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Entre o cuidado e a violência institucional: a atuação do psicólogo no NASI ótica intercultural

Filipe Silva

Filipe Silva

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Filipe da Silva

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A atuação na saúde indígena exige a articulação entre dimensões técnicas, culturais e políticas, sendo atravessada por desafios institucionais e interculturais. No cotidiano do Núcleo Ampliado da Saúde Indígena (NASI), observam-se processos decisórios conduzidos de forma unilateral, sem garantia de escuta e participação dos sujeitos implicados, configurando formas de violência institucional, entendida como efeito de práticas que produzem silenciamento, deslegitimação e exclusão.
Refletir sobre a atuação do psicólogo no NASI, a partir da interface entre prática técnica, dimensão político-institucional e interculturalidade, tomando a violência institucional como analisador do processo de trabalho.

A experiência parte da atuação de um psicólogo em território indígena, no âmbito do NASI, com foco no cuidado ampliado, na escuta qualificada e no apoio matricial às equipes de saúde, orientados por uma perspectiva intercultural.

No decorrer do trabalho, foi vivenciada uma situação institucional crítica, caracterizada pela condução de um processo decisório acerca da permanência do profissional no território, sem a garantia de participação direta, escuta ou direito de manifestação. Tal processo ocorreu em espaço coletivo, sem a presença do trabalhador diretamente implicado, sendo percebido como um julgamento unilateral.

Essa vivência produziu efeitos subjetivos significativos, como sentimentos de exposição, deslegitimação e sofrimento psíquico, evidenciando fragilidades nos dispositivos institucionais de mediação e cuidado ao trabalhador. Ao mesmo tempo, revelou tensões entre diferentes instâncias do território, incluindo gestão, equipe e espaços de controle social.

A ausência de mediação intercultural nesse processo evidencia que decisões unilaterais tendem a reforçar assimetrias de poder, comprometendo tanto o cuidado quanto as relações institucionais. Nessa perspectiva, a situação vivenciada pode ser compreendida como expressão de violência institucional, não centrada em sujeitos individuais, mas nos modos de funcionamento da instituição.

A partir dessa experiência, a atuação do psicólogo desloca-se também para a análise crítica dos processos institucionais, buscando tensionar práticas cristalizadas e favorecer a construção de espaços de escuta e diálogo.

Ampliação da análise crítica sobre a violência institucional no contexto da saúde indígena; evidenciação da interculturalidade como eixo fundamental do cuidado; fortalecimento do papel do psicólogo como mediador institucional; identificação de lacunas nos processos de escuta e participação.

A experiência evidencia que a atuação do psicólogo no Núcleo Ampliado da Saúde Indígena demanda não apenas competências técnicas, mas também processos contínuos de qualificação, educação permanente e sustentação institucional do trabalho.

A complexidade das demandas, marcada por elevada intensidade e frequência, exige dispositivos regulares de supervisão técnica, espaços de escuta e interlocução permanente com a gestão e demais atores do território.

Destaca-se, ainda, a importância da construção de vínculos institucionais baseados no diálogo e na corresponsabilização, de modo a fortalecer práticas interculturais e reduzir assimetrias nos processos decisórios.

Nesse contexto, a ausência ou insuficiência desses dispositivos pode contribuir para o desgaste profissional e fragilização do cuidado, reforçando a necessidade de estratégias que sustentem o trabalhador e qualifiquem o processo de trabalho.

A psicologia, ao atuar nesse campo, contribui tanto na dimensão clínica quanto na análise e transformação das dinâmicas institucionais.
A atuação do psicólogo no NASI revela-se atravessada por dimensões clínicas, culturais e políticas, nas quais a interculturalidade se apresenta como condição essencial para a produção de um cuidado ético e equitativo. A violência institucional, quando naturalizada, compromete sujeitos e processos de trabalho, exigindo intervenções que promovam escuta, mediação e corresponsabilização entre os diferentes atores do território. Quando a escuta é retirada, o cuidado deixa de existir — e o que resta é apenas a instituição falando consigo mesma.

autor Principal

Filipe Silva

filipesilva18@hotmail.com

Psicólogo

Coautores

Filipe da Silva

A prática foi aplicada em

Angra dos Reis

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Núcleo Ampliado da Saúde Indígena (NASI)

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Filipe da Silva

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

06 mar 2026

inicio

26 mar 2026

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

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