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A transformação digital no Sistema Único de Saúde (SUS), impulsionada pela Estratégia de Saúde Digital para o Brasil, tem ampliado o uso das tecnologias da informação e comunicação como ferramenta de qualificação do cuidado e ampliação do acesso. Nesse contexto, a telemedicina surge como estratégia relevante para enfrentamento de barreiras assistenciais, especialmente em cenários com alta demanda reprimida.
No município de Ipatinga (MG), a telemedicina foi implantada em setembro de 2025, inicialmente nas Unidade Básica de Saúde do Bethânia e Unidade Básica de Saúde do Canaã. O processo teve início com o levantamento das unidades com maior demanda reprimida, permitindo a definição de prioridades para implantação. Em seguida, foram selecionados profissionais com perfil, interesse, disponibilidade e disposição para adesão à proposta, etapa fundamental para o sucesso da iniciativa.
Após a formação da equipe, foram realizados treinamentos individualizados, com o objetivo de identificar as dificuldades específicas de cada profissional e adaptar o processo de trabalho de forma mais efetiva. Também houve organização dos fluxos assistenciais e adequação da infraestrutura tecnológica.
O modelo adotado foi o de teleconsulta síncrona assistida, no qual o paciente permanece na unidade básica de saúde (UBS), sendo acolhido por profissional de enfermagem, enquanto o médico realiza o atendimento remoto com acesso integral ao prontuário eletrônico (Sistema Sanitas).
A iniciativa teve como objetivo ampliar o acesso às consultas médicas, reduzir o tempo de espera, qualificar o cuidado e fortalecer a atenção primária como ordenadora da rede, garantindo integração multiprofissional, continuidade do cuidado e segurança clínica.
O município apresentava elevada demanda reprimida para consultas médicas na atenção primária, resultando em longos tempos de espera e dificuldades de acesso oportuno ao cuidado. Esse cenário comprometia a resolutividade da atenção primária e sobrecarregava outros níveis de atenção. Diante disso, identificou-se a necessidade de incorporar estratégias inovadoras que ampliassem o acesso sem perder a qualidade assistencial. A telemedicina foi implementada como alternativa para otimizar o fluxo assistencial, integrar equipes e qualificar o cuidado, mantendo a atenção primária como coordenadora da rede.
No período de setembro de 2025 a abril de 2026, foram realizados 2.298 teleatendimentos, contemplando 1.987 usuários, evidenciando ampla utilização da estratégia. Observou-se ampliação significativa do acesso às consultas médicas, redução da demanda reprimida e melhora na organização do fluxo assistencial nas unidades participantes.
A prática apresentou boa aceitação por parte de usuários e profissionais, além de favorecer a integração entre equipe local e médico remoto. Como inovação, destaca-se o modelo de teleconsulta assistida, que associa tecnologia ao cuidado presencial da enfermagem, garantindo segurança clínica e humanização. Entre as principais lições, destacam-se a importância da capacitação das equipes, da organização dos processos de trabalho e da utilização de prontuário eletrônico integrado para assegurar continuidade do cuidado.
Para implementação de prática semelhante, recomenda-se iniciar com unidades-piloto que apresentem maior demanda reprimida, garantindo planejamento estruturado dos fluxos assistenciais. É fundamental investir na capacitação das equipes, especialmente na integração entre profissionais presenciais e remotos, além de assegurar infraestrutura tecnológica adequada e prontuário eletrônico funcional.
A presença da equipe de enfermagem durante a teleconsulta é essencial para segurança e qualidade do atendimento. Também é importante monitorar indicadores assistenciais continuamente, promover ajustes nos processos e envolver gestores e profissionais desde o início, fortalecendo o vínculo com a estratégia e garantindo sua sustentabilidade.
Av. Carlos Chagas, 825 - Cidade Nobre, Ipatinga - MG, 35162-359, Brasil
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