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Escala de Snellen: Uma ferramenta de avaliação da saúde ocular utilizada pelo PSE em Quissamã-RJ.

As alterações na visão encontram desafios na saúde pública, principalmente em relação a prevenção e detecção precoce. A infância é a fase em que ocorre o desenvolvimento neuropsicomotor e, com isso, é fundamental que alterações visuais sejam identificadas na escola, visto que há forte relação entre o mau rendimento escolar e alterações da acuidade visual (AV). No Brasil, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) cerca de 20% dos escolares apresentam algum distúrbio visual. Com isso, identificar precocemente essas alterações é de extrema importância, uma vez que resolvendo tais dificuldades, é possível diminuir índices de reprovação e de evasão escolar bem como melhorar, no âmbito biopsicossocial, a vida dessa criança. Neste sentindo, o Programa Saúde na Escola (PSE), possui um papel de grande relevância. O Programa resulta no trabalho integrado entre Saúde e Educação, na perspectiva de ampliar as ações de saúde aos alunos da rede pública de ensino, com vistas a promoção de saúde, prevenção de agravos e enfrentamento de vulnerabilidades que comprometem o pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes. Dentro do escopo de atividades a serem trabalhadas pelo programa, a saúde ocular é uma delas. No município de Quissamã a utilização da Escala de Snellen foi adotada pelo PSE como uma ferramenta facilitadora na identificação de alterações visuais em escolares, otimizando encaminhamentos para avaliação com oftalmologista disponível na rede pública municipal de saúde. Dentre os objetivos propostos com a implementação da prática foi considerado identificar, de forma precoce, alterações de AV em crianças em fase escolar que possam repercutir no processo ensino-aprendizagem, socialização, coordenação motora, cognição e linguagem, podendo resultar em repetência e evasão escolar, além de otimizar encaminhamento e atendimento com médico especialista, a fim de ofertar diagnóstico precoce, promovendo maior eficácia do tratamento e redução de custos a médio e longo prazo; A metodologia utilizada foi aplicação da Escala de Snellen para avaliação da AV em alunos matriculados do 1º ao 9º ano, entre 6 a 14 anos, em 3 escolas da rede municipal de ensino durante o ano letivo de 2023. A seleção das escolas se deu pela identificação do elevado número de relatórios encaminhados ao Núcleo de Atendimento ao Educando com descrição de alunos com dificuldade para leitura das atividades na lousa, com lacrimejamento, franzimento da testa e coceira nos olhos. Ao total, foram avaliados 627 alunos. Crianças que utilizavam óculos de grau foram excluídas do teste. O teste foi realizado em salas com boa iluminação. As crianças foram colocadas na posição sentada a 5-6 metros de distância do cartaz contendo a escala e, este, a 1,5 metros do chão. O teste é realizado em um olho por vez. Portanto, cobria-se o olho que não estava sendo avaliado com um objeto sólido e, depois avaliava-se o outro. Os símbolos da escala foram apontados por uma régua na posição vertical e o examinador pedia para que a criança dissesse quais as letras conseguiam distinguir sem dificuldade, começando das letras maiores para as menores. Crianças que distinguiam bem os símbolos até a 8ª linha da escala eram consideradas com a visão normal. Dificuldades em distinguir entre 5ª e 8ª linha foi considerada perda de AV moderada e dificuldade até a 4ª linha, considerado grave comprometimento da AV. No fim dos testes, as alterações identificadas foram registradas pelo PSE.

A implementação da Escala de Snellen tem mostrado relevância na identificação precoce de possíveis distúrbios visuais na infância e agilização das consultas com o especialista no próprio município. Embora não seja um método diagnóstico, ela permite que sinais despercebidos por pais, responsáveis e professores sejam identificados para adiantar o atendimento com o oftalmologista, de modo que a criança não sofra ou que sejam amenizadas as repercussões negativas de uma visão comprometida na fase escolar. No entanto, mesmo com os benefícios observados da aplicabilidade do teste em âmbito escolar, além do baixo custo, é perceptível a necessidade de atividades de conscientização de pais e responsáveis quanto a observação dessas alterações no ambiente domiciliar, como na realização de tarefas escolares, no assistir televisão e na interação social, uma vez que o teste ainda não está sendo aplicado em 100% das escolas do município. A importância da frequência regular da criança à USF é essencial, evitando que sintomas discretos ou imperceptíveis, como as alterações primárias na visão, sejam banalizados. Deste modo, os pais atuam como agentes do cuidado contribuindo para um território com crianças integralmente assistidas pela rede de saúde.

A Escala de Snellen é um tipo de gráfico que testa a clareza e a nitidez da visão, podendo indicar a necessidade de uso de óculos corretivos, embora não seja um método diagnóstico. Dentre os 627 educandos avaliados, 218 (35%) apresentaram algum nível de dificuldade para distinguir os símbolos apontados. Nenhuma criança apresentou dificuldade para enxergar até a 4ª linha da tabela, o que representaria grave comprometimento de AV. Dentre as 3 escolas selecionadas, a escola A apresentou 45% dos alunos com alteração de AV, seguido pela escola B (30%) e por último, a escola C (25%). As crianças detectadas com possíveis alterações de visão tiveram os responsáveis comunicados e orientados sobre a necessidade de investigação. O PSE realizou o rastreamento do percurso de saúde destes alunos que estavam cadastrados no Sistema Municipal de Gestão da Informação (Sistema Victor), identificando as Unidades de Saúde da Família (USF) correspondentes, acompanhamento com médicos especialistas, internações hospitalares e exames realizados, de modo a compreender o histórico de saúde deste usuário. Foi realizada uma lista para agendamento prioritário de crianças testadas nas escolas com o médico oftalmologista do município com o objetivo de avaliar os distúrbios de visão e fazer a correção. À medida que os agendamentos aconteceram, as escolas foram informadas e, estas, mediaram a comunicação com os responsáveis para comparecimento às consultas.

Para facilitar a implementação da prática é de grande importância a parceria estabelecida entre Secretarias de Saúde e Educação, uma vez que, por se tratar de um espaço social fundamental na formação e atuação das pessoas e todas os campos da vida, a escola pode tornar-se um lugar essencial para ações de promoção da saúde. A avaliação da acuidade visual pode ser feita sem a utilização de aparelhos sofisticados, através da Escala de Snellen, a partir dos cinco anos de idade. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a avaliação pode ser conduzida por Agentes Comunitários de Saúde, Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem, Educadores, Alfabetizadores ou por qualquer indivíduo capacitado de maneira apropriada.

Principal

Amanda Assis Monteiro

acoesprogramaticasquissama@gmail.com

Enfermeira

Coautores

Autora - Amanda Assis Monteiro Coautora - Maria Aparecida Barcelos Carvalho do Desterro

A prática foi aplicada em

Quissamã

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Endereço

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Amanda Assis Monteiro

Conta vinculada

A prática foi cadastrada em

01 abr 2024

e atualizada em

01 abr 2024

Início da Execução

03/04/2024

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos

Palavras-chave

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