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O uso de mapas mentais como método de avaliação pós treinamento de ACES no município de Três Rios, no ano de 2025

Josiane da Silva Figueira

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Josiane da Silva Figueira

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Os Agentes de Controle de Endemias (ACEs) desempenham papel estratégico na consolidação das ações de vigilância em saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Suas atividades envolvem atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças e agravos, com ênfase em ações de campo que aproximam o poder público das comunidades.
Diante das limitações operacionais e metodológicas dos instrumentos tradicionais, especialmente o caráter pontual do LIRAa, que fornece um retrato momentâneo da infestação, a implantação das ovitrampas ocorreu em 2025 como estratégia de fortalecimento da vigilância entomológica no município de Três Rios. A iniciativa buscou complementar os métodos já utilizados, ampliando a sensibilidade do monitoramento. Diferentemente das inspeções baseadas na identificação de criadouros visíveis e acessíveis, as ovitrampas possibilitam a detecção precoce da presença e da flutuação populacional de Aedes spp., de forma contínua e sistemática, contribuindo para o aprimoramento do planejamento e da tomada de decisão nas ações de controle vetorial.
Nesse contexto, os ACEs foram qualificados para o manejo e a manutenção das ovitrampas, com o objetivo de garantir o monitoramento contínuo da população de Aedes spp. A qualificação buscou não apenas instrumentalizar tecnicamente os profissionais, mas também integrá-los de forma participativa ao processo, estimulando a construção coletiva e crítica dos dados produzidos no território. O treinamento realizado representou o primeiro passo dessa iniciativa, com perspectiva de consolidação como ação permanente, visando aprimorar progressivamente a qualidade, a interpretação e o uso das informações geradas a cada ciclo epidemiológico.

Objetivo
Relatar a experiência de treinamento de ACEs, com ênfase no uso de mapas mentais como estratégia pedagógica para fortalecer o pensamento crítico e qualificar a vigilância entomológica municipal.
Metodologia
O projeto foi aprovado pelo CEP/IOC em 18 de junho de 2025 (parecer nº 7.651.742), não havendo necessidade de submissão ao CEUA ou SISBIO. O estudo foi realizado no município de Três Rios, localizado na Região Centro-Sul Fluminense, com área aproximada de 322 km² e população estimada em 82 mil habitantes. Inserido no bioma Mata Atlântica, apresenta clima tropical com verão quente e chuvoso, condições favoráveis à proliferação de vetores. A urbanização heterogênea impacta diretamente as ações de vigilância e controle.
A Vigilância em Saúde Ambiental do município conta com 60 profissionais, sendo 40 ACEs elegíveis para a capacitação. Quatro estavam afastados e oito recusaram participação, resultando em adesão de 77,8% (28/36). As perdas foram consideradas como não resposta.
O treinamento foi cadastrado como curso de extensão no Instituto Oswaldo Cruz, via Campus Virtual seguindo normas institucionais, garantindo certificação e reconhecimento formal. A avaliação utilizou abordagem quali-quantitativa por meio de mapas mentais aplicados antes e após a qualificação, analisando profundidade, diversidade e organização dos conceitos relacionados à ovitrampa.
Foi utilizado um modelo pré-definido com o termo central “ovitrampa”, partindo de conceitos gerais (ex.: dengue, vetor) para específicos (ex.: armadilhas, ovos). A avaliação quantitativa baseou-se em pontuação considerandoo número de conceitos-chave utilizados, organização, conexões e uso de termos técnicos.
Para análise dos dados, empregou-se estatística descritiva (média e desvio-padrão) no programa Excel, das pontuações pré e pós-treinamento, permitindo avaliar variações no desempenho. Complementarmente, foram elaboradas nuvens de palavras a partir dos termos registrados, transcritos integralmente e inseridos na plataforma digital WordArt.com, possibilitando visualização da frequência e relevância dos conceitos.

A estratégia formativa adotada fundamentou-se em metodologias ativas e participativas, compreendendo que a educação permanente em saúde ultrapassa a mera transmissão de conteúdos técnicos Ferramentas como mapas mentais, rodas de conversa foram incorporadas ao processo formativo com o objetivo de favorecer a construção coletiva do conhecimento, estimular a reflexão crítica sobre a prática cotidiana e fortalecer o reconhecimento do papel social do agente no território. Essas abordagens promovem a articulação entre teoria e prática, configurando uma aprendizagem significativa e transformadora, alinhada aos princípios da integralidade, da participação social e da educação permanente que estruturam o Sistema Único de Saúde .

A escolha pelo uso do mapa mental fundamenta-se em sua adequação aos objetivos pedagógicos da atividade. Trata-se de uma ferramenta que permite a representação visual de ideias e associações livres, sem estrutura hierárquica rígida, favorecendo a expressão espontânea e a organização de percepções e experiências prévias pelos ACEs. Diferentemente do mapa conceitual, o mapa mental é mais indicado para processos de brainstorming, possibilitando o levantamento exploratório de ideias de forma acessível.
Para a análise, foi elaborado um gabarito do tipo rubrica, com critérios e níveis de desempenho, garantindo maior objetividade e transparência. O mapa teve como conceito central “ovitrampa”, sendo avaliadas associações com definição, finalidade, funcionamento e execução, além de conexões com controle de vetores, vigilância entomológica, índices de positividade de ovitrampas e densidade de ovos (IPO e IDO, respectivamente), prevenção e atribuições dos ACEs. A pontuação considerou número de conceitos, organização e conexões estabelecidas.
A comparação entre mapas pré e pós-treinamento evidenciou ampliação do vocabulário técnico e maior articulação entre conceitos. No pré-treinamento, predominavam termos gerais, como “mosquito”, “ovos” e “dengue”. No pós, observou-se a incorporação de termos como “vigilância entomológica”, “monitoramento”, “índice de infestação” e “arboviroses”, indicando maior integração entre prática e fundamentos técnicos.
As nuvens de palavras, elaboradas na plataforma WordArt.com, foram utilizadas como recurso complementar, permitindo visualizar a frequência e relevância dos termos, sem substituir a análise qualitativa.
A análise estatística demonstrou aumento da média das pontuações (3,53 para 5,18), indicando impacto positivo do treinamento, embora com aumento do desvio-padrão (2,63 para 3,77), evidenciando assimilação heterogênea. Esses achados reforçam a efetividade da estratégia, ao mesmo tempo em que apontam a necessidade de reforços pedagógicos.

A experiência de treinamento dos ACEs evidenciou que processos formativos baseados em metodologias ativas podem produzir impactos que vão além da capacitação técnica operacional. Ao incorporar estratégias como mapas mentais, rodas de conversa e problematização da prática, o processo formativo favoreceu a construção coletiva do conhecimento e estimulou a reflexão crítica sobre o trabalho desenvolvido no território. O uso dos mapas mentais mostrou-se especialmente relevante ao possibilitar a organização das ideias, a explicitação de saberes prévios e a identificação de lacunas conceituais. A atividade permitiu que os agentes reconhecessem conexões entre o monitoramento vetorial, os determinantes ambientais e as estratégias de controle, fortalecendo a compreensão ampliada do processo saúde-doença no contexto das arboviroses.
A diversidade de trajetórias formativas presentes no quadro funcional evidenciou a importância de estratégias pedagógicas inclusivas, capazes de dialogar com diferentes níveis de escolaridade e experiências profissionais. Nesse sentido, o treinamento constituiu-se como espaço de educação permanente em saúde, promovendo maior autonomia, protagonismo e segurança técnica na interpretação e utilização dos dados produzidos no cotidiano da vigilância. Conclui-se que o treinamento dos ACEs contribuiu para o fortalecimento do pensamento crítico e para a qualificação da vigilância entomológica no município.

autor Principal

Josiane da Silva Figueira

josi_figueira-10@hotmail.com

AGENTE DE ENDEMIAS

Coautores

Prefeitura Municipal de Três Rios Josiane da Silva Figueira1,2, Rafaela Vieira Bruno2 1 – Secretaria Municipal de Saúde de Três Rios, RJ, Brasil 2 – Laboratório de Biologia Molecular de Insetos, Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

A prática foi aplicada em

Três Rios

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

R. Pastor Paulo josé da Silva, 46 - Vila Isabel, Três Rios - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Josiane da Silva Figueira

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

12 set 2025

inicio

13 set 2025

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos