MÉDIA VERSUS MEDIANA: UMA ANÁLISE DE EQUIDADE NO SAMU 192 DO SUS

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Paulo Sérgio Mendes de Lima

limapaulorj@yahoo.com.br

Paulo Sérgio Mendes de Lima

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O tempo-resposta é um dos principais indicadores de qualidade nos serviços de urgência, estando diretamente associado à sobrevida, à redução de sequelas e à efetividade do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS). Tradicionalmente, esse indicador é avaliado por meio da média aritmética, amplamente utilizada na gestão. No entanto, em contextos territoriais heterogêneos, a média pode não representar adequadamente a experiência real da população, por ser sensível a valores extremos.

A região do Médio Paraíba (RJ), com cerca de 1 milhão de habitantes distribuídos em 12 municípios, apresenta grande diversidade territorial, incluindo áreas urbanas densas, regiões rurais extensas e diferentes condições de infraestrutura viária. Esse cenário impõe desafios operacionais distintos ao SAMU 192, influenciando diretamente o desempenho do tempo-resposta.

Diante disso, esta experiência propõe a incorporação da mediana como indicador complementar à média, permitindo uma análise mais fiel e equitativa do acesso ao atendimento pré-hospitalar.

O objetivo é analisar comparativamente o tempo médio e o tempo mediano de resposta do SAMU 192, avaliando a capacidade desses indicadores em representar o desempenho assistencial de forma equitativa. Busca-se ainda identificar discrepâncias que revelem desigualdades ocultas, compreender o impacto das características territoriais e subsidiar decisões gerenciais relacionadas à alocação de recursos, posicionamento de bases e organização dos fluxos assistenciais.

Trata-se de um estudo observacional, longitudinal, retrospectivo e comparativo, com dados de janeiro de 2026, incluindo todas as ocorrências classificadas como prioridade máxima (vermelho). Foram analisados indicadores por município, considerando variáveis territoriais e demográficas, além de análise quantitativa e qualitativa integrada.

A iniciativa se justifica pela necessidade de qualificar a governança baseada em evidências no SUS, incorporando métricas mais representativas da realidade vivenciada pela população e promovendo maior equidade no acesso ao cuidado.

A utilização predominante da média como indicador de desempenho no SAMU 192 tem limitado a capacidade de identificar desigualdades no acesso ao atendimento, especialmente em regiões com alta heterogeneidade territorial. Por ser sensível a valores extremos, a média pode distorcer a percepção do tempo-resposta, mascarando realidades locais e comprometendo a tomada de decisão. Esse cenário dificulta a identificação de iniquidades entre municípios e fragiliza o planejamento regional, evidenciando a necessidade de incorporar métricas mais robustas e representativas, como a mediana, para qualificar a análise e promover maior justiça distributiva no SUS.

A análise comparativa evidenciou diferenças consistentes entre tempo médio e tempo mediano em todos os municípios avaliados, revelando desigualdades territoriais que não são plenamente captadas pela média isolada.

Nos municípios urbanos, como Barra Mansa, Volta Redonda e Resende, os tempos médios foram mais elevados, influenciados por fatores como tráfego e complexidade viária. No entanto, as medianas permaneceram abaixo de 20 minutos, indicando estabilidade operacional e bom desempenho na maioria dos atendimentos.

Nos municípios extensos e de baixa densidade, como Valença, Rio Claro, Quatis e Rio das Flores, as diferenças entre média e mediana foram mais acentuadas, refletindo o impacto das longas distâncias e maior variabilidade nos deslocamentos.

Em municípios compactos, como Pinheiral e Porto Real, observaram-se discrepâncias relevantes, com destaque para Pinheiral, que apresentou a maior diferença entre média e mediana (+4 minutos), evidenciando forte influência de eventos extremos sobre a média.

De forma geral:

A mediana apresentou menor variação entre municípios (≈13 a 20 minutos)
A média variou mais amplamente (≈15 a 22 minutos)
As diferenças variaram de +1 a +4 minutos, evidenciando distorções relevantes

Como principais benefícios e inovações:
Introdução da mediana como indicador estratégico de equidade
Maior precisão na leitura da experiência real da população
Identificação de desigualdades ocultas no acesso
Qualificação da tomada de decisão gerencial

Como lição central, evidencia-se que medir apenas a média pode induzir a interpretações equivocadas, enquanto o uso combinado com a mediana amplia a capacidade analítica e fortalece a governança.

Para implementação dessa prática em outros serviços, recomenda-se:

Utilizar média e mediana de forma complementar: a análise combinada permite visão mais completa e equitativa do desempenho.
Incorporar a mediana nos painéis de gestão: incluir o indicador nos dashboards e rotinas de monitoramento.
Analisar o território de forma integrada: considerar extensão geográfica, densidade populacional e infraestrutura viária.
Identificar e tratar eventos extremos: investigar causas de tempos elevados e atuar de forma direcionada.
Apoiar decisões com dados qualificados: utilizar os indicadores para reposicionamento de bases e alocação de recursos.
Capacitar gestores e equipes: disseminar o entendimento sobre interpretação de indicadores e equidade.
Adotar cultura de governança baseada em evidências: transformar dados em ação estratégica.

A principal orientação é clara: não basta medir, é preciso medir certo. A incorporação da mediana permite enxergar o que a média esconde, promovendo decisões mais justas, eficientes e alinhadas aos princípios do SUS.

autor Principal

Paulo Sérgio Mendes de Lima

limapaulorj@yahoo.com.br

Coordenador Médico Samu Médio Paraíba-RJ

Coautores

Rodrigo Dias Lages, Danilo Tadeu Rodrigues de Carvalho, José Luis da Silva, Rafael Libardoni

A prática foi aplicada em

Volta Redonda

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua 22, 349 - Jardim Vila Rica - Tiradentes, Volta Redonda - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Paulo Sérgio Mendes de Lima

Conta vinculada

24 mar 2026

CADASTRO

24 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

01 jan 2026

inicio

31 jan 2026

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos