e-SUS Regulação: descentralização e qualificação do acesso no SUS em Serra dos Aimorés (MG)

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Lúcio Martins Pereira Neto

Lucio Martins

Lúcio Martins Pereira Neto

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A experiência “e-SUS Regulação: Descentralização e Qualificação do Acesso no SUS em Serra dos Aimorés (MG)” nasceu da necessidade de reorganizar o processo de regulação ambulatorial do município, historicamente marcado por filas acumuladas, solicitações em arquivos físicos, fragilidade no acompanhamento dos usuários e baixa integração entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e a central de regulação.

Como estratégia de enfrentamento, a Secretaria Municipal de Saúde implantou, no segundo semestre de 2025, um projeto de reestruturação da regulação com apoio do sistema e-SUS Regulação, iniciando a descentralização das ações para dentro da APS. A UBS Mário Saback foi definida como unidade piloto para testar fluxos, capacitar equipes e reorganizar a inserção e qualificação das solicitações de exames, consultas e procedimentos especializados.

O desenvolvimento da prática envolveu diagnóstico das demandas reprimidas e além da utilização do e-SUS Regulação, gestão e controle dos dados a partir de planilhas eletrônicas, revisão técnica dos encaminhamentos, treinamento dos profissionais, utilização de protocolos clínicos e classificação de risco, além da construção de novos fluxos de monitoramento que estão sendo aprimorados. Mais do que informatizar processos, a experiência buscou reposicionar a APS como coordenadora do cuidado e da gestão do acesso à saúde, no território.

O município de Serra dos Aimorés convivia com um cenário comum a muitos municípios de pequeno porte, com grande número de usuários aguardando exames e consultas especializadas sem acompanhamento sistemático, solicitações desatualizadas armazenadas no formato físico, em papel; ausência de critérios transparentes de priorização e comunicação ineficiente entre quem encaminhava e quem regulava, unidades de saúde e setor de regulação, respectivamente. Essa realidade gerava demora, insegurança para os profissionais e descrédito da população em relação à capacidade de resposta do SUS.

Ao mesmo tempo, a implantação do e-SUS Regulação surgiu como oportunidade concreta para transformar esse modelo centralizado e burocrático em um processo mais próximo do usuário, no qual a própria Atenção Primária pudesse acompanhar, qualificar e ordenar a demanda a partir das necessidades clínicas reais do território. A prática foi motivada, portanto, pela urgência de reduzir filas invisíveis e tornar o acesso mais justo, transparente, rastreável e humanizado.

A implementação da prática trouxe impactos importantes para a organização da regulação municipal. O primeiro resultado observado foi a retirada das demandas do anonimato administrativo: solicitações antes armazenadas em arquivos físicos, passaram a ser identificadas, revisadas, atualizadas e inseridas em planilhas eletrônicas e nos sistemas, permitindo conhecimento real da fila existente, com dados do presente e de anos anteriores. Houve expressiva melhoria na qualidade dos encaminhamentos, com informações clínicas mais consistentes e maior adequação aos protocolos assistenciais.

A descentralização para a APS passou a fortalecer o vínculo entre equipe e usuário, uma vez que médicos, enfermeiros e Agentes Comunitários de Saúde passaram a acompanhar ativamente cada solicitação, realizando busca ativa e reavaliação, quando necessário. Também se observou maior transparência no processo regulatório, redução de inconsistências cadastrais e melhor definição das prioridades clínicas.

Como principal inovação, a regulação deixou de ser apenas uma função administrativa concentrada na secretaria e passou a ser compreendida como ferramenta de coordenação do cuidado. A experiência ensinou que tecnologia, quando associada à educação permanente e reorganização dos processos de trabalho, pode ampliar a equidade e devolver ao usuário a percepção de pertencimento e acompanhamento dentro da rede SUS.

A principal recomendação para gestores e equipes que desejam implantar prática semelhante é compreender que a descentralização da regulação não se resume à utilização de um sistema informatizado; ela exige mudança cultural, reorganização de procedimentos, protocolos e fluxos de trabalho. O que requer responsabilidades e envolvimento coletivo das equipes da Atenção Primária. Antes de iniciar é fundamental realizar um diagnóstico cuidadoso da demanda reprimida e mapear os gargalos do fluxo regulatório local, para em seguida operacionalizar essa prática.

Também é essencial começar por uma unidade piloto, permitindo ajustes progressivos e construção de segurança técnica entre os profissionais. Nesse sentido, investir em educação permanente, capacitação sobre protocolos clínicos e alinhamento entre APS e setor regulador faz toda a diferença para a sustentabilidade da prática. Outro ponto importante é manter comunicação transparente com a população, pois muitos usuários carregam histórico de descrédito e frustração e precisam perceber que há novo modelo de gestão e acompanhamento de suas demandas.

A experiência de Serra dos Aimorés demonstra que, mesmo em municípios pequenos, é possível potencializar a qualidade dos serviços de saúde, como demonstrado nessa experiência, que transforma filas invisíveis em cuidado organizado. Para isso, é necessário compromisso da gestão, que se materializa em investimento, monitoramento contínuo e entendimento de que regular acesso também é produzir cuidado.

autor Principal

Lúcio Martins Pereira Neto

smsnetosaude@gmail.com

Assessoria Técnica

Coautores

Lúcio Martins Pereira Neto, Ivana Lara Costa dos Santos

A prática foi aplicada em

Serra dos Aimorés

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua São João Del Rei, 180 - Serra Dos Aimores, Serra dos Aimorés - MG, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Lúcio Martins Pereira Neto

Conta vinculada

07 maio 2026

CADASTRO

07 maio 2026

ATUALIZAÇÃO

15 set 2025

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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