Telemedicina na atenção primária: experiência de implantação no município de Ipatinga (MG)

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Tatiana Granato Gomes de Caballero

Tatiana Granato Gomes

Tatiana Granato Gomes de Caballero

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A transformação digital no Sistema Único de Saúde (SUS), impulsionada pela Estratégia de Saúde Digital para o Brasil, tem ampliado o uso das tecnologias da informação e comunicação como ferramenta de qualificação do cuidado e ampliação do acesso. Nesse contexto, a telemedicina surge como estratégia relevante para enfrentamento de barreiras assistenciais, especialmente em cenários com alta demanda reprimida.
No município de Ipatinga (MG), a telemedicina foi implantada em setembro de 2025, inicialmente nas Unidade Básica de Saúde do Bethânia e Unidade Básica de Saúde do Canaã. O processo teve início com o levantamento das unidades com maior demanda reprimida, permitindo a definição de prioridades para implantação. Em seguida, foram selecionados profissionais com perfil, interesse, disponibilidade e disposição para adesão à proposta, etapa fundamental para o sucesso da iniciativa.
Após a formação da equipe, foram realizados treinamentos individualizados, com o objetivo de identificar as dificuldades específicas de cada profissional e adaptar o processo de trabalho de forma mais efetiva. Também houve organização dos fluxos assistenciais e adequação da infraestrutura tecnológica.
O modelo adotado foi o de teleconsulta síncrona assistida, no qual o paciente permanece na unidade básica de saúde (UBS), sendo acolhido por profissional de enfermagem, enquanto o médico realiza o atendimento remoto com acesso integral ao prontuário eletrônico (Sistema Sanitas).
A iniciativa teve como objetivo ampliar o acesso às consultas médicas, reduzir o tempo de espera, qualificar o cuidado e fortalecer a atenção primária como ordenadora da rede, garantindo integração multiprofissional, continuidade do cuidado e segurança clínica.

O município apresentava elevada demanda reprimida para consultas médicas na atenção primária, resultando em longos tempos de espera e dificuldades de acesso oportuno ao cuidado. Esse cenário comprometia a resolutividade da atenção primária e sobrecarregava outros níveis de atenção. Diante disso, identificou-se a necessidade de incorporar estratégias inovadoras que ampliassem o acesso sem perder a qualidade assistencial. A telemedicina foi implementada como alternativa para otimizar o fluxo assistencial, integrar equipes e qualificar o cuidado, mantendo a atenção primária como coordenadora da rede.

No período de setembro de 2025 a abril de 2026, foram realizados 2.298 teleatendimentos, contemplando 1.987 usuários, evidenciando ampla utilização da estratégia. Observou-se ampliação significativa do acesso às consultas médicas, redução da demanda reprimida e melhora na organização do fluxo assistencial nas unidades participantes.
A prática apresentou boa aceitação por parte de usuários e profissionais, além de favorecer a integração entre equipe local e médico remoto. Como inovação, destaca-se o modelo de teleconsulta assistida, que associa tecnologia ao cuidado presencial da enfermagem, garantindo segurança clínica e humanização. Entre as principais lições, destacam-se a importância da capacitação das equipes, da organização dos processos de trabalho e da utilização de prontuário eletrônico integrado para assegurar continuidade do cuidado.

Para implementação de prática semelhante, recomenda-se iniciar com unidades-piloto que apresentem maior demanda reprimida, garantindo planejamento estruturado dos fluxos assistenciais. É fundamental investir na capacitação das equipes, especialmente na integração entre profissionais presenciais e remotos, além de assegurar infraestrutura tecnológica adequada e prontuário eletrônico funcional.
A presença da equipe de enfermagem durante a teleconsulta é essencial para segurança e qualidade do atendimento. Também é importante monitorar indicadores assistenciais continuamente, promover ajustes nos processos e envolver gestores e profissionais desde o início, fortalecendo o vínculo com a estratégia e garantindo sua sustentabilidade.

autor Principal

Tatiana Granato Gomes de Caballero

residenciamfcipatinga@gmail.com

Médica referência técnica da atenção primária em saúde (APS)

Coautores

Tatiana Granato Gomes de Caballero, Ivone de Almeida Paradela, Fabiana Figueiredo Beserra, Eveline de Cássia Silva Maciel, Lorena Maria Andrade Lopes, Ana Caroline Marques Oliveira, Eliane Batista Coimbra de Oliveira, Stella Cristina de Souza Reis

A prática foi aplicada em

Ipatinga

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Av. Carlos Chagas, 825 - Cidade Nobre, Ipatinga - MG, 35162-359, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Tatiana Granato Gomes de Caballero

Conta vinculada

05 maio 2026

CADASTRO

05 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

01 set 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos