Este trabalho apresenta a experiência do Espaço de Atendimento Multiprofissional Infantil (AMI) no município de Taperoá, Paraíba, que desde 2021 atende 200 crianças de 2 a 12 anos com transtornos do neurodesenvolvimento. A equipe é composta por profissionais de diversas áreas, como psicologia, psicopedagogia, fonoaudiologia e fisioterapia, que oferecem atendimentos individualizados e em grupo, visando suprir a demanda do município por serviços especializados. O espaço foi criado para atender crianças que, devido à situação socioeconômica da região e localização geográfica, não tinham acesso a tratamentos adequados. O objetivo principal do AMI é promover o desenvolvimento integral das crianças por meio do brincar, que é visto como uma forma de expressão e aprendizado. “É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral; e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu” (WINNICOTT, 1975, p.80). As atividades são planejadas em equipe, com foco em temas mensais, e buscam não apenas intervenções terapêuticas, mas também enriquecer a experiência da criança em aspectos sociais, culturais e educacionais. A equipe conta com a participação da família, sociedade e escola, sendo fundamentais para fortalecer vínculos e garantir que as crianças se tornem cidadãos ativos na sociedade.
O Espaço surge a partir da necessidade de suprir a demanda das crianças que são diagnosticadas ou estão sob investigação clínica e, na época, precisavam de atendimento na cidade, mas a locomoção para outros centros com atendimento seriam inviáveis pela quantidade de famílias que precisavam de atendimento, bem como o número crescente de casos que precisavam ser assistidos. Tendo em vista que o município fica há mais de 200km de distância da capital e outras cidades com atendimentos especializados, a gestão estuda as possibilidade e cria o espaço com recursos próprios. O propósito primordial do trabalho realizado no Espaço AMI é favorecer o bem-estar e melhorar a qualidade de vida das crianças com transtornos do neurodesenvolvimento. Promover o crescimento de forma integral abrangendo as áreas pessoal, familiar e social em todas as suas facetas. Criar vínculo com a criança, conhecê-la genuinamente para acessar as diferentes formas de pensar, se expressar, suas histórias de vida, gostos e brincadeiras preferidas, oferecendo um ambiente acolhedor, de aceitação e respeito. Incluir a família faz parte do processo terapêutico, visando o fortalecimento de conexões afetivas. Proporcionar à criança experiências que vão além da sala de terapia, por meio de jogos lúdicos e vivências literárias, dando a oportunidade de se constituírem sujeitos e cidadãos com parte ativa na sociedade em que fazem parte.
A partir do enfoque interdisciplinar nas oficinas terapêuticas estas crianças apresentaram direcionamento do olhar ao outro, surgimento de sons orais e pequenas palavras, diminuição de gritos, choros, interesses por objetos, brinquedos, presença de simbolismo, seguimento de instrução, além de aceitação da ausência da mãe e cuidadores. Observou-se a partir das metodologias aplicadas que as crianças aprimoraram muitas habilidades de comunicação, negociação, expressão de sentimentos, respeito ao próximo e capacidade de resolução de problemas. A música, por exemplo, estimulou não só a parte de linguagens e coordenação motora, mas as áreas sociais, no tocante a interação social e formação de vínculo entre os pares. As crianças puderam aprender, por meio da terapia e oficinas de psicoterapia, sobre cultura e literatura, quando foram trabalhados textos e histórias que trouxeram lições de moral, reflexão sobre questões que trazem sofrimento psíquico e perceber-se sujeitos apesar de um transtorno. E esse foi um grande resultado, promover o autoconhecimento, distanciando a criança do seu transtorno e fazendo-a perceber que tem habilidades e talentos mesmo diante de algum atraso no desenvolvimento, garantindo seu direito de existir. Também foi observado que quando a família fazia parte de oficinas coletivas, havia significativo desenvolvimento das habilidades de muitas crianças, vivenciando fortalecimento de vínculo e conexão familiar.
É necessário um estudo sociodemográfico do município, um levantamento da quantidade de casos que precisam ser atendidos e as condições para que o município mantenha o atendimento na cidade. Perguntar-se sobre o que é mais viável, ter custos com deslocamento para outros centros ou proporcionar tratamento sem exigir das famílias deslocamento. É importante traçar a missão do trabalho, objetivos e público alvo.
Taperoá, Paraíba, Brasil
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