Projeto Florescer: gestação um processo que transforma

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TASSYANE TAVARES CASTRO

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TASSYANE TAVARES CASTRO

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O Projeto Florescer é uma estratégia de cuidado integral às gestantes desenvolvida no município de Piumhi/MG, com foco na educação perinatal, humanização da assistência, fortalecimento da autonomia feminina e promoção de melhores desfechos maternos e neonatais.
A prática foi criada diante da necessidade de ampliar o acesso das gestantes a informações qualificadas sobre gestação, parto, puerpério e amamentação, além de reduzir medos, inseguranças e a cultura de excessivas intervenções obstétricas, especialmente as cesarianas sem indicação clínica.
Os encontros acontecem de forma contínua, em período noturno, favorecendo o acesso das mulheres e acompanhantes. O projeto utiliza metodologias participativas e práticas integrativas em saúde, incluindo rodas de conversa, grupo de WhatsApp para suporte contínuo, encontros com os pais, orientações sobre parto respeitoso, aleitamento materno e puerpério, além de atividades como dança circular, meditação, aromaterapia, ultrassom natural e Chá de Bênçãos.
O projeto também valoriza a construção de experiências positivas de parto e nascimento por meio do fortalecimento do ambiente acolhedor, silencioso e respeitoso durante o trabalho de parto. A assistência desenvolvida prioriza o respeito ao tempo fisiológico do nascimento, a redução de estímulos excessivos e o acompanhamento da mulher desde o início do trabalho de parto, incluindo suporte inicial no ambiente domiciliar sempre que possível.
Além das rodas de conversa e atividades educativas, o Projeto Florescer promove experiências de fortalecimento emocional e construção de vínculo materno-familiar, como Chá de Bênçãos, ultrassom natural, práticas de relaxamento, meditação e vivências coletivas que valorizam a gestação como processo de transformação física, emocional e social.
A prática integra educação em saúde, acolhimento emocional, fortalecimento de vínculos e assistência baseada em evidências científicas, promovendo maior protagonismo da mulher durante o ciclo gravídico-puerperal e fortalecendo a rede de cuidado materno-infantil do município.

O Projeto Florescer surgiu diante da necessidade de fortalecer ações de educação em saúde voltadas às gestantes do município, considerando o aumento das cesarianas, o medo do parto normal, a desinformação sobre o processo fisiológico do nascimento e a carência de espaços de acolhimento emocional durante a gestação.
Observava-se que muitas mulheres chegavam ao final da gravidez inseguras, com pouca autonomia sobre as decisões relacionadas ao parto, sem acesso adequado a informações baseadas em evidências científicas e frequentemente expostas à cultura de excessivas intervenções obstétricas. Também havia baixa participação dos acompanhantes no pré-natal e ausência de estratégias coletivas que integrassem cuidado emocional, práticas integrativas e fortalecimento do vínculo com a equipe de saúde.
Diante desse cenário, o projeto foi desenvolvido como estratégia de humanização do cuidado, incentivo ao protagonismo feminino, fortalecimento da assistência pré-natal e promoção de experiências positivas de gestação, parto e nascimento. Além disso, identificou-se a necessidade de ampliar ações de promoção da saúde materna e fortalecimento da rede de apoio às gestantes no município.

A prática proporcionou fortalecimento do vínculo entre gestantes e equipe multiprofissional, ampliação do acesso à informação qualificada e maior participação ativa das mulheres no processo gestacional, parto e puerpério.
Entre os resultados observados, destaca-se elevada adesão das gestantes às atividades propostas, maior participação dos acompanhantes no pré-natal e no parto, fortalecimento do cuidado humanizado e ampliação da autonomia feminina nas decisões relacionadas ao nascimento.
A experiência também contribuiu para desfechos obstétricos e neonatais positivos em um grupo acompanhado longitudinalmente durante o ano de 2025, incluindo elevada taxa de partos vaginais, redução de intervenções desnecessárias e fortalecimento da assistência baseada em evidências científicas.
No período de janeiro a dezembro de 2025, entre 47 gestantes acompanhadas, observou-se aproximadamente 91,5% de partos vaginais e 8,5% de cesarianas, incluindo experiências positivas de VBAC (parto vaginal após cesariana). Não foram registradas episiotomias entre as mulheres acompanhadas no grupo analisado, nem desfechos neonatais graves relacionados à assistência ao parto.
Também foram observados fortalecimento do vínculo materno com o bebê, incentivo ao aleitamento materno exclusivo, maior segurança emocional das gestantes durante o trabalho de parto e maior construção de rede de apoio familiar ao longo da gestação e do puerpério.
Observou-se ainda maior confiança das mulheres no processo fisiológico do parto, fortalecimento emocional durante o trabalho de parto e melhor preparo dos acompanhantes para participação ativa no nascimento. O acompanhamento contínuo e o incentivo à permanência da mulher em ambiente acolhedor e silencioso durante o início do trabalho de parto contribuíram para experiências mais positivas e redução de intervenções desnecessárias.
As práticas integrativas e vivências coletivas, como Chá de Bênçãos, ultrassom natural e rodas de apoio entre gestantes, fortaleceram vínculos, ampliaram a rede de apoio materna e favoreceram o protagonismo feminino ao longo da gestação e do parto.
Os resultados reforçam a importância da educação perinatal, do acolhimento contínuo e das práticas integrativas como estratégias capazes de transformar a experiência da gestação e promover melhores desfechos maternos e neonatais.

A implementação de práticas semelhantes requer compromisso com a humanização da assistência, fortalecimento da atenção primária e valorização da educação perinatal como estratégia de promoção da saúde materno-infantil. Experiências como o Projeto Florescer demonstram que ações coletivas, acessíveis e baseadas em evidências científicas podem contribuir significativamente para redução de intervenções desnecessárias, fortalecimento da autonomia feminina e promoção de experiências positivas de parto e nascimento.
Recomenda-se que os municípios invistam na criação de grupos de gestantes contínuos, com participação multiprofissional, inclusão dos acompanhantes e utilização de metodologias participativas e práticas integrativas em saúde. Estratégias simples, de baixo custo e alto impacto, como rodas de conversa, grupos de apoio, educação em saúde e fortalecimento de vínculo entre equipe e usuárias, podem transformar indicadores maternos e neonatais, além de ampliar a confiança das mulheres no processo fisiológico do parto.
Também se recomenda a valorização de estratégias que fortaleçam o cuidado emocional e a fisiologia do nascimento, incluindo ambientes acolhedores, redução de estímulos excessivos durante o trabalho de parto, participação ativa da família e acompanhamento contínuo da gestante desde o início do processo de parto. Experiências que utilizam práticas integrativas, vivências coletivas e fortalecimento de vínculos demonstram potencial para transformar a experiência do nascimento e reduzir intervenções obstétricas desnecessárias.
A experiência reforça ainda a importância do protagonismo da enfermagem obstétrica na promoção do parto respeitoso, da assistência baseada em evidências científicas e da construção de redes de cuidado mais acolhedoras, humanizadas e resolutivas dentro do SUS.

autor Principal

TASSYANE TAVARES CASTRO

tassytavares@yahoo.com.br

ENFERMEIRA OBSTETRA

Coautores

TASSYANE TAVARES CASTRO, KÁTIA APARECIDA SOARES, KELY PRADO, ROSANGELA APARECIDA TERRA E GUERRA, ADAEL TAVARES, ELAINE APARECIDA FERREIRA

A prática foi aplicada em

Piumhi

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Doutor José Poppe, Piumhi - MG, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

TASSYANE TAVARES CASTRO

Conta vinculada

07 maio 2026

CADASTRO

07 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

01 jan 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos