aquino

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

06 mar 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos