Olá,

Visitante

Vacinação no Município de Umuarama-Pr: da Transição do Registro de Dados de Imunização ao Impacto Positivo nas Coberturas Vacinais

Categoria não especificada

A vacinação caracteriza-se por uma ação simples e de grande eficácia na prevenção de doenças imunopreveníveis sendo uma das principais ações de promoção da saúde inserida no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS). O município de Umuarama-PR pertencente à 12ª Regional de Saúde, possui 24 Unidades de Saúde, 27 Equipes de Estratégia Saúde da Família sendo 21 unidades com salas de vacina. Diante disso, este trabalho teve como objetivo realizar uma análise das coberturas vacinais em menores de 01 ano dos últimos 05 anos no município de Umuarama-PR. A melhora da cobertura vacinal no período analisado foi possível com a implementação do processo de trabalho incluindo treinamentos coletivos e individuais, planejamento estratégico com avaliação dos indicadores, qualificação profissional, busca ativa para imunização a crianças menores de 01 ano, realização de visitas domiciliares pela equipe multiprofissional, aprimoramento da rede materno infantil, atendimento em ambulatório especializado de neonatologia pediátrica e como ponto forte a transição do processo de trabalho de sistema próprio para o e-SUS APS.

O Ministério da Saúde recomenda a cobertura vacinal de 95% para toda população infantil. Nos últimos cinco anos ocorreu uma grande oscilação das coberturas vacinais no Brasil, motivando gestores e profissionais de saúde a buscarem estratégias para reverter esse cenário, para que não haja a reintrodução de doenças já erradicadas. O município de Umuarama-PR, ainda no ano de 2020 apresentava bons índices vacinais, atingiu a meta de cobertura vacinal acima de 95% em 7 imunizantes em menores de um ano, porém neste mesmo período tivemos o início do enfrentamento da pandemia do Covid-19, que levou à queda dessas taxas evidenciando esse impacto em 2021, que ocorreu por um acumulado de motivos, tais como: notícias falsas, isolamento social, orientações para procurar apenas os serviços de saúde nos casos de urgência, medo da população diante do cenário epidemiológico e inúmeros relatos de mortes causado pelo vírus da Covid-19, a comoção social e incertezas do tratamento. No município algumas ações já fazem parte da rotina de trabalho, ações estas já implantadas como a captação das crianças após o nascimento por meio da visita domiciliar, agendamento da consulta de puericultura ainda na maternidade com o pediatra neonatologista de referência para estratificação de risco nos primeiros 30 dias de vida, oferta de todas as vacinas que compõem o calendário vacinal nas 21 unidades de saúde, busca ativa de vacinação por meio dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) nas visitas domiciliares, contato frequente as escolas e um rede de proteção a criança, instituições de longa permanência para idosos, abrigos para acompanhamento e vacinação extramuro, contratação de empresa para assessoria e monitoramento dos indicadores em saúde e cobertura vacinal. Em agosto de 2020 todas as salas de vacina do SUS tiveram que realizar o processo de migração dos registros de dados de aplicação de vacina e outros imunobiológicos do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização para a estratégia e-SUS APS, onde ocorreu melhoria dos registros de imunização e para o acompanhamento das equipes de saúde do histórico de vacinação. No ano subsequente o município migrou de um sistema de informação terceirizado para o sistema de prontuário eletrônico e-SUS APS, onde a partir desta etapa iniciou os treinamentos com os profissionais das equipes de saúde, utilizando diversas abordagens, como treinamento in loco nas unidades de saúde, realização de reuniões coletivas com as diversas categorias profissionais, além de atendimento individual conforme as dificuldades encontrada com a empresa de assessoria e monitoramento. A junção dos serviços em um só sistema, foi a marco para o aumento e melhora dos dados de imunização, consequentemente melhorando a qualidade dos dados. Observou-se um cenário de crescimento e ascensão em 2022 após a adesão completa ao sistema eletrônico e transmissão das informações em tempo real, o que impactou positivamente nos indicadores de cobertura vacinal, primordial para definir a qualidade de assistência prestada à saúde da criança. O período conhecido como pós pandemia no ano de 2022, ocorreu a retomada gradativa das ações que haviam sido interrompidas, devido a alta demanda de atividades para combater o vírus, os profissionais se remodelaram para que a população retomasse a prevenção e os cuidados primários, incluindo a imunização, nesta fase contamos com o engajamento das equipes em levar qualidade de informações referente ao calendário vacinal, a busca ativa das crianças, campanhas educativas nas unidades de saúde e nas mídias sociais. Como é possível observar nos dados coletados, o município de Umuarama apresentava baixas coberturas vacinais, nos anos de 2018 e 2019, com a mudança para o sistema e-SUS APS, pode-se verificar um aumento das mesmas. O sistema e-SUS APS, propicia evolução de suas versões, garantindo constantes melhorias de desempenho, funcionalidades, interoperabilidade e integração com outros sistemas utilizados pelos profissionais da APS, permitindo uma única entrada de dados, garantindo a qualificação da informação na gestão e no cuidado.

Algumas estratégias devem ser aprimoradas e implantadas para que possamos aumentar a cobertura vacinal ou até mesmo atingir o tão almejado 100% na cobertura dos imunobiológicos em menores de 1 ano no município. Uma delas é o desenvolvimento de tecnologias em saúde, ferramenta esta que poderá ser utilizada para verificação rápida da situação vacinal e como lembrete ao disponibilizar a utilização de aplicativo de fácil acesso a toda população, sinalizando por envio de mensagem como um alerta aos responsáveis dos menores com vacinas em atraso. A comunicação e educação em saúde para pais, alunos e professores sobre a importância, benefícios e acesso às vacinas precisam permear os conteúdos programáticos das escolas com uso de linguagem de fácil compreensão minimizando a hesitação vacinal em virtude de fake news e evidenciando este ato como responsabilidade social de todo a população. É preciso intensificar ações de imunização transpondo barreiras, pois ainda há dificuldade no acesso para muitos, devido à localização territorial e disponibilidade dos pais em acesso a unidades de saúde no horário de funcionamento. Desta forma, a designação de uma equipe volante para vacinar em pontos estratégicos na cidade, assim como a adesão do Programa Saúde da Hora que já consta na programação do plano anual de saúde, seriam estratégias de impacto na melhoria da cobertura vacinal. Vale ressaltar que recuperar a alta cobertura vacinal é um processo dinâmico, complexo e conjunto que envolve no processo de trabalho vários segmentos sendo eles APS, Vigilância em Saúde e população na definição das estratégias para ampliar a cobertura vacinal, em todas as fases do ciclo da vida.

Os fatores que asseguram maior impacto na cobertura vacinal são a garantia da disponibilidade de vacinas, o acesso facilitado a elas nas unidades de saúde, a utilização de sistemas de informação que proporcionem melhoria nos registros de imunização, assim como o monitoramento realizado pelos profissionais de saúde dos faltosos de cada território, educação permanente, busca por informações importantes através de atualizações combatendo notícias falsas, letras legíveis diminuindo o tempo de busca pelo histórico vacinal e para a gestão de dados fidedignos subsidiando informações e indicadores que possam gerar intervenções voltadas às reais necessidades do município, promovendo melhoria do processo de trabalho. Em âmbito nacional é preciso promover a comunicação permanente com a população ressaltando a importância da imunização, assim como o esclarecimento de dúvidas, utilizando nomes de impacto na sociedade que apoiem a adesão à vacinação.

Principal

JAQUELINE DE BORTOLI SHIRAYASHI

Coautores

Roberta Fernanda Rogoni Ferrari Giansante, Rafaela Hasegawa Misse, Ana Claudia Zanin Rosa, Rafaella Guedes de Livio Naves, Herison Cleik da Silva Lima, Simony Rodrigues Bernardelli Rosa

A prática foi aplicada em

Região

Instituição

Endereço

Uma organização do tipo

Instituição Privada

Foi cadastrada por

Conta vinculada

ideiasus@gmail.com

A prática foi cadastrada em

23 dez 2023

e atualizada em

23 dez 2023

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos

Palavras-chave

Você pode se interessar também

Práticas
Teste do Certificado
Minas Gerais
Práticas
ADESÃO DAS GESTANTES AO PRÉ-NATAL ODONTOLÓGICO: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Paraíba
Práticas
A PRÁTICA DE PRIMEIROS SOCORROS NO CONTEXTO DE UM CURSO TÉCNICO PARA AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE
Paraíba
Práticas
Vacinação nos espaços de formação: experiência no 2º Congresso Nordestino de Pediatria
Paraíba
Práticas
A (in) visibilidade de quem está em situação de rua: caminhos possíveis para cuidado em saúde
Paraíba
Práticas
Título: Autismo – uma causa municipal.
Paraíba
Práticas
Do ambulatório LGBTQIAPNB+ ao Café com Diversidade: garantindo acesso e fortalecimento de vínculos
Paraíba
Práticas
Atuação intersetorial nos casos suspeitos de TEA na primeira infância, um relato de experiência.
Paraíba
Práticas
Programa Bolsa Família: processo formativo para profissionais da atenção primária
Paraíba