Centro de Vacinação Integrada: inovação na gestão do cuidado e fortalecimento da RAS em Maricá

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Daniella Alves Pereira Bittencourt

Daniella Bittencourt

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A consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) requer o desenvolvimento de arranjos organizacionais capazes de fortalecer a gestão do cuidado, ampliar o acesso aos serviços e promover a equidade nos territórios. No campo da imunização, ainda persistem desafios importantes, como a fragmentação das ações, a existência de barreiras de acesso e a necessidade de qualificação contínua das práticas assistenciais, especialmente no que se refere à integração entre os diferentes níveis de atenção.
Nesse contexto, o município de Maricá implantou o Centro de Vacinação Integrada (CVI) como um dispositivo estratégico voltado à reorganização do processo de trabalho em saúde. A iniciativa busca promover a articulação entre a Vigilância em Saúde e a Atenção Primária à Saúde (APS), fortalecendo a coordenação do cuidado e ampliando a capacidade de resposta às demandas da população.
O CVI se estrutura a partir dos princípios da integralidade, territorialização e humanização, com foco na oferta de um cuidado mais acolhedor, resolutivo e centrado nas necessidades dos usuários. Além disso, contribui para a otimização dos fluxos assistenciais, qualificação das ações de imunização e ampliação da cobertura vacinal, ao mesmo tempo em que fortalece a integração entre equipes e serviços.
Dessa forma, o Centro de Vacinação Integrada configura-se como uma estratégia inovadora no âmbito local, alinhada às diretrizes do SUS, com potencial para aprimorar o acesso, a qualidade da atenção e os resultados em saúde no território.
Analisar a experiência do Centro de Vacinação Integrada (CVI) de Maricá como estratégia voltada ao fortalecimento da gestão do cuidado, com ênfase na ampliação do acesso e na qualificação da Rede de Atenção à Saúde (RAS). A iniciativa é compreendida como um dispositivo organizacional que contribui para a integração entre Vigilância em Saúde e Atenção Primária à Saúde (APS), favorecendo a coordenação do cuidado e a organização dos fluxos assistenciais no território.

O estudo busca evidenciar como a implantação do CVI potencializa a oferta de ações de imunização, promove maior resolutividade dos serviços e contribui para a ampliação da cobertura vacinal, especialmente em contextos marcados por desigualdades de acesso. Além disso, analisa-se o papel do centro na qualificação das práticas assistenciais, com foco na integralidade, territorialização e humanização do cuidado.
Dessa forma, pretende-se compreender em que medida essa experiência se alinha aos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), destacando seu potencial como estratégia inovadora para o fortalecimento da RAS e para a melhoria dos resultados em saúde no âmbito local.

A implantação do CVI com adoção de horário estendido (07h às 19h) evidenciou importante capacidade de mudanças no modelo assistencial em imunização, ao tensionar práticas historicamente fragmentadas e promover maior integração entre Vigilância em Saúde e APS. No período analisado, foram realizados 2.629 atendimentos, indicando ampliação do acesso e maior capacidade de absorção de demandas reprimidas no território.
Entretanto, a análise quantitativa deve ser interpretada à luz da organização do processo de trabalho, visto que o aumento da produção, isoladamente, não expressa qualidade. Nesse contexto, destacam-se a qualificação do acolhimento e a reorganização dos fluxos assistenciais como elementos centrais para a ampliação do acesso com maior resolutividade.
Foram registrados 11 atendimentos a pessoas com TEA, que, embora numericamente reduzidos, possuem elevada relevância qualitativa ao evidenciar a incorporação de estratégias voltadas à equidade. A criação de ambiente adaptado e sensível às especificidades desse público reflete uma mudança no modelo assistencial, com foco nas singularidades dos usuários.
No que se refere à integração em rede, destacam-se 5 visitas técnicas a serviços da RAS e 11 visitas domiciliares, evidenciando articulação ativa com o território. Essas ações reforçam o papel do CVI como dispositivo de apoio à coordenação do cuidado, embora ainda demandem maior institucionalização para garantir a sustentabilidade.
A produção vacinal demonstra diversidade de imunobiológicos, com destaque para VARH (1.248 doses), Hepatite B (286), dT (288) e BCG (269), além da incorporação de vacinas estratégicas, como COVID-19 (62), Mpox (12), e Nirsevimabe (20), evidenciando alinhamento às diretrizes nacionais.
Sendo assim, a atuação multiprofissional e o apoio matricial indicam avanços na integralidade do cuidado, cuja consolidação depende da continuidade da educação permanente e do fortalecimento da RAS.

O Centro de Vacinação Integrada (CVI) de Maricá configura-se como experiência exitosa de inovação na gestão do cuidado em imunização, ao articular a ampliação do acesso, qualificação das práticas assistenciais e integração entre serviços. Contudo, sua sustentabilidade depende do fortalecimento de arranjos institucionais e de governança capazes de consolidar as mudanças no processo de trabalho.
Do ponto de vista das políticas públicas, a experiência evidencia a necessidade de institucionalizar mecanismos de integração entre Vigilância em Saúde e Atenção Primária à Saúde, com formalização de fluxos, definição de responsabilidades e fortalecimento da coordenação do cuidado na Rede de Atenção à Saúde (RAS). A ampliação do acesso deve estar associada à qualificação contínua do processo de trabalho, com ênfase na resolutividade e na centralidade do usuário.
A incorporação de estratégias voltadas à equidade reforça a importância de políticas sensíveis às especificidades dos territórios e dos grupos populacionais, enquanto a diversidade da produção vacinal destaca o papel do uso qualificado da informação no planejamento e na tomada de decisão.
A experiência apresenta potencial de replicabilidade no SUS, desde que garantidas condições adequadas de infraestrutura, financiamento e capacidade de gestão, além de sua inserção em agendas institucionais mais amplas. Nesse sentido, o CVI contribui não apenas para a qualificação da oferta local, mas também para o fortalecimento de modelos de atenção mais integrados, resolutivos e orientados pelas necessidades da população.

autor Principal

Daniella Alves Pereira Bittencourt

daniellabitt@gmail.com

Coordenação de Vigilância em Saúde

Coautores

Daniella Alves pereira Bittencourt, Gabriella Pedrosa, Liliane Caldas Barreto

A prática foi aplicada em

Maricá

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Clímaco Pereira, 363 - Eldorado, Maricá - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Daniella Alves Pereira Bittencourt

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

26 mar 2026

inicio

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

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