A experiência é desenvolvida na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus de Sinop, na Unidade Multiprofissional de Saúde, sala 15 do Bloco Xingu II — espaço destinado à Unidade de Autoteste de HIV. O projeto conta com a parceria do Serviço de Atendimento Especializado em Infectologia (SAE) de Sinop/MT, responsável pelo fornecimento dos kits de testagem rápida e autotestes, além de suporte clínico e psicológico aos participantes. Essa cooperação fortalece a integração entre ensino e serviço, garantindo qualidade, segurança e efetividade na promoção do diagnóstico precoce e da prevenção do HIV entre estudantes universitários.
O projeto surgiu diante da alta vulnerabilidade dos jovens universitários à infecção pelo HIV e outras ISTs, agravada por práticas sexuais desprotegidas, uso inconsistente de preservativos, múltiplos parceiros e consumo de álcool e drogas associado ao sexo. Soma-se a isso o estigma persistente em torno do HIV/Aids, que desestimula a busca por testagem e diagnóstico precoce. Diante desse cenário, o autoteste de HIV é adotado como alternativa inovadora, por oferecer privacidade, conveniência e autonomia, aliados a ações educativas que fortalecem o autocuidado e o empoderamento juvenil.
O objetivo geral é implementar e avaliar estratégias de autoteste de HIV entre estudantes, ampliando o acesso ao diagnóstico precoce e subsidiando políticas públicas de prevenção. Entre os objetivos específicos, destacam-se: divulgar e incentivar a testagem rápida, distribuir kits de autoteste, avaliar a aceitação e a usabilidade da ferramenta, analisar fatores de sucesso e limitações e divulgar resultados à comunidade acadêmica e aos gestores de saúde.
As principais atividades incluem campanhas de sensibilização nas redes sociais e em eventos universitários, testagem rápida convencional, entrega de kits de autoteste com QR Code para avaliação, aconselhamento em saúde sexual e coleta e análise de dados. Essas ações visam promover o diagnóstico precoce, a conscientização sobre práticas seguras e a redução do estigma.
Entre junho e setembro de 2025, foram distribuídos 188 kits de autoteste, com excelente adesão e aceitação entre os estudantes. Dos participantes, 26 responderam ao questionário eletrônico, permitindo o monitoramento de indicadores como taxa de resposta, usabilidade e confiança nos resultados. Esses dados confirmam a viabilidade e eficácia da estratégia, reforçando o potencial de expansão do projeto para um público maior.
As lições aprendidas mostram que o autoteste é bem aceito, sobretudo por oferecer privacidade e autonomia, e que o sucesso depende da clareza das instruções e do suporte educativo. A criação da Unidade de Autoteste consolidou-se como um espaço seguro e acessível dentro da universidade. A divulgação ocorreu por meio do Instagram (@unidade_autotestehiv), reportagens e eventos institucionais, ampliando o engajamento e a visibilidade do projeto.
Com recursos financeiros do CNPq (R$ 176.394,00), o projeto sustenta bolsas, materiais educativos, kits de autoteste e infraestrutura física da UFMT/Sinop. A equipe é composta por pesquisador responsável, profissionais de apoio e bolsistas.
Os benefícios para o SUS incluem: ampliação do acesso ao diagnóstico e prevenção de ISTs; geração de dados científicos para subsidiar políticas públicas; integração ensino-serviço entre universidade e SAE; e redução do estigma relacionado ao HIV/Aids. Dessa forma, a experiência contribui para os princípios de universalidade, integralidade e equidade do SUS, configurando-se como um modelo inovador e replicável de promoção da saúde sexual e prevenção de HIV entre jovens.
A experiência nasceu da necessidade de enfrentar a vulnerabilidade dos jovens universitários à infecção pelo HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Diversos estudos evidenciam que esse público apresenta comportamentos de risco, como o uso inconsistente de preservativos, múltiplos parceiros sexuais, práticas desprotegidas e, em alguns casos, o consumo de álcool e drogas associado à atividade sexual. Tais fatores aumentam significativamente a exposição às ISTs, especialmente em um contexto onde ainda existem lacunas na educação em saúde sexual e barreiras no acesso aos serviços especializados de testagem e aconselhamento.
Além dos fatores comportamentais e estruturais, há um problema social e cultural fortemente enraizado: o estigma e o preconceito em torno do HIV/Aids. O medo do julgamento, a discriminação e a desinformação dificultam a busca por diagnóstico e retardam o início do tratamento, o que não apenas compromete a saúde individual, mas também mantém as cadeias de transmissão do vírus ativas na comunidade.
Dessa forma, o problema enfrentado é multidimensional, envolvendo aspectos comportamentais, sociais e institucionais que limitam o acesso e a adesão às estratégias de prevenção e diagnóstico precoce. No ambiente universitário, onde há grande concentração de jovens em fase de descobertas e construção da autonomia, a ausência de espaços de diálogo e acolhimento sobre sexualidade agrava ainda mais o risco.
Nesse cenário, surge uma oportunidade estratégica: implementar uma unidade de autoteste de HIV dentro da universidade. Essa iniciativa propicia privacidade, autonomia e conveniência, superando barreiras relacionadas ao medo e ao estigma. Além disso, ao associar o autoteste a ações educativas e de aconselhamento, o projeto promove reflexão, empoderamento e responsabilidade nas práticas sexuais, fortalecendo a cultura do autocuidado e da prevenção.
Portanto, a oportunidade está em transformar o ambiente acadêmico em um espaço de promoção da saúde sexual, onde a testagem e o diálogo sobre HIV/Aids sejam tratados com naturalidade, respeito e acolhimento — contribuindo para reduzir vulnerabilidades, incentivar o diagnóstico precoce e ampliar o alcance das políticas públicas de saúde voltadas à juventude.
Os resultados preliminares da experiência desenvolvida na Unidade de Autoteste de HIV da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – Campus de Sinop demonstram alta adesão, boa aceitação e viabilidade prática da estratégia de testagem entre os estudantes universitários.
Entre os meses de junho e setembro de 2025, foram distribuídos 188 kits de autoteste de HIV, acompanhados de orientações educativas e materiais informativos sobre prevenção e saúde sexual. Essa adesão significativa evidencia o interesse e engajamento da comunidade acadêmica em práticas de diagnóstico precoce e autocuidado, além de confirmar a pertinência da iniciativa no contexto universitário.
Do total de kits distribuídos, 26 estudantes responderam ao questionário eletrônico acessado via QR Code, permitindo a coleta de dados essenciais sobre a aceitação, a usabilidade e a confiança nos resultados. As respostas apontam que a maioria dos participantes considerou o autoteste fácil de utilizar, seguro e conveniente, destacando a privacidade e autonomia como os principais diferenciais da estratégia em relação à testagem convencional.
Outro resultado observado foi o fortalecimento da conscientização e da educação em saúde sexual. As atividades de divulgação e aconselhamento realizadas pela equipe contribuíram para reduzir o estigma associado ao HIV, promover o diálogo sobre prevenção e estimular o uso regular de preservativos e a realização de testagens periódicas.
Esses resultados iniciais também demonstram o potencial de expansão da proposta, tanto dentro da própria UFMT quanto em outras instituições de ensino superior. A experiência revelou que a combinação entre autoteste e ações educativas é eficaz para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, aproximar os jovens dos serviços de saúde e fortalecer a cultura do autocuidado.
Em síntese, os resultados preliminares confirmam que o projeto é viável, bem aceito e impactante, configurando-se como uma estratégia inovadora de prevenção e promoção da saúde sexual entre universitários — e uma importante contribuição às políticas públicas e às metas nacionais de enfrentamento ao HIV/Aids.
Com base na execução e nos resultados preliminares da experiência desenvolvida na Unidade de Autoteste de HIV da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – Campus de Sinop, foram elaboradas recomendações que visam aperfeiçoar, ampliar e consolidar a estratégia como modelo de promoção da saúde sexual e prevenção do HIV no ambiente universitário e em outros contextos semelhantes.
1. Ampliação da oferta e acessibilidade dos autotestes
Recomenda-se a expansão da distribuição dos kits de autoteste de HIV para atingir um número maior de estudantes, garantindo reposição contínua e pontos de retirada estratégicos dentro do campus. A presença de dispensadores automáticos, pontos de apoio e horários ampliados pode facilitar o acesso, especialmente para aqueles que buscam maior privacidade.
2. Fortalecimento das ações educativas e comunicacionais
A testagem deve estar sempre associada a atividades de educação em saúde sexual, promovendo campanhas contínuas e linguagem acessível nas redes sociais, palestras e rodas de conversa. A comunicação deve priorizar a desconstrução de estigmas, a valorização do autocuidado e a normalização da testagem como prática rotineira e preventiva.
3. Integração com os serviços de saúde e acompanhamento pós-teste
É essencial manter e fortalecer a parceria com o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Sinop e outros serviços do SUS, assegurando acolhimento clínico, psicológico e diagnóstico confirmatório quando necessário. A criação de um fluxo ágil e sigiloso de encaminhamento pós-teste é fundamental para garantir a continuidade do cuidado.
4. Sistematização e ampliação da coleta de dados
Recomenda-se o aprimoramento dos instrumentos de monitoramento e avaliação, ampliando a taxa de resposta aos questionários eletrônicos e incluindo variáveis qualitativas que permitam compreender melhor as percepções e barreiras enfrentadas pelos estudantes. Essa sistematização reforça a produção científica e o potencial de replicação da experiência.
5. Capacitação contínua da equipe envolvida
A formação permanente dos profissionais e bolsistas deve ser estimulada, com ênfase em acolhimento humanizado, comunicação inclusiva e abordagem sem julgamento. Isso assegura a qualidade das ações educativas e o fortalecimento do vínculo com os participantes.
6. Articulação institucional e replicação da experiência
Recomenda-se a difusão da iniciativa para outros campi da UFMT e universidades públicas e privadas, adaptando-a às realidades locais. A articulação com gestores, secretarias de saúde e programas nacionais pode potencializar o impacto e garantir sustentabilidade financeira e operacional.
7. Inserção do tema nas políticas institucionais de saúde estudantil
A incorporação da temática do autoteste e da prevenção do HIV nas políticas e programas de saúde e bem-estar universitário fortalece o compromisso institucional com a saúde integral dos estudantes e assegura a continuidade das ações para além dos ciclos de financiamento.
Em síntese, as recomendações apontam para a sustentabilidade, ampliação e institucionalização da experiência, consolidando-a como uma prática inovadora de promoção da saúde e prevenção do HIV/Aids no contexto universitário, em alinhamento com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e com as metas globais de enfrentamento à epidemia.
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