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A consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) requer o desenvolvimento de arranjos organizacionais capazes de fortalecer a gestão do cuidado, ampliar o acesso aos serviços e promover a equidade nos territórios. No campo da imunização, ainda persistem desafios importantes, como a fragmentação das ações, a existência de barreiras de acesso e a necessidade de qualificação contínua das práticas assistenciais, especialmente no que se refere à integração entre os diferentes níveis de atenção.
Nesse contexto, o município de Maricá implantou o Centro de Vacinação Integrada (CVI) como um dispositivo estratégico voltado à reorganização do processo de trabalho em saúde. A iniciativa busca promover a articulação entre a Vigilância em Saúde e a Atenção Primária à Saúde (APS), fortalecendo a coordenação do cuidado e ampliando a capacidade de resposta às demandas da população.
O CVI se estrutura a partir dos princípios da integralidade, territorialização e humanização, com foco na oferta de um cuidado mais acolhedor, resolutivo e centrado nas necessidades dos usuários. Além disso, contribui para a otimização dos fluxos assistenciais, qualificação das ações de imunização e ampliação da cobertura vacinal, ao mesmo tempo em que fortalece a integração entre equipes e serviços.
Dessa forma, o Centro de Vacinação Integrada configura-se como uma estratégia inovadora no âmbito local, alinhada às diretrizes do SUS, com potencial para aprimorar o acesso, a qualidade da atenção e os resultados em saúde no território.
Analisar a experiência do Centro de Vacinação Integrada (CVI) de Maricá como estratégia voltada ao fortalecimento da gestão do cuidado, com ênfase na ampliação do acesso e na qualificação da Rede de Atenção à Saúde (RAS). A iniciativa é compreendida como um dispositivo organizacional que contribui para a integração entre Vigilância em Saúde e Atenção Primária à Saúde (APS), favorecendo a coordenação do cuidado e a organização dos fluxos assistenciais no território.
O estudo busca evidenciar como a implantação do CVI potencializa a oferta de ações de imunização, promove maior resolutividade dos serviços e contribui para a ampliação da cobertura vacinal, especialmente em contextos marcados por desigualdades de acesso. Além disso, analisa-se o papel do centro na qualificação das práticas assistenciais, com foco na integralidade, territorialização e humanização do cuidado.
Dessa forma, pretende-se compreender em que medida essa experiência se alinha aos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando seu potencial como estratégia inovadora para o fortalecimento da RAS e para a melhoria dos resultados em saúde no âmbito local.
A implantação do CVI com adoção de horário estendido (07h às 19h) evidenciou importante capacidade de mudanças no modelo assistencial em imunização, ao tensionar práticas historicamente fragmentadas e promover maior integração entre Vigilância em Saúde e APS. No período analisado, foram realizados 2.629 atendimentos, indicando ampliação do acesso e maior capacidade de absorção de demandas reprimidas no território.
Entretanto, a análise quantitativa deve ser interpretada à luz da organização do processo de trabalho, visto que o aumento da produção, isoladamente, não expressa qualidade. Nesse contexto, destacam-se a qualificação do acolhimento e a reorganização dos fluxos assistenciais como elementos centrais para a ampliação do acesso com maior resolutividade.
Foram registrados 11 atendimentos a pessoas com TEA, que, embora numericamente reduzidos, possuem elevada relevância qualitativa ao evidenciar a incorporação de estratégias voltadas à equidade. A criação de ambiente adaptado e sensível às especificidades desse público reflete uma mudança no modelo assistencial, com foco nas singularidades dos usuários.
No que se refere à integração em rede, destacam-se 5 visitas técnicas a serviços da RAS e 11 visitas domiciliares, evidenciando articulação ativa com o território. Essas ações reforçam o papel do CVI como dispositivo de apoio à coordenação do cuidado, embora ainda demandem maior institucionalização para garantir a sustentabilidade.
A produção vacinal demonstra diversidade de imunobiológicos, com destaque para VARH (1.248 doses), Hepatite B (286), dT (288) e BCG (269), além da incorporação de vacinas estratégicas, como COVID-19 (62), Mpox (12), e Nirsevimabe (20), evidenciando alinhamento às diretrizes nacionais.
Sendo assim, a atuação multiprofissional e o apoio matricial indicam avanços na integralidade do cuidado, cuja consolidação depende da continuidade da educação permanente e do fortalecimento da RAS.
O Centro de Vacinação Integrada (CVI) de Maricá configura-se como experiência exitosa de inovação na gestão do cuidado em imunização, ao articular a ampliação do acesso, qualificação das práticas assistenciais e integração entre serviços. Contudo, sua sustentabilidade depende do fortalecimento de arranjos institucionais e de governança capazes de consolidar as mudanças no processo de trabalho.
Do ponto de vista das políticas públicas, a experiência evidencia a necessidade de institucionalizar mecanismos de integração entre Vigilância em Saúde e Atenção Primária à Saúde, com formalização de fluxos, definição de responsabilidades e fortalecimento da coordenação do cuidado na Rede de Atenção à Saúde (RAS). A ampliação do acesso deve estar associada à qualificação contínua do processo de trabalho, com ênfase na resolutividade e na centralidade do usuário.
A incorporação de estratégias voltadas à equidade reforça a importância de políticas sensíveis às especificidades dos territórios e dos grupos populacionais, enquanto a diversidade da produção vacinal destaca o papel do uso qualificado da informação no planejamento e na tomada de decisão.
A experiência apresenta potencial de replicabilidade no SUS, desde que garantidas condições adequadas de infraestrutura, financiamento e capacidade de gestão, além de sua inserção em agendas institucionais mais amplas. Nesse sentido, o CVI contribui não apenas para a qualificação da oferta local, mas também para o fortalecimento de modelos de atenção mais integrados, resolutivos e orientados pelas necessidades da população.
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