Projeto Girassol: um relato de experiência de inclusão de terapias não medicamentosas no cuidado

O artigo em questão tem como objetivo relatar a experiência de uma atividade em grupo implementada na Unidade de Estratégia de Saúde da Família Francisca Alencar Gomes, na cidade de Teresópolis. Neste será utilizada como metodologia o relato da experiência do Projeto Girassol: Iluminando vidas (P.G.), implantado em 2024 pelo médico da unidade, Bernardo Cardoso Hannas, com apoio ideológico e na confecção das atividades da psicóloga voluntária, Joanna de Lemos Barbosa. O programa tem como objetivo englobar terapias não medicamentosas no tratamento, prevenção e promoção de saúde de seus pacientes, facilitando o acesso à esse tipo de atividade, tendo como base propostas de intervenção através de exercícios que estimulem múltiplos fatores que colaboram com a melhora e acautela de diversas patologias, assim como contribui no fortalecimento da rede de apoio e vínculo com a unidade de saúde de sua população de abrangência. O retorno por parte dos participantes vem demonstrado um bom resultado, que indicam uma melhoria da qualidade de vida e de sintomas de suas patologias. O Projeto Girassol vem apontando como iniciativa potencialmente promissora, podendo ser replicado em outras Unidades Básicas de Saúde.
Objetivo Geral
Promover a saúde integral através de atividades variadas que estimulem o bem-estar e o cuidado multidimensional dos pacientes na Atenção Básica, focando em áreas que abraçam tanto a saúde física, mental quanto social.
Objetivos específicos
Melhorar o humor, contribuindo para redução dos sintomas dos transtornos mentais como ansiedade e depressão;
Estimular a memória e cognição com as atividades que estimulam essas áreas;
Gerar socialização e a integração dos pacientes, fortalecendo uma rede de apoio e reduzindo o sentimento de solidão e abandono;
Oferecer alternativas de tratamento não medicamentoso para diversas patologias;
Fortalecer o vínculo entre os pacientes e a equipe da unidade de saúde, o que pode acarretar em aumento da confiança e adesão da população em ações de cuidado e de seu próprio tratamento.
Metodologia
A metodologia utilizada para a escrita deste artigo é o Relato de experiência, tendo como base o Projeto Girassol, iniciado em outubro do ano de 2024 na UBSF Francisca Alencar Gomes. Fazem parte da experiência os funcionários da Unidade, voluntários e a comunidade atendida pela unidade, sendo de difícil expressão exata do quantitativo, haja vista que o Projeto é aberto e há ativa e ampla participação, tendo uma média de 20 usuários participantes a cada encontro. Observou-se maioria de participação feminina, das mais diversas idades, desde a infância até a terceira idade.
O Projeto Girassol foi idealizado com a finalidade de fornecer alternativas ao tratamento tradicional e aproximar os usuários do sistema tanto da equipe de saúde como de seus semelhantes. Cabe salientar a capacidade de melhora em alguns quadros sem intervenção medicamentosa através das atividades realizadas. O Relato de experiência foi escolhido visto que é um importante produto científico na contemporaneidade. Isso porque refere-se a uma construção teórico-prática que se propõe ao refinamento de saberes sobre a experiência em si, a partir do olhar do sujeito-pesquisador em um determinado contexto cultural e histórico. Sem a pretensão de se constituir como uma obra-fechada ou conjuradora de verdades, desdobra-se na busca de saberes inovadores. (DALTRO, FARIA, 2019)
Em seguida, no relato em si, haverá a descrição de cada encontro realizado até o momento desta escrita, assim como a observação da comunidade participante e os impactos que puderam ser percebidos a partir da realização dos encontros.

A Atenção Primária é a porta de entrada para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e suas unidades básicas asseguram a maior proximidade desse nível para com os cidadãos. Inserido perante os princípios regentes deve-se garantir universalidade, acessibilidade, continuidade, integralidade e equidade em seus atendimentos (“Atenção Primária à Saúde – SAPS”, s.d.). Baseando-se nisso, para firmar um compromisso com o cuidado multidimensional, principalmente pautado no conceito de integralidade, foi pensado e executado o projeto descrito.
A integralidade é um direito do indivíduo que garante uma abordagem completa ao paciente que vá além de uma prática focada na doença, mas que visualize a saúde em si, devendo levar em conta contextos pessoais, como questões particulares, sociais e culturais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estipula que a saúde é considerada “um estado completo de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença”.
O Projeto Girassol foi idealizado com o objetivo de auxiliar nos cuidados integrais dos pacientes na Unidade de Estratégia de Saúde da Família Francisca Alencar Gomes (ESF) do bairro da Beira Linha, situada na cidade de Teresópolis no Estado do Rio de Janeiro que contempla uma população diversa, mas majoritariamente de baixa e média renda. Hoje a equipe conta com a presença de dois médicos, uma enfermeira, uma técnica de enfermagem, uma auxiliar administrativo, uma recepcionista, uma dentista, uma auxiliar de dentista e seis agentes comunitários. O P.G. contou com a idealização de um dos médicos da unidade que trabalhou em conjunto com uma psicóloga voluntária para construção das bases que regerão essa ideia. Com o foco em atividades fora do ambiente dos consultórios, destinados à melhora do humor, memória, socialização, cognição, entre outros, respeitando a singularidade do território. Os encontros foram agendados em primeiro momento para acontecerem a cada quinzena do mês no período da tarde em uma terça e sexta-feira, respectivamente, com possibilidade de aumento da frequência.
Sendo criado para facilitar o acesso à alternativas e complementos de terapias para melhora da saúde, visto que foi observado pela equipe a escassez de programas similares e a dificuldade de acesso às existentes, muito decorrente da adversidade de uma população carente de se locomover, seja por questões físicas, financeiras e/ou psicológicas. As atividades propostas estão focadas para auxiliar nos tratamentos não medicamentosos e melhora de condições de saúde crônicas e individuais dos pacientes. Parcerias com voluntários e com a colaboração dos funcionários da unidade ajudam a fornecer atividades que incluem artesanato, jogos, jardinagem, meditação, alongamentos, rodas de conversas entre outros, que têm o objetivo de oferecer alternativas para prevenção, promoção de saúde e tratamento de diversas patologias, como demências, transtornos do humor e dores crônicas (“Visualização de Arteterapia em pessoas que vivem com demência”, 2025).
Observou-se também que a ação auxilia a combater o sentimento de abandono e/ou isolamento social que acometem muitas pessoas da população de abrangência, criando um fortalecimento do vínculo entre a unidade e seu território que permite uma maior confiança em relação aos seus cuidados, como irá ser descrito, gerando a possibilidade de uma maior adesão à tratamentos, além de estimular o companheirismo entre os próprios usuários, fortificando a rede de apoio com seus vizinhos e amigos.
Destaca-se que muitas das práticas referidas já são validadas pelo Sistema Único de Saúde através da portaria de n. 849, de 27 de março de 2017 (“Ministério da Saúde”, s.d.) que se torna um adendo considerando outras portarias anteriores, destacando a de n. 971 de maio de 2006 que aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS e a de n. 145 de 13 de janeiro de 2017 (Ministério da Saúde, s.d.) que considera como procedimento algumas das atividades que serão descritas.
Podemos perceber pelo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado em 27 de outubro de 2023 o crescimento da população idosa no território nacional e também uma diminuição da população entre 0 e 14 anos (“Censo: número de idosos no Brasil cresceu 57,4% em 12 anos”, 2023). Tal fato está acarretando uma inversão da pirâmide etária e como consequência deve-se pensar em saúde também, visto que com a idade populacional avançando a chance do aumento de doenças correlacionadas a este momento também podem aumentar proporcionalmente, caso não ocorra políticas de precaução a esse acontecimento que já é atual. Um exemplo disso, é a perspectiva da Doença de Alzheimer (D.A.) que hoje já acomete 8,5% da população idosa acima dos 60 anos, aproximadamente 2,71 milhões de casos, com a estimativa de alguns estudos que demonstram que esse número poderá chegar em 4 milhões até 2050 (Relatório Nacional sobre a Demência estima que cerca de 8,5% da população idosa convive com a doença). Avaliando esta situação, a própria Assembleia Geral das Nações Unidas decretou que a década de 2021 a 2030 seria focada em medidas que favoreçam e fomentem o envelhecimento saudável com valorização a pessoas de todas as faixas etárias (Ministério da Saúde, s.d.). Medidas de prevenção e promoção em saúde, relacionadas muitas vezes como aspecto principal da Atenção Básica, tornam-se deveras importantes para tentar melhorar a perspectiva de futuro no surgimento e controle de certas patologias. Ações que o P.G. tenta implantar no cuidado dos pacientes em unidades básicas tem como objetivo o desenvolvimento de uma linha de atenção não somente destinada ao presente, mas que pensa inclusive no amanhã.
Iniciado em outubro de 2024, o Projeto Girassol é aberto a todas as idades e vem observando um ótimo retorno por parte dos pacientes, que alegam uma melhora de muitas condições que referiram em consultas, incluindo relatos da sensação de bem-estar por compartilharem momentos e experiências com outras pessoas. Com essa boa experiência torna-se desejo estimular a propagação de ações similares em outras unidades básicas com finalidade de um cuidado multidimensional do indivíduo.
Relato de Experiência
O Projeto Girassol (PG) fez com que a equipe da Unidade repensasse o papel de uma unidade básica de saúde na atenção de sua área de abrangência. Sair da rotina focada apenas no tratamento convencional, viabilizar o acesso a outros tipos de terapias e construir uma linha de cuidado destinada a pensar em um paciente de maneira multidimensional, que também tem fatores pessoais que afetam diretamente suas condições clínicas, se tornou um alvo para o sucesso de alguns processos de cura.
Este descritivo foi concebido seguindo o inciso VII do Art. 1 da Resolução n. 510 de 07/04/2016, do Conselho Nacional de Saúde, não precisando ser submetido ao Conselho de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, em virtude de não utilizar informações pessoais relativas aos participantes, sendo relatado apenas observações e conclusões realizadas por parte dos autores em relação à prática realizada e descrição das mesmas (Ministério da Saúde, s.d.).
As atividades, sejam artísticas, manuais ou mentais, podem ser utilizadas como complemento de tratamento de diversos quadros clínicos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em estudo realizado em 2019 (SILVA DO VALE et al, 2021) , a arteterapia como um todo pode influenciar positivamente no desfecho e sintomas de diversas condições através dos estímulos de vários pontos, como atenção, cognição, execuções motoras e mentais, memória e humor.
O projeto foi idealizado pelo médico da unidade, sendo bem aceito pelo restante da equipe. Após a elaboração dos objetivos a serem atingidos e breve apresentação para os profissionais envolvidos, foi-se criado um flyer para a divulgação do projeto pela comunidade, convidando a todos os interessados a participarem. Permitindo uma livre demanda de acesso ao programa. Utilizando o espaço da própria unidade tanto em ambiente externo quanto interno para recepcionar quem desejou integrar ao P.G. e realizar o que é proposto em cada reunião, tentando gerar ao máximo um ambiente acolhedor para todos, permitindo o acesso fácil e amplo à essa prática, seguindo dessa forma os valores de equidade.
No primeiro encontro, em meio ao anseio de tudo dar certo e ansiedade em relação à participação dos usuários, foi realizada primeiramente uma dinâmica de apresentação intitulada “Teia da Apresentação”, onde cada um presente segurava a ponta de um barbante, se apresentava destacando algo que gostava e uma qualidade própria e em seguida passava o rolo de barbante para que outro participante se apresentasse. Houve participação efetiva de todos os presentes, já visualizando algumas conexões em virtude de fatos em comum. Em seguida foi sugerida a realização de pintura individual de um pequeno quadro, a qual já havia um desenho de girassol rascunhado e que, com as tintas e pinceis que haviam disponíveis, cada participante teve a liberdade de usar sua imaginação e criatividade para decorá-lo como bem quisesse e foi pedido que escrevesse uma palavra que representasse o que seria aquele girassol, o que eles queriam plantar para o mundo. Houve plena participação e, após a pintura, os quadros foram todos expostos em uma parede da UBSF, onde permanecem embelezando até o presente momento.
O encontro seguinte contou com a organização de uma divertida Tarde de Jogos. Dama, xadrez, dominó e torre de equilíbrio fizeram com que o tempo passasse rápido em meio a tanta diversão e alegria. Foi um momento de unir a todos utilizando jogos comuns, que fizeram e fazem parte da infância, relembrando a todos que a criança interior ainda habita em cada um. Além de treinar o raciocínio, desenvolvimento motor, memória e aprendizado..
O Natal se aproximava e o terceiro encontro contou com um clima natalino e cheio de festividade! A equipe da unidade uniu-se para providenciar um delicioso lanche para a comunidade, além da oficina de enfeites de árvore de natal. Foram utilizados materiais como palitos de picolés, fios metalizados, fitas de cetim, pompons, lacinhos, pequenas pérolas e, junto com a criatividade de cada um presente, foram criados os mais diversos modelos de enfeite que, novamente, cada participante pôde levar para a sua residência. Houve quem quisesse confeccionar mais de um, para presentear amigos e familiares. Desta forma, foi como se o Projeto Girassol e a equipe da Unidade de Saúde da Beira Linha estivesse presente na casa de cada um dos participantes durante as celebrações de fim de ano.
No quarto encontro, com o auxílio de uma voluntária da comunidade e uma Psicóloga, foi realizada uma oficina de crochê e miçangas, onde foram feitas barrinhas em panos de pratos, pulseiras e chaveiros. Foi trabalhado não só a cognição em aprender algo novo, mas noções de espaço e motricidade fina. Tudo o que foi produzido nesta oficina foi disponibilizado para que os participantes levassem consigo, fazendo com que tivessem uma lembrança do que foi aprendido e produzido. A participação de uma voluntária da comunidade mostrou como, em poucos encontros, o vínculo da comunidade para com a equipe já estava se estreitando, mostrando também que qualquer um da comunidade tem a abertura de compartilhar seus conhecimentos e habilidades nestes encontros.
Um Bingo foi o escolhido para a dinâmica do quinto encontro. Com guloseimas como prêmios, fornecidas pelo médico idealizador do projeto, a disputa foi acirrada, alegre e repleta de emoções. Além do trabalho com a atenção, concentração, paciência e perseverança, a comunicação, colaboração e socialização foram desenvolvidas. Destaca-se que foi uma das atividades com maior participação e maior envolvimento dos presentes.
O sexto encontro repetiu o sucesso da Tarde de Jogos, onde os participantes se esbaldaram nas brincadeiras que também ajudaram a desenvolver a agilidade, raciocínio lógico, memória, atenção e muitos outros benefícios. O encontro foi organizado e regido pela equipe da unidade sem a presença do médico idealizador, que na data em questão encontrava-se de férias.
O penúltimo encontro até a escrita deste artigo contou com a presença do Secretário de Saúde e o Subsecretário da Atenção Básica, além de diversos profissionais de outras Unidades Básicas de Saúde do Município, que demonstraram entusiasmo e interesse de propagar o Projeto Girassol para o restante da cidade. Foi realizada pintura de pano de prato com as mais diversas ilustrações e artes, tendo grande participação da comunidade, sendo utilizadas tanto a área externa quanto a interna da unidade para que comportasse a todos com o conforto necessário. Até os visitantes supracitados participaram e aproveitaram a ocasião para mostrar seu talento e criatividade.
Mantendo o foco no estímulo do processo criativo e aplicando uma técnica de Mindfulness, no próximo grupo foi proposto o trabalho de colorir mandalas de animais, que carregam um simbolismo em suas representações. Os integrantes tiveram a escolha da arte entre desenhos disponibilizados da internet de: galo, baleia, urso, lobo, leão, coruja, elefante, e pintaram utilizando lápis de colorir. Com identificação com o significado dos animais e com paciência, conseguiram explorar possibilidades nas misturas de cor e trabalhar a função motora, colorindo detalhes. Vale ressaltar que durante esse encontro uma moradora da comunidade levou sua sanfona e nos brindou durante a tarde com músicas que ajudaram o tempo passar e tornar mais divertido.
Cada encontro foi pensado previamente e os próximos encontros já estão planejados, com momentos de confecção de adereços para o carnaval, atividades em grupo envolvendo jogos de logicas e diversos outros artifícios que podem não aparentar, mas apresentam alto benefício terapêutico, cognitivo, comunicativo e, como é do objetivo do Projeto Girassol promovem a saúde integral através das mais variadas práticas. Com o apoio da comunidade, dos voluntários e do município há ainda muitas ações novas que podem ser pensadas e, como objetiva este artigo, o projeto poderá ser expandido para além dos muros da Unidade Básica de Saúde da Família Francisca Alencar Gomes.

O Projeto Girassol vem cada vez mais cumprindo seus objetivos e aproximando a comunidade da unidade, entendendo que
(…) a saúde se configura como possibilidade de participação social integrando a expressão criativa do sujeito no campo relacional. A criação artística promoveria a saúde do sujeito, haja vista que o retira de práticas automatizadas, vivenciadas no cotidiano, para a valorização de práticas criativas, inovadoras que apontam para a saúde.
Práticas de criação por meio da arte, então, seriam formas de atividades conscientes de escolhas dos sujeitos que possibilitariam formas singulares de apreensão e desenvolvimento das atividades em que participam. Neste sentido, espaços de arte promovem ainda o encontro com o diferente, o estranho, o novo, com formas diversas de ser, de se expressar e estar no mundo, com o que é próprio de si e com o que é compartilhado com outros. (ARAÚJO, CÂMARA E XIMENES, 2012)

Resultando em maior interação comunidade versus equipe de saúde e, também, comunidade versus comunidade, percebe-se que mesmo com a recente implantação, os mais diversos benefícios já foram conquistados. Os médicos destacam que em alguns casos os pacientes conseguiram se sentir mais à vontade durante as reuniões e compartilharam questões particulares que contribuem para elaboração de um plano terapêutico mais completo, respeitando fatores peculiares de cada um. Percebeu-se que a cada encontro o número de participantes cresce, mostrando o prestígio e vontade de participar dos usuários.
Toda a equipe foi beneficiada, desde a área administrativa, como a equipe médica, de enfermagem e as agentes comunitárias que puderam ter momentos leves e descontraídos perto dos pacientes que, usualmente, só encontram em momentos em que envolvem mais a ligação entre o profissional e a necessidade do cliente. O projeto acarreta em relatos dos próprios funcionários de uma diminuição do estresse com as práticas realizadas.
Uma das fragilidades encontradas foi o espaço físico da unidade que em dias de sol comporta os pacientes no espaço externo, entretanto caso chova ou faça frio, como é habitual na região, há de se ficar apertado e sem mobilidade no espaço interno. Também há de se deixar registrado que todos os materiais utilizados foram doações tanto da equipe quanto arrecadadas por voluntários, que caso não possam, por algum motivo, providenciar os materiais, podem prejudicar o andamento do projeto devido a esta carência.
Como resposta por parte dos pacientes, já é constatado um anseio pelo aumento da frequência das ações, assim como relatos de que realizando as atividades conseguem abstrair de problemas que envolvam sua vida pessoal ou que tenham relação com patologias e fatos que comprometem sua saúde, expondo melhora de alguns sentimentos ou sintomas que vem lhes afligindo. Observa-se também o interesse dos próprios participantes em levar experiências e talentos para compartilhar com sua comunidade.
Ainda há muitas possibilidades a serem trabalhadas, visto a pretensão de diversificar as tarefas conduzidas não só na unidade em que foi implantado o Projeto Girassol, mas também nos possíveis novos locais. Com a escrita deste artigo pretende-se a difusão das práticas e benefícios gerados para toda a comunidade, fazendo com que mais Unidades de Saúde da região se inspirem e possam implantar em suas áreas de abrangência de acordo com a sua realidade.

Embora esteja em uma fase inicial de implantação e está ainda em uma etapa de contemplar os resultados a longo prazo, o Projeto Girassol vem demonstrando aos profissionais envolvidos que há possibilidade de realizar um cuidado integral da população apesar das dificuldades comumente enfrentadas diariamente na Atenção Básica. Nesse sentido, as atividades destinadas à prevenção, promoção e cuidado são de extrema importância para, se possível for, atingir o conceito total de saúde.
A coparticipação dos pacientes também é fundamental para percepção de seus processos de cura. Através da expressão individual, pela arte, exercícios propostos ou pela socialização com outros participantes, e de um ambiente seguro para que possa se sentir confortável em desenvolver suas próprias limitações, há possibilidade de uma maior conexão com as ações que o mesmo pode realizar a fim de melhorar sua saúde de forma ampla e ativa, não só se baseando em uma medicina pautada em medicações e de um conceito de tratamento passivo em que apenas o profissional técnico é responsável pelo sucesso ou falha de uma intervenção terapêutica.
O Projeto Girassol é promissor na prática dentro das Unidades Básicas de Saúde como uma ferramenta alternativa e complementar à execução dos cuidados multidimensionais de um indivíduo, não visualizando exclusivamente a doença, mas sim todos os processos, como questões sociais, econômicas e mentais, que influenciam diretamente em sua saúde. Fomentar e facilitar o acesso aos meios de tratamentos diversos são fundamentais para que se chegue aos objetivos desejados. Podemos destacar também a necessidade de apoio com recursos para que se consiga manter e ampliar as condutas realizadas, assim como a possibilidade da integração de uma profissional especializado (psicólogo) nas unidades para auxiliar no desenvolvimento das ideias e melhor atender a demanda.
Floresça e espalhe sua luz pelo mundo, no meio do concreto de uma cidade há de surgir um lindo jardim. Práticas como a descrita tem também como finalidade humanizar os atendimentos e melhorar a qualidade do ambiente de saúde, para os pacientes e para equipe.

Principal

BERNARDO CARDOSO HANNAS

bernardohannas@gmail.com

Médico

Coautores

Bernardo Cardoso Hannas, Joanna de Lemos Barbosa, Rebeka Pessanha Fonseca.

A prática foi aplicada em

Teresópolis

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Secretaria Municipal de Saúde - SUS - Rua Júlio Rosa - Tijuca, Teresópolis - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Bernardo Cardoso Hannas

Conta vinculada

31 mar 2025

CADASTRO

31 mar 2025

ATUALIZAÇÃO

26 out 2024

inicio

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos

TAGS

nenhuma

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