Olá,

Visitante

Estratégias no Alcance Das Coberturas Vacinais em Menores de Dois Anos em um Município de Pequeno Porte no Interior de Goiás

Categoria não especificada

Descrever as estratégias utilizadas no alcance das coberturas vacinais de rotina em crianças menores de dois anos, no ano de 2022, município de Guarinos-Goías, Regional São Patrício I. Metodologia: estudo descritivo, do tipo relato de experiência, das estratégias utilizadas pela Coordenação de Atenção Primária, para alcançar as coberturas vacinais de rotina em menores de dois anos, no município. Resultados: Por meio das estratégias utilizadas, o município de Guarinos alcançou as coberturas vacinais de rotina em crianças menores de dois anos, BCG (200%); Pentavalente (166,67%); Vacina Inativada Poliomielite – VIP (166,67%); Meningocócica C (191,67%), Pneumocócica 10 valente (216,67%); Vacina Rotavírus Humano – (216,67%); Febre amarela (141,67%); 1ºReforço Tríplice Bacteriana – DTP (150%); Varicela (150%); Hepatite A (150%); D1 Tríplice Viral – SCR ( 166,67%); D2 Tríplice Viral (150%); Os resultados apresentados evidenciam que é possível fortalecer as ações de imunização nos territórios municipais e que, embora haja desafios, estes são passíveis de serem superados. Considerações finais: A construção desse resultado é fruto de diversas estratégias e múltiplos esforços, a percepção dos envolvidos sobre a importância da proteção vacinal das crianças, foi fundamental para o sucesso das ações. Engajamento, compromisso e dedicação dos envolvidos, certamente foi diferencial no sucesso dos resultados alcançados e na promoção da saúde das crianças.

Na primeira oficina temática do Imunizasus foi apresentado um panorama da pesquisa nacional do Projeto, sobre o fenômeno que desafia o alcance das coberturas vacinais, abordando o processo de convencimento e também o combate ás desinformações, na ocasião a pesquisadora do Núcleo de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Minas Gerais Dra. Deise Maria Xavier, relata que a pesquisa trás um fato importante que deve ser implementado, que é a participação dos médicos no processo de imunização. Outro desafio encontrado pelos gestores e pelos profissionais de saúde é a negligência por parte da população, que movidos pelo senso comum e pelas fakenews, diminuíram a percepção de risco em relação às doenças atualmente controladas pela vacinação. Por meio da vacinação, no Brasil, houve muitas conquistas, dentre elas, a erradicação da febre amarela urbana, da varíola e da poliomielite. O Controle do tétano neonatal e acidental, formas graves de tuberculose, difteria e coqueluche7. No entanto com a fragilidade e o decréscimo nas coberturas vacinais no país o risco de reintrodução de doenças eliminadas e controladas é eminente. Ao analisar as coberturas vacinais em crianças menores de dois anos de idade no Brasil no ano de dois mil e vinte e dois, constata-se que nenhuma vacina alcançou a cobertura vacinal preconizada pelo Ministério da Saúde, BCG e rotavírus 90%, as demais vacinas 95%, apresentando as seguintes coberturas: (BCG 89,42%; VIP 77,06%; pentavalente 77,1%; VRH 76,47%, Pn-10 81,47%; MMC 78,47%; FA 60,6%; DTP 67,39%; Varicela 73,23%; Hepatite A 72,89%; TV D2 57,54%; TV D1 80,63; Tetraviral 9,6%), seguindo a análise no Estado de Goiás (BCG 76,82%; VIP 76,64%; pentavalente 76,09%; VRH 79,07%, Pn-10 83,78%; MMC 80,15%; FA 63,71%; DTP 64,98%; Varicela 65,19%; Hepatite A 74,48%; TV D2 52,7%; TV D1 82,50; Tetraviral 18,21%), nenhuma vacina alcançou cobertura vacinal. Na contramão desses resultados o município de Guarinos, apresentou cobertura vacinal adequada para todas as vacinas em menores de dois anos ( BCG 200%; VIP 166,7%; pentavalente 166,7%; VRH 216,7%, Pn-10 216,7%; MMC 191,7%; FA 141,7%; DTP 150%; Varicela 150%; Hepatite A 150%; TV D2 150%; TV D1 166,7; Tetraviral 16,67% Quando se remete a doenças imunopreviníveis, vários são os desafios enfrentados por governantes, gestores e profissionais de saúde no enfrentamento da crise sanitária que, se instalou no país desde 2016 com o declínio acentuado das taxas de vacinação, e que, se mantém e se agrava ano após ano. Muitos fatores estão relacionados a essa queda, seja o enfraquecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) ou aspectos técnicos como a implantação do novo sistema de informação de imunização, sejam aspectos sociais e culturais que afetam a aceitação da vacinação8. O declínio global das coberturas vacinais levou a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, a definir a hesitação vacinal como uma das dez maiores ameaças mundial à saúde pública. No Brasil, a queda da cobertura vacinal teve início em 2012, acentuando-se a partir de 2016, e sendo agravada pela pandemia de COVID-199. Recentemente a pesquisa Imunizasus levantou pontos já identificados pela OMS, os principais pontos levantados pela pesquisa foram: declínio na cobertura vacinal no Brasil desde 2016, acarretando o reaparecimento de algumas doenças imunopreveníveis; comprometimento da homogeneidade das coberturas vacinais (obtenção da meta de cobertura vacinal em 75% dos municípios); fenômeno da hesitação vacinal (atraso em aceitar ou recusa às vacinas recomendadas), que ocorre mundialmente, e que vem se tornando mais presente no Brasil e o impacto da pandemia da COVID-19 no enfraquecimento dos programas de imunização10. A hesitação vacinal está entre os fatores que influenciam para a subvacinação mundial como também a infodemia de fakenews sobre os imunizantes, este mesmo estudo configura a dificuldade no acesso como uma barreira e faz com que milhões de crianças percam as vacinas anualmente, o decréscimo nas coberturas vacinais também está associada a sobrecarga dos serviços de saúde pela pandemia de COVID-19 e as interrupções associadas11. A hesitação vacinal também esta interligada aos grupos antivacinas, que ganharam tamanha proporção de convencimento da população, fazendo assim com que doenças imunopreviníveis tenham aumentado ao longo dos anos. A falta de incentivo financeiro pelo governo Federal aos Estados e Municípios gera desafios no movimento de ascensão das coberturas vacinais. A Iniciativa de contrapartida financeira pela União aos Estados e Municípios pode gerar motivação e aumentar o comprometimento desses entes federados com as ações de imunização.

Fortalecer as ações de imunização nos territórios municipais requerer múltiplos esforços e estratégias diversificadas de enfrentamento. Nesse processo é fundamental iniciativas de formação e desenvolvimento em imunizações12. Nessa direção, é imprescindível a sensibilização dos gestores municipais, afinal eles devem apoiar seus profissionais no desenvolvimento das ações de imunização, o Estado e suas respectivas Regionais de Saúde podem ser os precursores da iniciativa, apoiada pelo Ministério da Saúde, a sugestão é realizar uma oficina anual com gestores, com pautas como: apresentação dos resultados das coberturas vacinais de seus respectivos municípios, compartilhar experiências, traçar estratégias de apoio aos profissionais, investimento no setor de imunização, entre outros. Dado o exposto, sugere-se investir em tecnologias leves e na reestruturação da equipe de sala de vacina com implantação de equipes exclusivas para este fim inclusive, criar o cargo de Coordenador Municipal de Imunização, independente do porte do município. Enfatizando que na grande maioria do país essa ”coordenação” está subentendida, pelo enfermeiro da APS que tem inúmeras tarefas, Coordenador de Atenção Primária, Coordenador do Núcleo de Vigilância Epidemiológica ou ainda por profissionais com funções que se somam, os resultados nas coberturas vacinais no país falam por si e gritam por socorro. Ademais, ampliar o número de profissionais exclusivos da sala de vacinação é uma medida que pode mudar a realidade local, com consequente: ampliação da oferta, não paralisar a vacinação no horário de almoço, cobertura de férias, atestados, desenvolver o trabalho em duas frentes como UBS e extramuros, entre outros. Ampliar o número de doses de vacina de rotina ofertadas aos municípios, visto que o quantitativo enviado na maioria das vezes é insuficiente par atender a demanda. Outra medida que deve ser desconstruída ou não recomendada é o agendamento de dia específico para vacinação, com o intuito de evitar oportunidade perdida de vacinação. Ser regularizada o envio das cadernetas de vacinação infantil pelo Ministério da Saúde aos Estados e Municípios. Estabelecer um plano de educação permanente para trabalhadores da sala de vacinação, e não só eles, mas incluir os Agentes de Saúde no processo de educação permanente. Ter veículos disponíveis para ações de imunização extramuros, sempre que necessário. Implantar um canal de comunicação seja via rádio, internet, carro de som, televisão, ampliando o acesso dos usuários as informações de vacinação.

A construção dessa experiência é um reflexo do fortalecimento do SUS, poder compartilhar um trabalho realizado por um pequeno município do interior de Goiás, com resultados exitosos em ações de imunização da um orgulho imenso da equipe e de quem nos tornamos ao longo dessa jornada. Esta oportunidade mostra ao país que os pequenos têm sua grandeza, fica a lição que a soma de esforços, neste caso (gestores, profissionais e usuários) resultou em altas coberturas vacinais e promoção do cuidado. A base para o sucesso dessas ações está na tríade: gestor, que apoia e acolhe as demandas dos profissionais; profissionais engajados, esforçados e comprometidos com o processo; e o usuário que é a razão do nosso trabalho e atende as nossas solicitações. Acordamos todos os dias e passamos a maior parte do tempo no trabalho, então se precisamos fazer algo que façamos o melhor, que ofertemos ao outro o cuidado como gostaríamos de receber. Temos o Programa Nacional de Imunização (PNI), as margens dos seus cinquenta anos de criação, ofertando mais de 20 vacinas gratuitas, soros, imunoglobulinas, viabilizamos o acesso aos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, somos o SUS que queremos. Gestores precisam se sentir provocados a ser agentes de mudanças em seus territórios, pois quando ofertamos vacina, junto com ela vai vida, amor, cuidado, proteção, longevidade, afinal as vacinas são conquistas do povo brasileiro e ele precisa usufruir desse bem. Por fim, de que forma as atitudes de profissionais e gestores encorajam e geram mudanças na vida do cidadão e, pensando nas ações de imunização vou parafrasear Mario Sergio Cortella, você tem feito o melhor ou o possível dentro da empresa, não é o melhor do mundo, é o seu melhor, nas condições que você tem enquanto você não tem condições para fazer melhor ainda, pensem nisso, o seu melhor ou o possível, essa pode ser a virada de chave no resgate das altas coberturas vacinais.

Principal

Renata Bastos Mesavila

Coautores

THAINARA CARDOSO SOUSA

A prática foi aplicada em

Região

Instituição

Endereço

Uma organização do tipo

Instituição Privada

Foi cadastrada por

Conta vinculada

ideiasus@gmail.com

A prática foi cadastrada em

23 dez 2023

e atualizada em

22 mar 2024

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos

Palavras-chave

Você pode se interessar também

Práticas
Teste do Certificado
Minas Gerais
Práticas
ADESÃO DAS GESTANTES AO PRÉ-NATAL ODONTOLÓGICO: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Paraíba
Práticas
A PRÁTICA DE PRIMEIROS SOCORROS NO CONTEXTO DE UM CURSO TÉCNICO PARA AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE
Paraíba
Práticas
Vacinação nos espaços de formação: experiência no 2º Congresso Nordestino de Pediatria
Paraíba
Práticas
A (in) visibilidade de quem está em situação de rua: caminhos possíveis para cuidado em saúde
Paraíba
Práticas
Título: Autismo – uma causa municipal.
Paraíba
Práticas
Do ambulatório LGBTQIAPNB+ ao Café com Diversidade: garantindo acesso e fortalecimento de vínculos
Paraíba
Práticas
Atuação intersetorial nos casos suspeitos de TEA na primeira infância, um relato de experiência.
Paraíba
Práticas
Programa Bolsa Família: processo formativo para profissionais da atenção primária
Paraíba