Em Vitória de Santo Antão-PE, a Secretaria Municipal de Saúde identificou a necessidade de fortalecer a gestão da Atenção Primária à Saúde (APS) diante de desafios como registros incompletos no e-SUS APS, baixa integração entre equipes e setores (APS, vigilância e TI) e pressão por melhores resultados no financiamento do programa Previne Brasil. Paralelamente, o município apresentava avanços no parque tecnológico, mas ainda aquém do ideal para a plena transformação digital em saúde.
A ausência de mecanismos estruturados de monitoramento e de uma cultura consolidada de uso de dados dificultava o planejamento estratégico, a avaliação de indicadores e a tomada de decisão baseada em evidências. Além disso, a ampliação da cobertura da APS e a qualificação dos registros eram condições fundamentais para garantir maior financiamento federal e ampliar a resolutividade do sistema de saúde. Nesse contexto, a criação de um núcleo especializado em inteligência em saúde tornou-se estratégica para integrar setores, potencializar o uso das informações e apoiar as equipes no cotidiano de trabalho.
Objetivos:
Geral:
Consolidar um modelo de gestão em saúde digital que integre planejamento, monitoramento e qualificação da APS por meio da criação do Núcleo de Inteligência em Saúde (NIS) e do desenvolvimento do painel PRISMA.
Específicos:
Melhorar os indicadores de cuidado e de financiamento da APS.
Qualificar o uso dos sistemas de informação em saúde, corrigindo inconsistências e ampliando a completude dos registros.
Apoiar diretamente as equipes de APS por meio de visitas, relatórios, treinamentos e suporte técnico.
Promover cultura de dados e ampliar a maturidade digital entre os profissionais de saúde.
Desenvolver ferramentas digitais interativas que facilitem a análise de informações estratégicas e a tomada de decisão.
Oportunidades ou Problemas de Pesquisa/Ação
Problemas identificados:
Fragmentação da gestão e pouca comunicação entre vigilância, APS e tecnologia da informação.
Subutilização dos dados gerados nos sistemas de informação em saúde, comprometendo o planejamento estratégico.
Infraestrutura digital insuficiente nas Unidades Básicas de Saúde, dificultando o registro adequado da produção.
Desafios na melhoria dos indicadores de desempenho do Previne Brasil, fundamentais para o financiamento da APS.
Oportunidades geradas:
Fortalecimento da cultura de dados para tomada de decisão baseada em evidências.
Ampliação da capacidade técnica das equipes de APS por meio de treinamentos em saúde digital.
Criação de dashboards e painéis interativos (PRISMA), que aumentaram a transparência e a agilidade no monitoramento dos indicadores.
Integração intersetorial, criando um modelo de governança digital entre gestão, vigilância e TI.
A avaliação da experiência mostrou impactos concretos e mensuráveis:
Cobertura e desempenho da APS
A cobertura da APS evoluiu de 80,6% no 1º quadrimestre de 2023 para 92,8% no 3º quadrimestre de 2024.
O Indicador Sintético Final (ISF) do Previne Brasil subiu de 5,68 para 9,19 no mesmo período.
Indicadores específicos de saúde
Pré-Natal (6 consultas): 31% → 43%
Pré-Natal (Sífilis e HIV): 52% → 67%
Saúde Bucal de Gestantes: 50% → 67%
Cobertura Citopatológico: 19% → 39%
Cobertura Vacinal (Pólio e Penta): 54% → 86%
Hipertensão (PA aferida): 14% → 38%
Diabetes (Hemoglobina Glicada): 12% → 44%
Processos de trabalho:
Foram realizadas 83 visitas às UBS em 2024, com repasses sistemáticos de relatórios e orientações.
Treinamentos periódicos em saúde digital alcançaram Enfermeiras, Médicos, ACS, ACE, dentistas, recepcionistas e residentes multiprofissionais.
Desenvolvimento de painéis adicionais para monitoramento do SINASC, SIM, SIH e SINAN.
As recomendações da experiência apontam que o modelo do Núcleo de Inteligência em Saúde pode ser replicado em outros municípios que enfrentam dificuldades semelhantes, configurando-se como uma estratégia de apoio à gestão. Para que essa replicabilidade seja bem-sucedida, é necessário considerar três pilares fundamentais: a constituição de equipe envolvendo saúde e tecnologia da informação para gerência de aspectos da saúde digital, o uso de ferramentas digitais adaptadas à realidade local e a formação continuada dos trabalhadores. Quanto à sustentabilidade, a continuidade da experiência depende da manutenção da equipe do NIS, do apoio institucional da gestão municipal e da integração com outros setores da saúde. É imprescindível assegurar investimentos contínuos em infraestrutura tecnológica, especialmente na adequação do número de computadores e impressoras por Unidade Básica de Saúde, além de expressar essa implementação no Plano Municipal de Saúde. Além disso, o fortalecimento de parcerias com universidades e instituições formadoras pode ampliar a sustentabilidade, estimulando processos de inovação e pesquisa aplicada. Por fim, o avanço no financiamento da APS e do PQAVS, associado à melhoria dos indicadores, constitui-se como importante fonte de sustentação econômica para garantir a permanência e expansão da estratégia.
Avenida Henrique de Holanda - Cajá, Vitória de Santo Antão - PE, Brasil
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