favor seguir as recomendações abaixo:
A experiência ocorre no CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) Marineia Barreto, em Itaboraí, RJ. O projeto, idealizado pela psicóloga Luciene, nasceu durante a pandemia de COVID-19 como resposta ao aumento de casos de sofrimento psíquico agudo entre adolescentes. O objetivo central é oferecer um espaço seguro de escuta, acolhimento e fortalecimento de vínculos para jovens que apresentam quadros de automutilação, depressão e ideação suicida. A prática utiliza dinâmicas de grupo e oficinas práticas (tranças, manicure, escrita e desenho) para promover a autonomia, a autoestima e o reconhecimento das emoções de forma coletiva e não impositiva, transformando o serviço de saúde em um território de pertencimento e cuidado contínuo.
A iniciativa foi motivada pela observação de um fluxo crescente e alarmante de adolescentes que chegavam ao serviço em estado de profunda vulnerabilidade. O cenário era marcado por sofrimento psíquico severo, manifestado silenciosamente através de cortes na pele, isolamento e tentativas de autoextermínio. Identificou-se que o acompanhamento individual, embora necessário, não era suficiente para suprir a necessidade de reconhecimento e conexão desses jovens. Havia a urgência de criar uma estratégia que rompesse a solidão da dor, permitindo que as adolescentes se reconhecessem no outro e entendessem que não estavam sozinhas em suas trajetórias de sofrimento.
O principal resultado observado foi a estabilização notável da saúde mental das participantes, com uma redução significativa e consistente nos episódios de automutilação. A prática permitiu que muitas jovens, que antes demandavam cuidado intensivo, alcançassem um estado de equilíbrio que possibilitou o encaminhamento para o cuidado ambulatorial tradicional. Além da melhora clínica, o grupo promoveu o resgate da dignidade e do autocuidado através das oficinas de estética e expressão criativa. O sucesso é mensurado nas pequenas conquistas: na coragem de compartilhar um texto escrito, no orgulho de um novo penteado e na construção de um refúgio de aceitação mútua e esperança.
Para serviços que desejam implementar práticas similares, recomenda-se priorizar a construção do vínculo e o sentimento de pertencimento acima de protocolos rígidos. É fundamental que o cuidado seja pensado de forma contínua e construído horizontalmente com as adolescentes, garantindo que as atividades (como oficinas de beleza ou escrita) surjam das demandas espontâneas do grupo. Outro ponto crucial é enxergar a potência que habita em cada jovem, olhando para além dos sintomas. É necessário criar um ambiente de “chão fértil” onde a escuta qualificada e o gesto concreto de cuidado possam ressignificar trajetórias de vida e promover o florescimento subjetivo.
CAPS Infantojuvenil Marinea Barreto - Itaboraí
CADASTRO
ATUALIZAÇÃO