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A vivência no CAPSiJ evidenciou a presença de adolescentes em sofrimento psicológico decorrente de bullying e violência, resultando em evasão escolar, isolamento social e prejuízos no desenvolvimento emocional. O caso de Emanuel, há três anos sem ir a escola após ter sido agredido na escola, apresentou com dificuldade de reinserção social e escolar, mesmo diante de tentativas familiares e institucionais. Identificou-se, assim, a necessidade de estratégias terapêuticas grupais que favoreçam a reconstrução de vínculos, o treino de habilidades sociais e a retomada gradual da circulação social.
Observou-se no serviço a recorrência de adolescentes com histórico de retraimento social associado a experiências traumáticas de bullying, impactando diretamente sua funcionalidade e participação nos espaços coletivos. Emanuel, mesmo apresentando avanços na interação dentro do grupo terapêutico, ainda encontra barreiras significativas para ampliar essas habilidades para outros contextos, como a escola. Tal cenário aponta para a necessidade de fortalecer práticas grupais como dispositivos de cuidado contínuo e articulado com a rede.
A participação de Emanuel no grupo de adolescentes demonstrou avanços significativos na interação com pares, ampliação da comunicação e maior tolerância a situações sociais, ainda que em ambiente protegido. O grupo se configura como um espaço seguro de experimentação, promovendo pertencimento, validação emocional e treino de habilidades sociais. Como resultado esperado, busca-se a generalização dessas habilidades para outros contextos, especialmente a reinserção escolar. A prática evidencia inovação ao utilizar o grupo como dispositivo central de reabilitação psicossocial, valorizando o vínculo, a escuta e a construção coletiva.
Para a implementação de práticas similares, é fundamental garantir um ambiente grupal seguro, acolhedor e livre de julgamentos, favorecendo a construção gradual de vínculos. Recomenda-se o uso de estratégias estruturadas de treino de habilidades sociais, inspiradas na terapia cognitivo-comportamental, aliadas à escuta qualificada. É essencial respeitar o tempo de cada adolescente, evitando pressões para reinserção imediata em contextos mais desafiadores. A articulação com família e escola também é indispensável para promover continuidade do cuidado e favorecer a generalização das habilidades desenvolvidas no grupo.
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