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A experiência foi desenvolvida no Espaço Saúde da Gestos, organização não governamental fundada em 1993, no município de Recife, com atuação voltada ao enfrentamento do HIV/AIDS e à promoção dos direitos humanos, contribuindo para a redução das desigualdades e para a construção de sociedades mais justas, inclusivas e equitativas. Criado em 2015, este espaço constitui a principal porta de entrada para adolescentes e jovens de 12 a 29 anos, oriundos de diversos bairros do Recife e Região Metropolitana, especialmente de territórios marcados por desigualdades sociais e dificuldades de acesso aos serviços públicos. O serviço atende juventudes diversas, incluindo população LGBTQIAPN+, jovens negros(as) e pessoas em situação de vulnerabilidade social, ofertando acolhimento, atendimento psicológico, consultas de enfermagem, testagem rápida para ISTs, educação em saúde e articulação com a rede intersetorial
do território. Desde então, o Espaço Saúde segue ampliando significativamente o acesso à prevenção, testagem e cuidado em saúde sexual. Objetivou-se, relatar a experiência do Espaço Saúde e GT Ativismo Jovem da Gestos, como estratégias de cuidado e protagonismo juvenil na promoção da prevenção combinada do HIV com adolescentes e jovens. Tendo como objetivos específicos:
•Ampliar o acesso à escuta qualificada, testagem rápida para IST’s e encaminhamentos na rede de saúde para adolescentes e jovens;
•Promover espaços acolhedores, livres de estigma, preconceito e discriminação;
•Fortalecer o acesso de adolescentes e jovens às informações sobre estratégias de prevenção combinada do HIV e outras ISTs;
•Desenvolver ações de educação em saúde e educação entre pares voltadas às juventudes;
•Distribuir insumos de prevenção como preservativos e gel lubrificantes;
•Realizar ações descentralizadas nos territórios sobre prevenção combinada do HIV;
•Incentivar o protagonismo juvenil por meio da formação de jovens multiplicadores(as) em prevenção combinada do HIV e direitos sexuais e reprodutivos.
O Espaço Saúde surge em um contexto desafiador no que diz respeito ao acesso de adolescentes e jovens às informações/ serviços de saúde relacionados aos direitos sexuais e reprodutivos e às estratégias de prevenção combinada do HIV. Entre os principais desafios identificados estavam a ausência de espaços acolhedores, livres de estigma e preconceito, voltados especificamente para adolescentes e jovens; o desconhecimento sobre prevenção combinada do HIV, direitos sexuais e reprodutivos; e as dificuldades de acesso aos serviços públicos de saúde, especialmente entre jovens em situação de vulnerabilidade social.
Também foram observadas barreiras relacionadas ao estigma associado ao HIV, à sexualidade e às identidades de gênero, impactando diretamente o acesso, o vínculo e a permanência desse público nos serviços de saúde. A LGBTfobia e quebra de sigilo nos atendimentos, além da ausência de espaços de escuta qualificada e cuidado integral voltados às juventudes, são fatores que distanciam a juventude da rede assistencial e que reforçam a necessidade do Espaço Saúde da Gestos.
Outro desafio importante foi fortalecer o protagonismo juvenil nas ações de prevenção e promoção da saúde, reconhecendo adolescentes e jovens como sujeitos ativos na produção e multiplicação de informações sobre prevenção combinada do HIV e outros temas relacionados. Nesse contexto, a experiência passou a integrar cuidado, educação em saúde e participação social por meio do Espaço Saúde e da formação do Grupo de Ativismo Jovem da Gestos, ampliando o alcance das ações preventivas nos territórios, espaços de controle social e ambientes frequentados pelas juventudes.
A formação do grupo fortaleceu estratégias de educação entre pares, considerando que adolescentes e jovens tendem a estabelecer maior identificação, confiança e troca de experiências com pessoas da mesma faixa etária. Dessa forma, os(as) jovens passaram a atuar como multiplicadores de informações, contribuindo para o fortalecimento do acesso à prevenção combinada, com informação qualificada.
Durante o período supracitado, o Espaço Saúde da Gestos realizou diversos atendimentos voltados às juventudes, incluindo aconselhamento sobre sexualidade, planejamento familiar e reprodutivo, testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites B e C, consultas de enfermagem e encaminhamentos para serviços da rede de atenção à saúde. As ações buscaram ampliar o acesso à prevenção combinada e promover cuidado integral, acolhedor e livre de estigma.
No que se refere ao GT Jovem, durante o ano de 2025, o grupo foi composto por 10 jovens entre 18 e 29 anos, majoritariamente pessoas pretas (60%), com predominância de participantes cursando ensino superior (40%) e com diversidade de orientações sexuais, sendo 90% distribuídos entre pessoas pansexuais, bissexuais, gays e lésbicas. Ao longo do período, o grupo participou de 33 encontros formativos internos sobre direitos sexuais e reprodutivos, prevenção combinada e redução de danos, utilizando a educação entre pares como estratégia para ampliar o acesso à informação entre adolescentes e jovens.
Além das atividades formativas, foram realizadas ações territoriais sobre prevenção combinada e enfrentamento ao estigma relacionado ao HIV/aids, redução de danos para a população LGBTQIAPN+ e direitos sexuais e reprodutivos. Entre as iniciativas desenvolvidas destacam-se o “Previne e Goza”, troça carnavalesca realizada no Recife com distribuição de preservativos, gel lubrificante e materiais educativos, e o “Bora Combinar na Praça”, ação descentralizada em espaços públicos com rodas de conversa, dinâmicas educativas, testagem rápida para ISTs e distribuição de insumos de prevenção. As ações foram conduzidas pelos jovens ativistas, após processo de formação e sob supervisão da equipe técnica da Gestos. O grupo também participou de espaços de controle social, como o Conselho Estadual de Saúde de Pernambuco.
Durante o ano de 2025, o Espaço Saúde da Gestos realizou 431 atendimentos de enfermagem voltados, majoritariamente, a adolescentes e jovens em contexto de vulnerabilidade social, ampliando o acesso à prevenção combinada do HIV e outras ISTs. Nesse período, foram realizadas 151 consultas de enfermagem, 269 testagens para ISTs, 538 aconselhamentos pré e pós-teste e 982 testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais. Como resultado, foram identificados 13 casos reagentes para HIV, possibilitando diagnóstico oportuno, encaminhamento imediato para serviços especializados e oferta de suporte psicológico, fortalecendo o cuidado integral e a vinculação à rede de atenção do SUS.
No âmbito das estratégias de prevenção combinada, foram realizados 77 encaminhamentos para PrEP e 14 para PEP, além de 260 encaminhamentos para serviços da rede SUS, contribuindo para a ampliação do acesso, adesão e continuidade do cuidado em saúde. Também foram distribuídos 15.796 preservativos externos, 700 preservativos internos e 4.800 sachês de gel lubrificante ao longo das ações e atendimentos realizados na instituição e nos territórios.
As ações do GT Ativismo Jovem totalizaram 26 atividades, sendo 21 educativas/informativas e 5 de incidência política, alcançando aproximadamente 17.390 pessoas. Entre as iniciativas desenvolvidas destacam-se “Previne e Goza” (4 edições), “Bora Combinar na Praça” (5 edições), participação no Conselho Estadual de Saúde (5 ações) e outras 12 atividades voltadas à prevenção combinada, redução de danos e enfrentamento ao estigma relacionado ao HIV/aids. Observou-se, no território, aumento do interesse da população em dialogar sobre prevenção e maior aproximação dos jovens com os serviços ofertados, contribuindo para a redução de barreiras de acesso à informação, testagem e cuidado em saúde.
A experiência do Espaço Saúde da Gestos dialoga diretamente com as estratégias de prevenção combinada, por meio da oferta articulada de diferentes ações de cuidado e prevenção voltadas às necessidades de adolescentes e jovens. As atividades desenvolvidas incluem testagem rápida para HIV e outras ISTs; orientações sobre vacinação, PEP e PrEP, quando indicadas; e encaminhamento para acesso aos serviços que compõem a rede de atenção à saúde do SUS.
Também são distribuídos insumos de prevenção, como preservativos internos, externos e gel lubrificante, além da oferta de acolhimento integral, assistência psicossocial, educação em saúde e ações de enfrentamento ao estigma e à discriminação relacionados ao HIV, às ISTs, à sexualidade e às diversidades de gênero e orientação sexual.
A experiência também fortalece estratégias de redução de danos e formação de adolescentes e jovens por meio da educação entre pares, incentivando o protagonismo juvenil na multiplicação de informações sobre prevenção combinada e acesso aos serviços de saúde.
Foram monitorados indicadores quantitativos e qualitativos relacionados ao acesso, prevenção e cuidado em saúde de adolescentes e jovens atendidos pelo Espaço Saúde da Gestos. Entre os principais dados coletados destacam-se: número de atendimentos de enfermagem realizados; quantidade de consultas, aconselhamentos pré e pós-testagem e testagens rápidas para HIV, sífilis e hepatites; número de casos reagentes identificados; encaminhamentos para PrEP, PEP e demais serviços da rede SUS; distribuição de insumos de prevenção (preservativos e gel lubrificante); além do quantitativo de ações educativas, de incidência política e público alcançado.
Os dados foram sistematizados por meio de registros institucionais e planilhas de monitoramento utilizadas pela equipe técnica, permitindo o acompanhamento contínuo das ações desenvolvidas.
Além disso, também foram observados aspectos qualitativos, como maior participação dos jovens nas atividades educativas, aumento da procura por testagem e fortalecimento do vínculo com os serviços ofertados, redução de barreiras relacionadas ao estigma e à desinformação sobre HIV/aids.
A experiência evidenciou que um Espaço de Saúde com consultas de enfermagem, associada ao acolhimento humanizado e livre de estigma, é fundamental para ampliar o acesso de adolescentes e jovens às estratégias de prevenção combinada do HIV. Também se destacou a importância da atuação em rede e do protagonismo juvenil como elementos essenciais para fortalecer o vínculo com os serviços e ampliar o alcance das ações nos territórios.
Entre os principais desafios identificados estão a persistência do estigma relacionado ao HIV/aids, a desinformação sobre prevenção combinada e as dificuldades de acesso contínuo aos serviços de saúde por parte de alguns jovens em situação de vulnerabilidade.
Como recomendação para outras iniciativas, destaca-se a necessidade de fortalecer estratégias territoriais, investir em educação entre pares, ampliar ações intersetoriais e garantir espaços de escuta qualificada e cuidado integral, considerando as especificidades e demandas das juventudes.
A experiência do Espaço Saúde da Gestos apresenta potencial de sustentabilidade por estar integrada à rotina institucional da organização, articulando assistência, prevenção, educação em saúde e incidência política.
Além disso, trata-se de uma experiência com elevado potencial de replicação, o modelo pode ser adaptado a diferentes contextos, considerando as especificidades locais, desde que mantenha como princípios o acolhimento sem estigma, a escuta qualificada, o acesso à informação e a participação ativa das juventudes.
A experiência contribui para o fortalecimento do acesso às informações e das estratégias de prevenção combinada no âmbito do SUS ao ampliar o acesso dos adolescentes e jovens à esses espaços de formação, articulação política e de cuidado. Também fortalece a articulação intersetorial por meio do trabalho integrado com serviços da rede SUS, assistência social, educação, movimentos sociais e espaços de participação e controle social, possibilitando encaminhamentos, referência, contrarreferência e cuidado integral.
O acolhimento humanizado e um espaço próprio para esse público, favorecem a aproximação das juventudes aos serviços de saúde, reduzindo barreiras relacionadas ao estigma, à desinformação e a discriminação.
Outro aspecto relevante é a valorização do protagonismo juvenil nas ações educativas, de mobilização comunitária e incidência política, contribuindo para estratégias de prevenção mais acessíveis, participativas e alinhadas às necessidades dos territórios.
Além disso, o modelo desenvolvido evidencia a potência da consulta de enfermagem, da educação entre pares e das ações extramuros como estratégias inovadoras de organização do cuidado, fortalecendo os princípios da equidade, integralidade e universalidade do SUS. Essas boas práticas de cuidado, reforçam o potencial de fortalecimento da resposta ao HIV, apoiando metas globais e podendo subsidiar políticas públicas voltadas à equidade no cuidado em saúde.
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