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Governança das telecomunicações e impactos no acesso e tempo-resposta do SAMU 192 Médio Paraíba.

Paulo Sérgio Mendes de Lima

limapaulorj@yahoo.com.br

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A garantia do acesso oportuno aos serviços de urgência é um dos pilares do Sistema Único de Saúde (SUS), sustentado pelos princípios da universalidade, integralidade e equidade. No SAMU 192 do Médio Paraíba (RJ), responsável pela cobertura de aproximadamente 1 milhão de habitantes em 12 municípios, a infraestrutura de telecomunicações mostrou-se componente crítico para a efetividade do cuidado.

Entre 2024 e 2025, a progressiva deterioração dos serviços da operadora Oi, culminando em sua falência, comprometeu gravemente o acesso ao número 192. Instabilidades recorrentes, falhas de conexão e queda no volume de chamadas evidenciaram ruptura direta do acesso da população ao serviço, impactando negativamente a universalidade, a integralidade e a equidade do cuidado.

Diante desse cenário, foi implementada uma resposta estruturada de governança regional, baseada em dados, gestão de riscos e articulação institucional. A principal intervenção consistiu na migração para a operadora Algar Telecom, com implantação de infraestrutura mais robusta, resiliente e tecnologicamente avançada. Complementarmente, foi desenvolvido e implantado o aplicativo SAMU 192 Fácil, ampliando os canais de acesso e reduzindo a dependência exclusiva da telefonia tradicional.

Foram também reestruturados fluxos operacionais, fortalecidos os mecanismos de monitoramento em tempo real e qualificada a regulação médica, consolidando um modelo de gestão orientado por dados e desempenho.

O estudo tem como objetivo analisar o impacto dessa reestruturação da infraestrutura de telecomunicações sobre o desempenho do serviço, com foco na ampliação do acesso, melhoria da continuidade do cuidado e redução de desigualdades, no período de janeiro de 2024 a janeiro de 2026.

Trata-se de um estudo observacional, longitudinal e comparativo, baseado em dados secundários dos sistemas institucionais, analisando indicadores como volume de ligações, número de ocorrências atendidas e tempo-resposta em casos críticos.

A iniciativa se justifica pela necessidade de fortalecer a resiliência dos serviços de urgência, evidenciando que a gestão da infraestrutura crítica é elemento estratégico para garantir acesso, qualidade e equidade no SUS.

A instabilidade progressiva da operadora Oi entre 2024 e 2025 comprometeu gravemente o acesso da população ao número 192 no Médio Paraíba, resultando em falhas recorrentes nas ligações, redução significativa no volume de chamadas e risco direto à assistência em situações de urgência. Essa fragilidade estrutural evidenciou uma ruptura do acesso ao serviço, afetando principalmente populações mais vulneráveis, ampliando desigualdades e comprometendo a capacidade de resposta do sistema. O cenário revelou a necessidade urgente de reestruturação da infraestrutura de telecomunicações, com foco em resiliência, diversificação de canais e fortalecimento da governança.

A intervenção produziu recuperação rápida e consistente dos indicadores de acesso e desempenho do serviço.

O número de ligações, que havia caído de aproximadamente 135 mil em 2024 para 95 mil em 2025 (redução de cerca de 30%), apresentou crescimento expressivo após a migração tecnológica. Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, observou-se aumento de aproximadamente 72% no volume de chamadas e 30% nas ocorrências atendidas, evidenciando restabelecimento da universalidade do acesso.

O tempo-resposta em ocorrências críticas, que havia piorado durante o período de instabilidade (cerca de 19 minutos em 2025), apresentou melhora após a intervenção, com redução para aproximadamente 18 minutos em janeiro de 2026, indicando recuperação da eficiência assistencial.

Destacam-se como principais inovações:

Diversificação dos canais de acesso com o aplicativo SAMU 192 Fácil
Implantação de infraestrutura tecnológica mais resiliente
Monitoramento contínuo e em tempo real
Gestão baseada em dados e resposta rápida a crises

Como lições de implementação, evidencia-se que a infraestrutura de telecomunicações deve ser tratada como componente estratégico da assistência, e não apenas como suporte técnico. A antecipação de riscos e a capacidade de resposta rápida são determinantes para garantir continuidade do cuidado.

Para replicação da experiência em outros territórios do SUS, recomenda-se:

Tratar telecomunicações como infraestrutura crítica em saúde: garantir redundância, estabilidade e planos de contingência.
Diversificar canais de acesso: incorporar soluções digitais, como aplicativos, reduzindo dependência exclusiva da telefonia.
Fortalecer a governança regional: articular municípios e संस्थuições para respostas rápidas e coordenadas.
Adotar gestão baseada em dados: monitorar indicadores em tempo real para tomada de decisão ágil.
Planejar gestão de riscos: antecipar falhas estruturais e estruturar respostas antes do colapso.
Qualificar continuamente a regulação: integrar tecnologia e capacidade técnica para melhorar a resolutividade.
Garantir escalabilidade das soluções: priorizar tecnologias replicáveis e adaptáveis a diferentes realidades.

A principal orientação é clara: sistemas de urgência não podem depender de um único ponto de falha. A integração entre governança, tecnologia e organização do cuidado é essencial para garantir acesso, reduzir desigualdades e salvar vidas.

autor Principal

Paulo Sérgio Mendes de Lima

limapaulorj@yahoo.com.br

Coordenador Médico Samu Médio Paraíba-RJ

Coautores

Rodrigo Dias Lages, Danilo Tadeu Rodrigues de carvalho, José Luis da Silva, Rafael Labardoni

A prática foi aplicada em

Volta Redonda

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua 22, 349 - Jardim Vila Rica - Tiradentes, Volta Redonda - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Paulo Sérgio Mendes de Lima

Conta vinculada

24 mar 2026

CADASTRO

24 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

01 jan 2024

inicio

31 jan 2026

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos