Estourando o silêncio: expressão emocional de adolescentes em contexto sócio-educativo

Você já pode imprimir seu certificado

Raquel Pereira de Proença

Raquel Proenca

Raquel Pereira de Proença

favor seguir os ajustes necessários abaixo:

Nenhuma recomendação da moderação

A experiência foi desenvolvida no Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente (CRIAAD), unidade socioeducativa de regime semiaberto localizada em Teresópolis/RJ, vinculada ao território da Atenção Primária à Saúde. A ação integra a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei (PNAISARI) e é realizada em parceria entre equipe da eMulti e profissionais da unidade. A iniciativa surgiu a partir da identificação de dificuldades dos adolescentes em reconhecer e expressar emoções, frequentemente associadas a concepções de fragilidade, especialmente no que se refere ao choro e à vulnerabilidade emocional. Soma-se a esse contexto a vivência de estigmas sociais, exclusão e fragilização de vínculos, impactando diretamente a saúde mental. Diante desse cenário, estruturou-se uma estratégia de cuidado voltada à criação de espaços coletivos de escuta e expressão, visando fortalecer vínculos, promover reconhecimento das emoções e ampliar o cuidado integral a esse público.

Objetivos

Promover a expressão emocional e o cuidado em saúde mental de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, por meio de estratégias coletivas baseadas na escuta qualificada, no vínculo e no acolhimento, contribuindo para o fortalecimento da autonomia e do reconhecimento enquanto sujeitos. Favorecer a construção de espaços seguros de fala e escuta, possibilitando que os adolescentes reconheçam, nomeiem e compartilhem suas emoções, reduzindo estigmas relacionados à expressão emocional. Fortalecer vínculos entre adolescentes e equipe multiprofissional, ampliando o sentimento de pertencimento e contribuindo para a construção de relações mais respeitosas no contexto institucional.

Trata-se de uma experiência iniciada em 2024, desenvolvida no CRIAAD de Teresópolis por equipe multiprofissional composta por profissionais da eMulti e da unidade socioeducativa. As ações são realizadas por meio de rodas de conversa periódicas, organizadas no próprio espaço institucional, com abordagem participativa e centrada na escuta qualificada. As atividades utilizam metodologias lúdicas como facilitadoras da expressão emocional, com destaque para a dinâmica dos balões, na qual os adolescentes representam simbolicamente sentimentos a serem externalizados. O ato de estourar o balão favorece a liberação emocional e estimula o compartilhamento coletivo. Também são utilizadas dinâmicas com sorteio de emoções, incentivando a reflexão sobre vivências e formas de enfrentamento. Os profissionais participam ativamente das atividades, compartilhando experiências e sentimentos, reduzindo barreiras hierárquicas e fortalecendo o vínculo. A condução das ações prioriza ambiente seguro, acolhedor e livre de julgamentos, favorecendo a construção de confiança entre os participantes. A experiência é organizada de forma integrada entre a Atenção Primária à Saúde e o serviço socioeducativo, envolvendo planejamento conjunto das ações, definição de estratégias de abordagem e acompanhamento contínuo dos adolescentes, possibilitando uma abordagem ampliada que considera aspectos emocionais, sociais e de saúde mental no cuidado ofertado.

Observou-se ampliação progressiva da participação dos adolescentes nas atividades, com aumento da espontaneidade nas falas e maior abertura para expressão de sentimentos como medo, arrependimento, saudade e expectativas em relação ao futuro. Ao longo dos encontros, os participantes passaram a reconhecer e nomear emoções com mais facilidade, reduzindo resistências iniciais relacionadas à exposição emocional. A experiência favoreceu o fortalecimento de vínculos entre adolescentes e equipe multiprofissional, contribuindo para a construção de um ambiente mais acolhedor e seguro dentro da unidade. Esse processo refletiu na melhoria das relações interpessoais e na maior adesão às atividades propostas. Também foi possível identificar mudanças na percepção dos adolescentes sobre saúde mental, com maior valorização do cuidado emocional e compreensão de que a expressão de sentimentos não está associada à fragilidade, mas sim ao autocuidado. O espaço coletivo possibilitou trocas de experiências, identificação entre pares e desenvolvimento de empatia. A atuação integrada entre os profissionais da saúde e da equipe socioeducativa contribuiu para qualificação do cuidado ofertado, ampliando o olhar sobre as necessidades dos adolescentes para além das demandas imediatas. A estratégia mostrou-se potente na promoção do sentimento de pertencimento e no fortalecimento da autonomia dos participantes. A utilização de metodologias lúdicas facilitou o engajamento e a participação ativa, tornando o cuidado mais acessível e significativo para os adolescentes, especialmente em um contexto marcado por vulnerabilidades e estigmas sociais.

A experiência evidencia que a criação de espaços coletivos de escuta e expressão, associada ao uso de metodologias lúdicas, constitui estratégia potente para o cuidado em saúde mental de adolescentes em contexto socioeducativo. Ao favorecer a verbalização de emoções e o fortalecimento de vínculos, a iniciativa contribui para a construção de um ambiente mais acolhedor, promovendo autonomia, pertencimento e reconhecimento dos adolescentes enquanto sujeitos. A articulação entre Atenção Primária à Saúde e o serviço socioeducativo mostrou-se fundamental para a ampliação do cuidado, possibilitando abordagem integral que considera dimensões emocionais, sociais e subjetivas. Essa integração fortalece os princípios do SUS, especialmente a integralidade, a equidade e a humanização das práticas em saúde. Trata-se de uma experiência inovadora no território, de baixo custo e fácil implementação, com potencial de replicabilidade em outros contextos que atuam com adolescentes em situação de vulnerabilidade, contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à saúde mental.

autor Principal

Raquel Pereira de Proença

raqueljsproenca@gmail.com

Assistente Social

Coautores

Raquel Pereira de Proença, Fernanda Ramos Esberard, Mayara Desiderati Teixeira da Silva

A prática foi aplicada em

Teresópolis

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Júlio Rosa, 366 - Tijuca, Teresópolis - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Raquel Pereira de Proença

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

10 maio 2024

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos