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APRESENTAÇÃO
A saúde bucal das gestantes em Formoso (MG) enfrentava um desafio histórico:baixas coberturas que oscilavam entre 3% e 38% (2018-2022). O problema central era o isolamento das equipes; a enfermagem iniciava o pré-natal, mas a gestante raramente chegava ao consultório odontológico por falta de fluxo direto e barreiras culturais. A motivação para este trabalho surgiu com a necessidade de qualificar os indicadores do Programa Previne Brasil e, sobretudo, garantir um cuidado integral que prevenisse complicações obstétricas. A experiência descreve a reestruturação do cotidiano das Unidades Básicas de Saúde (UBS), utilizando a tecnologia leve para unir as categorias profissionais.Aborda-se aqui como uma mudanca na cultura organizacional transformou o indicador de saúde de uma meta fria em uma bússola para a equidade, garantindo que nenhuma gestante ficasse invisível ao sistema.
OBJETIVOS
Objetivo Geral: Institucionalizar uma estratégia de busca ativa digital e intersetorial para garantir o acesso universal das gestantes ao atendimento odontológico,enraizando a prática como política permanente de gestão.
Objetivos Específicos:
1. Estabelecer fluxo de agendamento imediato entre a consulta de enfermagem/médica e a odontologia;
2. Utilizar ferramentas digitais de baixo custo para monitoramento em tempo real das gestantes do território;
3.Transformar o indicador em ferramenta de gestão clínica, superando a visão puramente financeira;
4. Fortalecer o vínculo com a primeira infância, aproveitando o acolhimento no pré-natal para assegurar o acompanhamento precoce do recém-nascido.
METODOLOGIA
A estratégia baseou-se na reengenharia do processo de trabalho das equipes de Saúde da Família.
Abandonamos o modelo de espera passiva e adotamos os seguintes eixos:
1- Busca Ativa Digital: Criacão de planilhas compartilhadas em nuvem onde a enfermagem, ao confirmar a gravidez, insere os dados da usuária. O dentista da equipe visualiza a atualização em tempo real e realiza o agendamento proativo.
2- Agendamento Protegido: A gestante sai da consulta de pré-natal com dia e hora marcados para a odontologia,eliminando filas e burocracia.
3- Educação Continuada e Humanização: Uso de mensagens específicas e informativos via dispositivos móveis, convidando as gestantes para o atendimento, focando na importância da saúde bucal para o bebê e desmistificando medos culturais sobre o tratamento na gestação.
4- Educação Permanente e reuniões: Profissionais participando de cursos, webnários e reuniões,com finalidade de compreender o indicador e sua importância. Capacitando os profissionais para lerem os dados do SISAB não como cobranca,mas como ferramenta para identificar falhas no cuidado.O recurso utilizado foi o capital humano e ferramentas digitais gratuitas, focando na tecnologia leve de gestão e na intersetorialidade com os demais profissionais das Equipes de Saúde da Família.
O problema central era o isolamento das equipes e a falta de um fluxo direto: a enfermagem iniciava o pré-natal, mas a gestante raramente chegava ao consultório odontológico por barreiras culturais e burocráticas. A motivação surgiu da necessidade de qualificar os indicadores de saúde e garantir um cuidado integral que prevenisse complicações obstétricas, superando a visão de metas apenas financeiras para focar no cuidado real.
RESULTADOS
Os resultados demonstram a eficácia da integração. A cobertura do indicador odontológico atingiu patamares de excelência, situando-se entre 78% e 95% de cobertura, superando amplamente a meta federal de 60%. Mais do que números,houve uma mudança na cultura institucional: a equipe compreendeu que o indicador é uma ferramenta para não deixar ninguém para trás. O maior impacto qualitativo foi a criacão de vínculo e a sustentabilidade, mesmo com mudancas em programas federais, a prática permanece enraizada. Observou-se ainda, um “efeito cascata” na Primeira Infância, as mães acolhidas no pré-natal sentiram-se seguras para retornar espontaneamente com seus bebês para consultas preventivas. O município provou que a organizacão do fluxo de dados e o acolhimento humanizado são ferramentas poderosas para garantir a equidade no SUS, independentemente de incentivos financeiros temporários.
CONCLUSÃO
A experiência de Formoso-MG demonstra que a solução para gargalos na saúde pública reside no ajuste dos processos de trabalho e na apropriacão dos indicadores pelas equipes de ponta. O pré-natal odontológico deixou de ser um serviço isolado para se tornar a porta de entrada de um ciclo de cuidado que protege a primeira infância. A prática consolidou-se como uma política de gestão resiliente e permanente, provando que o fim de ciclos de financiamento não interrompe o cuidado quando a metodologia torna-se um valor ético da equipe
Recomenda-se a replicação deste modelo por sua alta aplicabilidade e custo zero, estendendo se às gestantes e outros grupos prioritários, reforçando o papel do SUS como sistema universal, equânime e tecnologicamente inteligente.
Av. Amazonas, 136 - Formoso, MG, 38690-000, Brasil
CADASTRO
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