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A experiência foi desenvolvida no Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente (CRIAAD), unidade socioeducativa de regime semiaberto localizada em Teresópolis/RJ, vinculada ao território da Atenção Primária à Saúde. A ação integra a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei (PNAISARI) e é realizada em parceria entre equipe da eMulti e profissionais da unidade. A iniciativa surgiu a partir da identificação de dificuldades dos adolescentes em reconhecer e expressar emoções, frequentemente associadas a concepções de fragilidade, especialmente no que se refere ao choro e à vulnerabilidade emocional. Soma-se a esse contexto a vivência de estigmas sociais, exclusão e fragilização de vínculos, impactando diretamente a saúde mental. Diante desse cenário, estruturou-se uma estratégia de cuidado voltada à criação de espaços coletivos de escuta e expressão, visando fortalecer vínculos, promover reconhecimento das emoções e ampliar o cuidado integral a esse público.
Objetivos
Promover a expressão emocional e o cuidado em saúde mental de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, por meio de estratégias coletivas baseadas na escuta qualificada, no vínculo e no acolhimento, contribuindo para o fortalecimento da autonomia e do reconhecimento enquanto sujeitos. Favorecer a construção de espaços seguros de fala e escuta, possibilitando que os adolescentes reconheçam, nomeiem e compartilhem suas emoções, reduzindo estigmas relacionados à expressão emocional. Fortalecer vínculos entre adolescentes e equipe multiprofissional, ampliando o sentimento de pertencimento e contribuindo para a construção de relações mais respeitosas no contexto institucional.
Trata-se de uma experiência iniciada em 2024, desenvolvida no CRIAAD de Teresópolis por equipe multiprofissional composta por profissionais da eMulti e da unidade socioeducativa. As ações são realizadas por meio de rodas de conversa periódicas, organizadas no próprio espaço institucional, com abordagem participativa e centrada na escuta qualificada. As atividades utilizam metodologias lúdicas como facilitadoras da expressão emocional, com destaque para a dinâmica dos balões, na qual os adolescentes representam simbolicamente sentimentos a serem externalizados. O ato de estourar o balão favorece a liberação emocional e estimula o compartilhamento coletivo. Também são utilizadas dinâmicas com sorteio de emoções, incentivando a reflexão sobre vivências e formas de enfrentamento. Os profissionais participam ativamente das atividades, compartilhando experiências e sentimentos, reduzindo barreiras hierárquicas e fortalecendo o vínculo. A condução das ações prioriza ambiente seguro, acolhedor e livre de julgamentos, favorecendo a construção de confiança entre os participantes. A experiência é organizada de forma integrada entre a Atenção Primária à Saúde e o serviço socioeducativo, envolvendo planejamento conjunto das ações, definição de estratégias de abordagem e acompanhamento contínuo dos adolescentes, possibilitando uma abordagem ampliada que considera aspectos emocionais, sociais e de saúde mental no cuidado ofertado.
Observou-se ampliação progressiva da participação dos adolescentes nas atividades, com aumento da espontaneidade nas falas e maior abertura para expressão de sentimentos como medo, arrependimento, saudade e expectativas em relação ao futuro. Ao longo dos encontros, os participantes passaram a reconhecer e nomear emoções com mais facilidade, reduzindo resistências iniciais relacionadas à exposição emocional. A experiência favoreceu o fortalecimento de vínculos entre adolescentes e equipe multiprofissional, contribuindo para a construção de um ambiente mais acolhedor e seguro dentro da unidade. Esse processo refletiu na melhoria das relações interpessoais e na maior adesão às atividades propostas. Também foi possível identificar mudanças na percepção dos adolescentes sobre saúde mental, com maior valorização do cuidado emocional e compreensão de que a expressão de sentimentos não está associada à fragilidade, mas sim ao autocuidado. O espaço coletivo possibilitou trocas de experiências, identificação entre pares e desenvolvimento de empatia. A atuação integrada entre os profissionais da saúde e da equipe socioeducativa contribuiu para qualificação do cuidado ofertado, ampliando o olhar sobre as necessidades dos adolescentes para além das demandas imediatas. A estratégia mostrou-se potente na promoção do sentimento de pertencimento e no fortalecimento da autonomia dos participantes. A utilização de metodologias lúdicas facilitou o engajamento e a participação ativa, tornando o cuidado mais acessível e significativo para os adolescentes, especialmente em um contexto marcado por vulnerabilidades e estigmas sociais.
A experiência evidencia que a criação de espaços coletivos de escuta e expressão, associada ao uso de metodologias lúdicas, constitui estratégia potente para o cuidado em saúde mental de adolescentes em contexto socioeducativo. Ao favorecer a verbalização de emoções e o fortalecimento de vínculos, a iniciativa contribui para a construção de um ambiente mais acolhedor, promovendo autonomia, pertencimento e reconhecimento dos adolescentes enquanto sujeitos. A articulação entre Atenção Primária à Saúde e o serviço socioeducativo mostrou-se fundamental para a ampliação do cuidado, possibilitando abordagem integral que considera dimensões emocionais, sociais e subjetivas. Essa integração fortalece os princípios do SUS, especialmente a integralidade, a equidade e a humanização das práticas em saúde. Trata-se de uma experiência inovadora no território, de baixo custo e fácil implementação, com potencial de replicabilidade em outros contextos que atuam com adolescentes em situação de vulnerabilidade, contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à saúde mental.
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