Além do agosto dourado: incentivo ao aleitamento materno – das diretrizes às práticas.

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Fabiana Ramos Vargas

fabianavargas@id.uff.br

Fabiana Ramos Vargas

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O aleitamento materno constitui uma das estratégias mais eficazes para a promoção da saúde materno-infantil, com impacto direto na redução da morbimortalidade, no fortalecimento do vínculo afetivo e na melhoria dos indicadores de saúde pública. Apesar de seus reconhecidos benefícios, observa-se, nos territórios da Atenção Primária à Saúde (APS), um elevado índice de prescrições de fórmulas infantis, associado à dificuldade na consolidação do aleitamento materno exclusivo e à fragilidade no suporte ofertado às lactantes.

Adicionalmente, identifica-se desconhecimento ou insegurança por parte de profissionais de saúde quanto ao manejo clínico da amamentação e à importância do acolhimento técnico e humanizado ao binômio mãe-filho e sua rede de apoio. Nesse contexto, torna-se imprescindível o desenvolvimento de estratégias que promovam não apenas o acesso à informação qualificada, mas também o fortalecimento das práticas de cuidado no âmbito da Estratégia Saúde da Família (ESF).

O presente projeto, iniciado em agosto de 2025, emerge a partir de uma articulação entre a Coordenação Municipal de Saúde da Mulher, Saúde da Criança e equipe multiprofissional (EMULTI), com enfoque em ações itinerantes de educação em saúde e qualificação da assistência.

A implementação deste projeto justifica-se pela necessidade de enfrentar problemáticas relevantes no território, como o desmame precoce, o uso indiscriminado de fórmulas infantis e a fragilidade da rede de apoio às mulheres no período gravídico-puerperal. Tais fatores contribuem diretamente para o aumento de agravos evitáveis à saúde da criança e da mulher, além de impactarem negativamente os indicadores de saúde pública.

O aleitamento materno, enquanto direito humano e prática promotora da segurança alimentar e nutricional, deve ser incentivado de forma contínua e qualificada. Nesse sentido, a APS se configura como espaço privilegiado para o desenvolvimento de ações educativas, de acolhimento e de acompanhamento longitudinal, possibilitando intervenções oportunas e culturalmente sensíveis.

Dessa forma, o projeto busca superar lacunas assistenciais por meio de estratégias inovadoras, centradas na educação em saúde, na humanização do cuidado e na qualificação das equipes, promovendo mudanças tanto no comportamento da população quanto na prática profissional.

Objetivo geral:
Promover o aleitamento materno no âmbito da Atenção Primária à Saúde, contribuindo para a melhoria dos indicadores de saúde materno-infantil e para o fortalecimento da rede de cuidado.

Objetivos específicos:

Incentivar o aleitamento materno como estratégia de redução da morbimortalidade de mulheres e crianças;
Desenvolver ações itinerantes de educação em saúde voltadas para gestantes, puérperas e suas redes de apoio;
Fortalecer o vínculo familiar e a corresponsabilização da rede de apoio no processo de amamentação;
Capacitar e sensibilizar profissionais da equipe multiprofissional para o manejo clínico e acolhimento em amamentação;
Contribuir para a elevação das taxas de aleitamento materno exclusivo e continuado no território.

A implementação do projeto ocorreu de forma intersetorial, envolvendo a Coordenação de Saúde da Mulher, Saúde da Criança e a equipe multiprofissional (EMULTI), com planejamento estratégico baseado nas necessidades identificadas nos territórios das Unidades de Estratégia Saúde da Família.

Adotou-se uma abordagem itinerante, com inserção das ações diretamente nas unidades de saúde, facilitando o acesso da população às atividades propostas. O projeto foi estruturado em três eixos principais: educação em saúde, fortalecimento da rede de apoio e educação permanente das equipes.

As atividades foram planejadas de forma contínua, com cronograma de visitas às unidades, definição de públicos prioritários e utilização de metodologias ativas que favorecessem a participação e o protagonismo dos sujeitos envolvidos.

O desenvolvimento da experiência fundamentou-se em práticas participativas e dialógicas, organizadas em três frentes principais:

1. Ações itinerantes de educação em saúde:
Foram realizadas palestras e oficinas práticas nas unidades de ESF, abordando temas como técnicas de amamentação, pega correta, manejo de intercorrências e benefícios do leite materno. Utilizaram-se recursos lúdicos e didáticos, como bonecos e mamas artificiais, além de linguagem acessível, visando facilitar a compreensão e promover segurança nas práticas de amamentação.

2. Rodas de conversa e círculos de cultura:
As rodas de conversa configuraram-se como espaços de escuta qualificada e troca de experiências, permitindo a identificação de dificuldades emocionais, sociais e culturais relacionadas ao aleitamento. Houve estímulo à participação ativa da rede de apoio, especialmente parceiros e familiares, reforçando a corresponsabilidade no cuidado e contribuindo para a redução do isolamento social da lactante.

3. Educação permanente das equipes:
Foram realizados encontros técnicos periódicos com profissionais das equipes de saúde, com foco no alinhamento de condutas baseadas em evidências científicas e no fortalecimento do manejo clínico do aleitamento materno. Essa estratégia contribuiu para a qualificação da assistência e para a consolidação das unidades como espaços de acolhimento e suporte.

4. Monitoramento e avaliação:
O projeto incluiu o acompanhamento dos indicadores de aleitamento materno exclusivo nos territórios, permitindo a análise dos resultados e o redirecionamento das ações conforme as necessidades locais.

O desenvolvimento do projeto foi motivado pela identificação de fragilidades significativas no manejo e na promoção do aleitamento materno no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS). Observou-se, nos territórios adscritos às Unidades de Estratégia Saúde da Família, um elevado índice de prescrição e utilização de fórmulas infantis, muitas vezes de forma precoce e desnecessária, refletindo dificuldades na consolidação do aleitamento materno exclusivo.

Esse cenário evidencia não apenas barreiras individuais enfrentadas por gestantes e puérperas, como insegurança, dor, dificuldades técnicas e sobrecarga emocional, mas também limitações no suporte ofertado pelos serviços de saúde. Destaca-se a insuficiente qualificação de profissionais quanto ao manejo clínico da amamentação, bem como lacunas na oferta de acolhimento humanizado e escuta qualificada ao binômio mãe-filho e sua rede de apoio.

Adicionalmente, a fragilidade da participação da rede de apoio familiar e social contribui para o desmame precoce e para o isolamento da lactante no período puerperal, agravando questões relacionadas à saúde mental materna. Tais fatores repercutem diretamente nos indicadores de saúde pública, aumentando o risco de morbimortalidade infantil e de agravos evitáveis.

Diante desse contexto, evidenciou-se a necessidade de implementação de estratégias estruturadas, intersetoriais e territorializadas, capazes de promover o aleitamento materno de forma efetiva, qualificar as práticas profissionais e fortalecer a rede de cuidado na

A implementação do projeto trouxe benefícios relevantes para a saúde materno-infantil e para a organização do cuidado na Atenção Primária à Saúde. Destaca-se a ampliação do conhecimento de gestantes, puérperas e suas redes de apoio sobre o aleitamento materno, favorecendo maior adesão à prática e contribuindo para a elevação das taxas de aleitamento materno exclusivo e continuado.
Observou-se, ainda, a redução da prescrição e do uso desnecessário de fórmulas infantis, bem como o fortalecimento do vínculo entre mãe e filho e da participação da rede de apoio no cuidado. No âmbito dos serviços, houve qualificação da assistência, com profissionais mais seguros no manejo clínico da amamentação e maior capacidade de acolhimento e escuta qualificada, impactando positivamente a experiência das usuárias e os indicadores de saúde.
A principal inovação do projeto reside na adoção de uma abordagem itinerante e territorializada, que desloca o cuidado para mais próximo da realidade dos usuários, ampliando o acesso às ações educativas. A utilização de metodologias ativas, como rodas de conversa e oficinas práticas, promoveu maior engajamento dos participantes e valorização dos saberes populares.
Outro diferencial foi a integração entre diferentes setores e equipes (Saúde da Mulher, Saúde da Criança e equipe multiprofissional), garantindo uma atuação interprofissional e articulada. A inclusão sistemática da rede de apoio nas atividades e o enfoque na saúde mental da lactante também se destacam como elementos inovadores, ao ampliar o cuidado para além do aspecto biológico da amamentação.
A experiência evidenciou que o sucesso das ações de promoção do aleitamento materno depende da articulação entre educação em saúde, acolhimento humanizado e qualificação profissional contínua. A escuta ativa das necessidades das mulheres e a adaptação das estratégias ao contexto local mostraram-se fundamentais para a efetividade das intervenções.
Além disso, constatou-se que a inclusão da rede de apoio é determinante para a manutenção do aleitamento, assim como a necessidade de sensibilização permanente das equipes de saúde para evitar práticas inadequadas, como a prescrição precoce de fórmulas. A utilização de linguagem acessível e recursos didáticos também foi essencial para facilitar a compreensão e promover autonomia das usuárias.
Como resposta às problemáticas identificadas, o projeto estruturou uma estratégia integrada baseada em três pilares: educação em saúde itinerante, fortalecimento da rede de apoio e educação permanente das equipes. Essa abordagem possibilitou a qualificação do cuidado ofertado na APS, promovendo o aleitamento materno como prática prioritária e direito humano.
A proposta demonstrou ser viável, replicável e adaptável a diferentes territórios, contribuindo para a reorganização do processo de trabalho nas unidades de saúde e para a consolidação de práticas mais resolutivas, humanizadas e baseadas em evidências. Dessa forma, configura-se como uma solução efetiva para o enfrentamento do desmame precoce e para a melhoria dos indicadores de saúde materno-infantil.

A experiência demonstrou que a implementação de ações eficazes de promoção ao aleitamento materno na Atenção Primária à Saúde requer planejamento estratégico, sensibilidade às demandas do território e fortalecimento do trabalho em equipe. Nesse sentido, recomenda-se, inicialmente, a realização de um diagnóstico situacional que permita identificar as principais fragilidades locais, como índices de desmame precoce, uso de fórmulas infantis e lacunas no processo de trabalho das equipes.
É fundamental investir na educação permanente dos profissionais de saúde, garantindo que todos os membros da equipe multiprofissional estejam capacitados para o manejo clínico da amamentação e para o acolhimento humanizado, com escuta qualificada e abordagem centrada nas necessidades da mulher e de sua família. A padronização de condutas baseadas em evidências contribui para maior segurança e resolutividade no cuidado.
Recomenda-se a adoção de metodologias ativas de educação em saúde, como rodas de conversa e oficinas práticas, que favoreçam a participação dos usuários e a valorização dos saberes populares. A utilização de linguagem acessível e de recursos didáticos facilita a compreensão e fortalece a autonomia das gestantes e puérperas.
Outro aspecto essencial é a inclusão da rede de apoio nas ações, reconhecendo seu papel determinante na manutenção do aleitamento materno. Incentivar a participação de parceiros, familiares e cuidadores amplia o suporte à lactante e contribui para a redução do isolamento social no puerpério.
A organização de ações itinerantes nas Unidades de Estratégia Saúde da Família mostrou-se uma estratégia potente para ampliar o acesso e aproximar o cuidado da realidade dos territórios. Além disso, o monitoramento contínuo de indicadores permite avaliar o impacto das ações e redirecionar estratégias conforme as necessidades locais.
Por fim, destaca-se a importância da articulação intersetorial e do compromisso institucional para garantir a sustentabilidade da prática. A construção de um ambiente acolhedor, livre de julgamentos e baseado na humanização do cuidado é fundamental para que o aleitamento materno seja efetivamente promovido como um direito humano e uma prática acessível a todas as famílias.

autor Principal

Fabiana Ramos Vargas

fabianavargas@id.uff.br

Coordenação Saúde da Mulher de Vassouras

Coautores

Fabiana Ramos Vargas, Tatiana de Paula Furtado, Simone da Silva Félix, Estefany Cardoso Guimarães Biage, Isabela Cardoso Lima Delgado da Paixão, Raiane Furtado Pereira de Carvalho, Elaine Pereira Alves, Juliana Afonso Medeiros Barbirato, Elisangela do Nascimento Fernandes Gomes, Lilia Marques Simões Rodrigues

A prática foi aplicada em

Vassouras

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Visconde Cananeia, n.61 - Centro, Vassouras - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Fabiana Ramos Vargas

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

01 ago 2025

inicio

01 jan 2026

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos