A cobertura vacinal é essencial para a saúde coletiva e o controle de doenças infecciosas, mas no Brasil e no mundo a baixa adesão às vacinas tem se tornado um problema crescente. Fatores como o crescimento de movimentos antivacinação, a proliferação de fake news e a mudança nos sistemas de informação contribuem para aumentar a desconfiança em relação à imunização. A desinformação, impulsionada pelas redes sociais, dificulta a aceitação das vacinas e gera um cenário preocupante para a saúde pública. Silva e Oliveira (1996) afirmam que, em sociedades com carência de meios pedagógicos eficazes, narrativas simplificadas prevalecem. A Lei nº 7.802/1989, que regulamenta a segurança dos imunobiológicos, destaca a importância de combater a desinformação e garantir a qualidade dos imunizantes. Ribeiro (1998) ressalta que o acesso e a qualidade da informação são essenciais nas políticas de saúde pública. A disseminação de informações falsas prejudica a compreensão sobre as vacinas e intensifica a resistência à imunização
O movimento antivacinação, sustentado por argumentos pseudocientíficos, dificulta o avanço das políticas públicas e favorece o ressurgimento de doenças controladas. A matriz FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) pode ajudar a analisar os fatores que impactam a cobertura vacinal e sugerir soluções para esses desafios. O projeto foi desenvolvido no município durante o ano de 2023, com foco na população local que enfrenta desafios relaciona à adesão.
Visa analisar como a matriz FOFA pode ser aplicada para identificar os principais desafios e oportunidades no processo de imunização, propondo estratégias eficazes para melhorar a cobertura vacinal. A metodolodia utilizada foi a da matriz FOFA, também conhecida como análise SWOT, que é uma ferramenta de análise de negócios que ajuda a identificar pontos fortes e fracos de uma empresa .A baixa cobertura vacinal exige uma análise detalhada de fatores internos e externos que afetam as campanhas de imunização. A matriz FOFA tem se mostrado uma ferramenta útil para diagnosticar as forças e fraquezas das ações de vacinação, além de apontar oportunidades e ameaças.
O município conta com apoio governamental substancial, dispondo de recursos materiais e estruturais adequados, como carros de som, materiais digitais e insumos necessários para as campanhas. Contudo, a escassez de recursos financeiros da União e dos estados é uma fragilidade, dificultando a continuidade das ações de imunização. A execução das vacinas é coordenada pela equipe de coordenação municipal, com apoio da Atenção Primária à Saúde, o que potencializa os resultados. No entanto, a rotatividade de profissionais e a resistência à vacinação em áreas remotas comprometem a eficácia do processo. O sistema de informação, bem estruturado com tablets para os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), enfrenta desafios, como falta de recursos humanos e inconsistências nos registros de vacinas. O Vacinamóvel, estratégia inovadora para levar a vacinação a locais de difícil acesso, sofre com a exaustão das equipes e a dependência de alguns moradores desse serviço, em vez das unidades de saúde. Com base na análise FOFA, foram propostas estratégias para ampliar a cobertura vacinal, como a continuidade do Vacinamóvel, ampliando seu funcionamento para finais de semana, atendimentos noturnos e em escolas. Quanto às falhas no sistema de informação, será feita a transição das cadernetas de vacinação das crianças, corrigindo os registros inconsistentes. Também está prevista a qualificação contínua dos profissionais de saúde, com treinamentos práticos.
A análise da baixa cobertura vacinal, por meio da matriz FOFA, revelou um panorama complexo que exige ações multifacetadas. As forças do município, como o apoio governamental e o acesso ao Programa Nacional de Imunizações, são fundamentais para o sucesso das campanhas, enquanto as oportunidades, como o uso de novas tecnologias, devem ser exploradas para otimizar o alcance. No entanto, as fraquezas, como a escassez de recursos humanos e a desinformação, exigem soluções urgentes. A implementação de estratégias ofensivas, defensivas e de sobrevivência, como o Vacinamóvel, a correção de falhas nos registros e o apoio contínuo aos profissionais, são essenciais para enfrentar os desafios e melhorar a cobertura vacinal. Para garantir o sucesso das campanhas, é crucial que as políticas públicas se alinhem com a realidade local e que a população confie nas evidências científicas que respaldam a vacinação.
R. Cel. João Leite - Jardim Rogério, Pombal - PB, Brasil
CADASTRO
ATUALIZAÇÃO