Projeto Todos em Cena: arte, teatro e inclusão

O município de Esperança-PB vinha identificando, por meio da Atenção Primária à Saúde (APS), das escolas e da rede de assistência social, uma crescente demanda em saúde mental de crianças e adolescentes neurodivergentes, especialmente com condições como Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Diante da ausência de serviços especializados locais e da sobrecarga das famílias, tornou-se fundamental estruturar o cuidado em saúde mental a partir do território, com práticas inclusivas, intersetoriais e terapêuticas não medicalizantes.
Nesse contexto, foi desenvolvido o projeto ‘Todos em Cena: Arte, Teatro e Inclusão’, que teve no teatro um eixo central de expressão, socialização e vínculo, aliado a outras práticas integrativas, como oficinas musicais, atividades pedagógicas adaptadas e jogos lúdicos. A iniciativa foi construída pela articulação entre a APS, a coordenação municipal de saúde mental, a rede de educação, a assistência social e coletivos culturais, promovendo um cuidado comunitário e ampliado, que fortaleceu vínculos, reduziu encaminhamentos desnecessários e valorizou a cultura como ferramenta terapêutica.

2.1 Objetivo Geral
Promover o cuidado integral e intersetorial em saúde mental de crianças e adolescentes neurodivergentes no município de Esperança-PB, por meio de oficinas semanais de teatro e práticas expressivas, fortalecendo a APS e as redes locais de apoio.
2.2 Objetivos Específicos
– Realizar oficinas teatrais e expressivas que favoreceram a comunicação, a expressão afetiva, a criatividade e a socialização.
– Integrar atividades musicais, lúdicas e pedagógicas adaptadas às necessidades individuais dos participantes.
– Proporcionar rodas de escuta e cuidado com os cuidadores, incorporando práticas integrativas e suporte psicossocial.
– Estimular o trabalho em rede entre saúde, educação, assistência e cultura para o cuidado compartilhado.
– Reduzir encaminhamentos desnecessários e ampliar estratégias terapêuticas no território, com base na cultura e no vínculo.

O projeto alcançou adesão progressiva de crianças e adolescentes neurodivergentes identificados pela APS e pela rede escolar, com engajamento ativo das famílias. A aplicação do instrumento de triagem permitiu traçar um perfil epidemiológico local, revelando prevalência de TEA e TDAH, além de contextos de vulnerabilidade social relevantes para a organização das turmas. Atualmente, os encontros semanais têm garantido participação regular em todas as quatro salas, com relatos positivos de pais e professores sobre avanços na comunicação, expressão afetiva, criatividade e socialização das crianças. Os cuidadores também passaram a relatar maior segurança no manejo cotidiano após as rodas de escuta e oficinas de estímulo domiciliar. No campo intersetorial, consolidou-se a articulação entre APS, saúde mental, educação, assistência social, cultura e esporte, ampliando o escopo das estratégias de cuidado comunitário. As primeiras apresentações
cênicas internas mostraram ganhos expressivos na autoestima e integração dos participantes.

Conclusão
O ‘Todos em Cena: Arte, Teatro e Inclusão’ demonstrou que práticas artísticas e integrativas podem fortalecer a rede de cuidado em saúde mental infantojuvenil no território, reduzindo a sobrecarga das famílias e qualificando a atuação da APS e da gestão intersetorial. O uso de teatro, música e vivências pedagógicas favoreceu a comunicação, o vínculo e a socialização de crianças e adolescentes neurodivergentes, enquanto o envolvimento dos cuidadores reforçou a continuidade das ações em casa. O projeto consolidou-se como uma experiência inovadora e replicável, capaz de reduzir encaminhamentos desnecessários para serviços especializados e de valorizar a cultura local como ferramenta terapêutica. Como perspectiva, busca-se ampliar as turmas, incluir novas práticas expressivas e fortalecer a formação dos profissionais das redes envolvidas, garantindo sustentabilidade e impacto crescente na promoção da saúde mental no município de Esperança (PB).

O projeto ‘Todos em Cena: Arte, Teatro e Inclusão’ foi inicialmente desenvolvido por meio de reuniões presenciais e por vídeo chamadas entre a coordenação da APS, a direção clínica da APS e professores de teatro convidados, que juntos delinearam a proposta, definiram objetivos e
construíram o primeiro esboço metodológico. Nesse momento inicial também foi elaborado o Instrumento de Triagem Inicial, pensado para ser aplicado pelos Agentes Comunitários de Saúde junto às famílias, a fim de identificar o perfil epidemiológico da demanda, incluindo diagnóstico ou hipótese de neurodivergência, situação escolar, vulnerabilidade social e interesses artísticos.
Posteriormente, com a formalização do Grupo de Trabalho Crianças e Adolescentes (GTCA), ampliou-se a participação para profissionais de outros setores da gestão municipal, incluindo saúde mental, educação, eMulti, cultura, esporte e assistência social. Esse grupo intersetorial foi
responsável por validar os critérios de inclusão, organizar os fluxos de referência e definir os espaços de atuação do projeto.
Atualmente, as oficinas são realizadas semanalmente, em encontros de 60 minutos, divididos em quatro salas simultâneas: Sala de Teatro, conduzida pela equipe artística com jogos teatrais e improvisações de Viola Spolin e Augusto Boal; Sala de Musicoterapia, com atividades musicais e rítmicas voltadas para integração sensorial; Sala de Escuta e Vivência Pedagógica, com acompanhamento individualizado e rodas de conversa; e Sala de Acolhimento de Cuidadores, destinada ao suporte psicossocial, rodas de escuta e formação em estratégias de estímulo
domiciliar.
Cada encontro combina acolhimento inicial, aquecimento, jogos principais, roda de reflexão e fechamento lúdico, organizados em fases progressivas de integração, desenvolvimento, construção de cenas e culminando em uma mostra cênica aberta à comunidade. Paralelamente,
capacitações periódicas para profissionais da saúde, educação e assistência social vêm fortalecendo a rede de apoio intersetorial, assegurando a sustentabilidade do projeto no território.

autor Principal

gabriellycunha07@gmail.com

Coordenadora da APS

Coautores

Gabrielly de Oliveira Cunha, Felipe Porto Alves, Mariano Medeiros de Oliveira, Waldomiro Ribeiro Nogueira.

A prática foi aplicada em

Esperança

Paraíba

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Rua Antenor Navarro, 837 - Centro, Esperança - PB, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Felipe Porto Alves

Conta vinculada

17 set 2025

CADASTRO

17 set 2025

ATUALIZAÇÃO

11 ago 2025

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Condição da prática

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