Regulação descentralizada na gestão de encaminhamentos na Atenção Primária a Saúde

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LUISA DE CARVALHO FIEDLER

luisafiedler93@gmail.com

LUISA DE CARVALHO FIEDLER

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A regulação do acesso à atenção especializada constitui desafio estratégico no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente diante de elevada demanda reprimida e oferta limitada de consultas. No município de Volta Redonda (RJ), a fila para neurologia alcançava cerca de 5.600 pacientes, com tempo de espera superior a três anos em alguns casos.

Diante desse cenário, em 2024, a Secretaria Municipal de Saúde implementou uma estratégia de regulação descentralizada, conduzida por quatro médicas da Atenção Primária à Saúde (APS), cada uma responsável por um distrito sanitário. A iniciativa integrou clínica e gestão do cuidado, com aplicação de critérios técnicos padronizados para reavaliação dos encaminhamentos, reclassificação de prioridades e qualificação do acesso.

A experiência teve como objetivo reorganizar a fila de neurologia no município, promovendo maior equidade no acesso à atenção especializada. Especificamente, buscou-se reavaliar tecnicamente os encaminhamentos pendentes, reclassificar prioridades segundo critérios clínicos, identificar inconsistências e duplicidades, além de fortalecer a APS como coordenadora do cuidado.

Trata-se de um relato de experiência, no qual foi realizada análise individualizada dos encaminhamentos por meio de planilha padronizada contendo dados clínicos, unidade solicitante, prioridade e observações técnicas. O processo incluiu articulação entre APS e regulação, com redefinição dos critérios de priorização baseados em protocolos clínicos.

O município enfrentava uma fila expressiva para neurologia, com aproximadamente 5.600 pacientes aguardando atendimento, muitos há mais de três anos, evidenciando importante demanda reprimida e risco assistencial. Observavam-se fragilidades na qualidade dos encaminhamentos, ausência de critérios padronizados de priorização, duplicidades e inconsistências nas solicitações.

Além disso, a centralização do processo regulatório dificultava a análise clínica qualificada e o ordenamento adequado da fila, comprometendo a equidade no acesso e o uso racional das vagas especializadas. Esse cenário evidenciou a necessidade de reorganizar o modelo de regulação, incorporando maior protagonismo da APS como coordenadora do cuidado e indutora de fluxos mais resolutivos.

Foram avaliados 3.696 encaminhamentos da fila de neurologia. Desses, 1.473 (39,9%) foram regulados, enquanto 2.207 (59,7%) permaneceram pendentes devido a inadequações clínicas ou documentais, e 15 (0,4%) correspondiam a pacientes em óbito. Entre os regulados, 156 foram classificados como prioritários (vermelhos), 982 como intermediários (amarelos) e 334 como eletivos (verdes).

Destaca-se o redirecionamento de 708 pacientes para outras especialidades e 11 para o Serviço de Atenção Domiciliar, evidenciando maior adequação dos fluxos assistenciais. Como resultado, a fila ativa foi reduzida para 2.959 encaminhamentos até dezembro de 2024, com melhor estratificação de risco e priorização clínica mais precisa.

A prática possibilitou identificar fragilidades na qualidade dos encaminhamentos, aprimorar critérios regulatórios, promover uso mais racional das vagas especializadas e fortalecer a integração entre APS e regulação. Como inovação, destaca-se a incorporação da microrregulação clínica territorial, com impacto na equidade e na eficiência do sistema.

Para implementação de estratégia semelhante, recomenda-se envolver ativamente a Atenção Primária à Saúde no processo regulatório, garantindo protagonismo clínico na análise dos encaminhamentos. É fundamental utilizar instrumentos padronizados (como planilhas estruturadas e protocolos clínicos) que orientem a avaliação e a classificação de risco.

Além disso, destaca-se a importância da integração entre equipes da APS e setor de regulação, com espaços de discussão contínua (matriciamento e educação permanente), permitindo alinhamento de fluxos e qualificação das solicitações.

Também é essencial investir na melhoria da qualidade dos encaminhamentos na origem, com capacitação das equipes, definição de critérios claros e monitoramento contínuo dos indicadores. Por fim, recomenda-se adaptar a estratégia à realidade local, considerando capacidade instalada, perfil epidemiológico e organização da rede, garantindo sustentabilidade e replicabilidade da prática.

autor Principal

LUISA DE CARVALHO FIEDLER

luisafiedler93@gmail.com

MEDICA

Coautores

LUISA DE CARVALHO FIEDLER; ELISANGELA LIRA BONIFÁCIO; LIVIA SABURI COSTA; SARA VASCONCELOS VALLIM

A prática foi aplicada em

Volta Redonda

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Secretaria Municipal de Saúde de Volta Redonda

Secretaria Municipal de Saúde de Volta Redonda - Rua São João Batista - Niterói, Volta Redonda - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

LUISA DE CARVALHO FIEDLER

Conta vinculada

24 mar 2026

CADASTRO

24 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

30 abr 2025

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos