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O Programa Acolher Gestante é uma iniciativa da Associação de Doulas do Estado do Rio de Janeiro (ADOULASRJ), criada em 2020, que promove educação perinatal e cuidado em saúde para pessoas gestantes e puérperas usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), com foco em populações em situação de vulnerabilidade.
Seu objetivo é ampliar o acesso à informação baseada em evidências, fortalecer a autonomia e o protagonismo das usuárias e contribuir para a qualificação do cuidado no ciclo gravídico-puerperal. Como objetivos específicos, busca oferecer suporte emocional contínuo, fortalecer redes de apoio e incentivar a inserção das doulas na Atenção Básica.
A metodologia baseia-se em tecnologias leves de cuidado, com plantões diários online, atendimentos individuais, rodas de conversa, oficinas e produção de conteúdos educativos, além de articulação com Unidades Básicas de Saúde e outros equipamentos do território.
A experiência atua como estratégia complementar à Atenção Primária à Saúde, ampliando o acesso, promovendo equidade e fortalecendo o vínculo das usuárias com o SUS, contribuindo para um cuidado mais integral, humanizado e centrado nas necessidades de pessoas gestantes e puérperas.
A criação do Programa Acolher Gestante foi motivada pelas desigualdades no acesso à informação e ao cuidado no ciclo gravídico-puerperal, especialmente entre usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) em situação de vulnerabilidade social. Durante a pandemia de COVID-19, houve agravamento desse cenário, com fragilização das redes de apoio, restrições à presença de acompanhantes e doulas e aumento de desfechos negativos em saúde materna.
Além disso, observa-se que muitas gestantes e puérperas não recebem informações suficientes, acessíveis e baseadas em evidências ao longo do pré-natal e pós-parto, o que impacta diretamente sua autonomia, segurança e experiência no cuidado. Soma-se a isso a persistência de práticas de violência obstétrica e desigualdades raciais e sociais no acesso à saúde.
Diante desse contexto, identificou-se a necessidade de fortalecer estratégias de educação em saúde e apoio contínuo, articuladas à Atenção Básica, capazes de ampliar o acesso, qualificar o cuidado e promover equidade no SUS.
O Programa Acolher Gestante já impactou mais de 900 pessoas em 44 municípios, envolvendo mais de 190 doulas, ampliando o acesso à educação perinatal e ao cuidado para usuárias do SUS. Entre os principais resultados, destaca-se o fortalecimento da autonomia das gestantes e puérperas, com maior protagonismo nas decisões relacionadas ao parto e ao puerpério, além da ampliação das redes de apoio e do suporte emocional contínuo.
Os dados de monitoramento indicam que a maioria das participantes avalia a experiência como boa ou ótima, relatando maior segurança, acesso à informação qualificada e capacidade de enfrentamento de situações adversas, inclusive em casos de violência obstétrica. O programa também contribui para a redução de vulnerabilidades e para a promoção da equidade no cuidado.
Como inovação, destaca-se a construção de uma rede contínua de educação e acolhimento, baseada em tecnologias leves e no uso de plataformas digitais, permitindo alcance ampliado e superação de barreiras territoriais. A experiência demonstra potencial de replicabilidade e fortalece a atuação das doulas na Atenção Básica, contribuindo para a qualificação do SUS.
Para a implementação de práticas similares, recomenda-se a valorização de tecnologias leves de cuidado, como escuta qualificada, acolhimento e educação em saúde, articuladas à Atenção Básica e às demandas do território. É fundamental estabelecer parcerias com Unidades Básicas de Saúde e equipes multiprofissionais, garantindo integração com o SUS e fortalecimento do vínculo com as usuárias.
A utilização de ferramentas digitais de fácil acesso, como aplicativos de mensagem, amplia o alcance e facilita a continuidade do cuidado. Também é importante investir na formação e educação permanente dos profissionais envolvidos, assegurando práticas baseadas em evidências e sensíveis às questões de gênero, raça e vulnerabilidade social.
Por fim, recomenda-se a criação de estratégias de monitoramento e avaliação contínua, permitindo ajustes ao longo do processo e garantindo maior efetividade, sustentabilidade e potencial de replicação da iniciativa em diferentes territórios.
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