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Regulação do acesso no SUS: organização do cuidado e redução de filas em Vassouras

Monique Nogueira Silva da Costa

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Alessandra Maria Pereira de Almeida

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A garantia do acesso universal, integral e equânime aos serviços de saúde é um dos princípios estruturantes do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, persistem desafios relacionados à organização do acesso à atenção especializada, especialmente no que se refere à formação de filas de espera, fragmentação entre níveis assistenciais e dificuldade de integração entre a Atenção Primária e os demais pontos da rede.

A regulação do acesso tem se consolidado como instrumento estratégico para qualificar os fluxos assistenciais, equilibrar oferta e demanda e promover maior equidade. Com a atualização da Política Nacional de Regulação e a implementação do Programa Agora Tem Especialistas (PATE), reforça-se a necessidade de estruturar processos regulatórios mais eficientes, transparentes e integrados às Redes de Atenção à Saúde.

O município de Vassouras, de pequeno porte e com população estimada em 35.907 habitantes, enfrenta limitações na oferta de serviços especializados e dependência de referências regionais, o que impacta diretamente na formação de filas e no tempo de acesso.

Nesse contexto, a experiência teve como objetivo analisar e reorganizar o acesso aos serviços de saúde por meio do fortalecimento da regulação assistencial, integração com a Atenção Primária e implementação de estratégias inovadoras, como as Ofertas de Cuidado Integrado (OCI), visando à redução de filas e à ampliação do acesso oportuno e qualificado.

A relevância da experiência está na proposição de um modelo organizacional aplicável a municípios de pequeno porte, contribuindo para o aprimoramento da gestão do acesso no SUS.

O município apresentava filas de espera extensas, organizadas predominantemente por ordem cronológica, com baixa transparência, ausência de critérios clínicos de priorização e fragilidade na comunicação entre a Atenção Primária e a regulação. Esse cenário resultava em encaminhamentos inadequados, baixa resolutividade da APS, desperdício de vagas e aumento do tempo de espera para consultas e exames especializados.

Além disso, a limitada oferta local de especialistas e a dependência de serviços regionais intensificavam a dificuldade de acesso, evidenciando a necessidade de reorganizar os fluxos assistenciais, qualificar a regulação e implementar estratégias que integrassem os diferentes pontos da rede de atenção.

A experiência de implantação e fortalecimento da regulação do acesso no município de Vassouras ao longo dos anos, evidenciou avanços estruturais e assistenciais relevantes, especialmente no que se refere à redução de filas de espera, qualificação dos encaminhamentos e organização integrada da rede de atenção à saúde.

Um dos principais resultados foi a reorganização das filas de espera, que passaram de um modelo cronológico e pouco transparente para um modelo estruturado com base em critérios clínicos, classificação de risco e priorização assistencial. Esse novo modelo está alinhado às diretrizes da nova Política Nacional de Regulação, instituída pela Portaria nº 9.262/2025, que estabelece as filas de espera como elemento central da governança do acesso no SUS, reforçando a necessidade de transparência, monitoramento e definição de critérios clínicos.

A Central de Regulação Municipal passou a atuar como núcleo estratégico de gestão, promovendo a centralização, rastreabilidade e monitoramento contínuo das demandas assistenciais, permitindo maior controle sobre o tempo de espera e identificação de gargalos. Esse processo fortaleceu a capacidade de planejamento da gestão municipal e ampliou a transparência das informações, em consonância com as diretrizes nacionais.

Nesse contexto, destaca-se a atuação qualificada dos médicos reguladores, que passaram a exercer papel fundamental na análise clínica das solicitações, na priorização dos casos e na interação direta com os profissionais solicitantes da Atenção Primária. Essa atuação contribuiu para a redução de encaminhamentos inadequados, qualificação da demanda e maior resolutividade no nível primário, fortalecendo a coordenação do cuidado.

Como estratégia complementar à regulação, o município estruturou e implementou Ofertas de Cuidado Integrado (OCI), alinhadas às diretrizes do Programa Agora Tem Especialistas (PATE), que preconiza a ampliação do acesso à atenção especializada por meio da organização de linhas de cuidado e da integração entre os pontos da rede.

No município, destacam-se as OCIs de Cardiologia, exames especializados (diagnóstico complementar) e especialidades prioritárias conforme a demanda reprimida local. A OCI de Cardiologia apresentou resultados expressivos, com zeramento da fila para consultas cardiológicas, redução significativa da fila de exames cardiológicos e ampliação do acesso em tempo oportuno, evidenciando o impacto direto da estratégia na organização da oferta e na qualificação do cuidado, e principalmente no tratamento e cuidado com os pacientes.

Com a estratégia de otimização e organização do processo de Regulação do acesso, observou-se redução do absenteísmo, melhor aproveitamento das vagas disponíveis e maior integração entre os níveis de atenção, fortalecendo a Atenção Primária como coordenadora do cuidado e ampliando a resolutividade da rede.
Destaca-se ainda o fortalecimento da governança e da transparência, com a sistematização das informações sobre filas, definição de critérios de priorização e monitoramento contínuo dos indicadores assistenciais, em consonância com as diretrizes da nova Política Nacional de Regulação.

Os resultados observados indicam que o modelo adotado apresenta potencial de replicação em municípios de pequeno porte, especialmente aqueles com desafios na organização do acesso à atenção especializada.

Para a implementação de práticas semelhantes, recomenda-se o fortalecimento da regulação do acesso como função estratégica da gestão, com investimento na qualificação das equipes, especialmente dos médicos reguladores, e na integração efetiva com a Atenção Primária à Saúde, garantindo comunicação direta e uso de protocolos clínicos.

É fundamental estruturar sistemas de informação que permitam o monitoramento contínuo das filas, com transparência e definição de critérios clínicos de priorização. A adoção de estratégias como as Ofertas de Cuidado Integrado (OCI), organizadas a partir da análise da demanda reprimida, mostrou-se eficaz para redução de gargalos assistenciais.

Destaca-se ainda a importância do apoio da gestão municipal, do planejamento baseado em dados e da articulação entre os diferentes níveis de atenção, garantindo sustentabilidade das ações e possibilidade de replicação em outros contextos, especialmente em municípios de pequeno porte.

autor Principal

Monique Nogueira Silva da Costa

monique.sms.vassouras@gmail.com

Coordenadora de Regulação

Coautores

Alessandra Maria Pereira de Almeida

A prática foi aplicada em

Vassouras

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Av. Sebastião Manoel Furtado, 10 - Santa Amalia, Vassouras - RJ, 27700-000, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Alessandra Maria Pereira de Almeida

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

31 dez 2025

inicio

03 jan 2022

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos