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Programa geração consciente: o cuidado transforma

Jonatan da Rosa Pereira da Silva

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Jonatan da Rosa Pereira da Silva

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Desenvolvido em escolas da rede pública municipal e estadual do Rio Grande do Sul, o Programa Geração Consciente é um projeto da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul – Divisão de HIV, Aids, IST e Hanseníase, que promove formações online para professores e profissionais da saúde, utiliza metodologias ativas em sala de aula, realiza visitas técnicas in loco e organiza as Arenas Geração – gincanas culturais presenciais em polos estratégicos como Cachoeirinha, Carazinho, Pelotas, Santa Maria, São Gabriel, Rio Grande e Uruguaiana. Além do ambiente escolar, o Programa integra ações com a rede de atenção à saúde, promovendo cuidado integral e fortalecendo a articulação intersetorial no atendimento aos jovens.

O problema central considerado para o desenvolvimento da experiência é a vulnerabilidade dos adolescentes e jovens às ISTs, em especial ao HIV/aids, associada a fatores sociais, culturais e estruturais que dificultam a prevenção. As questões da adolescência frequentemente estão permeadas por tabus, preconceitos e estigmas, especialmente em torno da sexualidade, do uso de álcool e outras drogas, da diversidade e da violência de gênero. Esses elementos tornam-se barreiras para o diálogo aberto e para o acesso às informações qualificadas em saúde. Além disso, observa-se baixa testagem e diagnóstico tardio, o que contribui para a manutenção da cadeia de transmissão do HIV e outras ISTs. Soma-se a isso a dificuldade de acesso aos serviços de saúde e a necessidade de articulação entre escola, família e rede de proteção, evidenciando lacunas no enfrentamento intersetorial do problema. No cenário atual, em que os adolescentes vivem em um mundo interconectado, digital e repleto de estímulos, há também o desafio de captar sua atenção para práticas educativas tradicionais. Assim, a experiência buscou inovar ao adotar metodologias lúdicas, participativas e interativas que favorecem o engajamento e estimulam o protagonismo juvenil. Dessa forma, o Programa Geração Consciente: O Cuidado Transforma incorporou a gamificação como estratégia pedagógica, integrando atividades voltadas ao desenvolvimento crítico e reflexivo dos jovens em quatro eixos temáticos: saúde sexual e reprodutiva; uso de álcool e outras drogas; diversidade e enfrentamento do estigma; e prevenção da violência e do bullying. A iniciativa responde, portanto, a desafios concretos da saúde coletiva e da educação, oferecendo uma alternativa inovadora e culturalmente sensível para fortalecer o autocuidado, o cuidado coletivo e a formação de redes de apoio entre adolescentes, profissionais e comunidades escolares.

Em 2024, foi realizada uma pesquisa de impacto do Programa, com aplicação de grupos focais em diferentes municípios do estado. Os estudantes destacaram o valor da iniciativa, que trouxe temas pouco explorados no ambiente escolar e fortaleceu o sentimento de pertencimento. Os professores ressaltaram a sensibilidade das atividades frente à realidade dos adolescentes, ainda que em algumas escolas fatores externos, como a enchente, tenham dificultado a adesão.
No eixo de Aprendizagem Socioemocional, alunos e docentes apontaram a relevância do debate sobre saúde mental. Para os estudantes, as atividades ofereceram estratégias de prevenção de crises, apoio a colegas vulneráveis e incentivo ao uso da ouvidoria. Para os professores, houve quebra de tabus e maior abertura dos adolescentes para dialogar sobre o tema, embora tenha sido destacada a necessidade de aprofundar o debate, diante do aumento de casos de ansiedade e depressão no pós-pandemia. Na Prevenção das Vulnerabilidades, Bullying e Violências, os alunos compreenderam melhor as formas de violência, gerando mudanças no comportamento e redução de falas agressivas. Os professores relataram maior conscientização e citaram como exemplo a produção de um vídeo sobre bullying em uma das escolas, que mobilizou a comunidade. Em Direitos Sexuais e Reprodutivos, os adolescentes demonstraram grande interesse, especialmente em aprender sobre ISTs e prevenção. Apesar da apreensão inicial de alguns professores quanto à reação das famílias, o apoio da gestão escolar assegura a continuidade do Programa. De forma geral, destacaram-se como pontos fortes: engajamento estudantil, temas alinhados à realidade, impacto positivo no ambiente escolar, apoio da gestão e metodologia inovadora. Entre os desafios, a pesquisa identificou sobrecarga docente, baixa divulgação entre os jovens, dificuldades de adaptação do material em alguns contextos e impactos de fatores externos. Também se sugeriu ajustar o início das atividades ao calendário escolar para ampliar a efetividade das ações Em relação aos resultados quantitativos, observou-se crescimento na participação ao longo do período: em 2022, participaram 21 municípios, 293 escolas, 16 mil estudantes e 768 professores; em 2023, 35 municípios, 356 escolas, 23 mil alunos e 900 professores; em 2024, 48 municípios, 429 escolas, 26 mil alunos e 1.400 professores; e em 2025, uma expansão expressiva com 173 municípios, 866 escolas, 50 mil estudantes e 2.500 professores. Esses dados evidenciam não apenas a ampliação territorial e institucional, mas também o impacto crescente na mobilização de estudantes e educadores.

Os desafios da intersetorialidade e das abordagens educativas para superar os preconceitos e estigmas que permanecem em relação as temáticas, desafios e atividades propostas pelo desenho do programa. As atividades do Programa Geração Consciente já ocorrem de maneira integrada ao Saúde na Escola em vários dos municípios participantes, a exemplo de Bento Gonçalves, Cruz Alta, Rio Grande, Esteio, Porto Alegre, Canoas, Triunfo, Novo Hamburgo, Uruguaiana, ainda que em outros essa integração ainda se mostre um desafio. Estratégias tem sido trabalhadas junto as referências regionais da saúde e da educação, uma destas é o registro das atividades como “atividade coletiva de prevenção” e/ou “Saúde na Escola” no PEC/ e-SUS para contar como produção das equipes da Atenção Primária à Saúde nos municípios que utilizam este sistema, a fragilidade desta é que em muitos municípios são profissionais dos Serviços de Atendimento Especializado (SAE) quem participam de atividades junto ao Programa, e nestes serviços não há uso do e-SUS.

autor Principal

Jonatan da Rosa Pereira da Silva

jonatan-silva@saude.rs.gov.br

Coordenador Adjunto da Divisão de HIV, Aids, IST e Hanseníase - SES/RS

Coautores

Jonatan da Rosa Pereira da Silva; Maria Letícia Ikeda; Fernanda Torres de Carvalho; Ana Lúcia Pecis Baggio; Raíssa Barbieri Ballejo Canto; Deise da Silva Lentz; Raphaela Popoviche Eifler, Bruna Saraiva Santos; Sabrina Zotti; Camilo de Oliveira Lirio

A prática foi aplicada em

Todos os Municípios (RS)

Rio Grande do Sul

Sul

Esta prática está vinculada a

Avenida Borges de Medeiros, 1501 - Praia de Belas, Porto Alegre - RS, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

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Jonatan da Rosa Pereira da Silva

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02 abr 2026

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02 abr 2026

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