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Do isolamento ao florescimento: o grupo que transformou dores em laços

Guilherme Manhães Ribeiro

Guilherme Manhaes

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Guilherme Manhães Ribeiro

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A experiência ocorre no CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) Marineia Barreto, em Itaboraí, RJ. O projeto, idealizado pela psicóloga Luciene, nasceu durante a pandemia de COVID-19 como resposta ao aumento de casos de sofrimento psíquico agudo entre adolescentes. O objetivo central é oferecer um espaço seguro de escuta, acolhimento e fortalecimento de vínculos para jovens que apresentam quadros de automutilação, depressão e ideação suicida. A prática utiliza dinâmicas de grupo e oficinas práticas (tranças, manicure, escrita e desenho) para promover a autonomia, a autoestima e o reconhecimento das emoções de forma coletiva e não impositiva, transformando o serviço de saúde em um território de pertencimento e cuidado contínuo.

A iniciativa foi motivada pela observação de um fluxo crescente e alarmante de adolescentes que chegavam ao serviço em estado de profunda vulnerabilidade. O cenário era marcado por sofrimento psíquico severo, manifestado silenciosamente através de cortes na pele, isolamento e tentativas de autoextermínio. Identificou-se que o acompanhamento individual, embora necessário, não era suficiente para suprir a necessidade de reconhecimento e conexão desses jovens. Havia a urgência de criar uma estratégia que rompesse a solidão da dor, permitindo que as adolescentes se reconhecessem no outro e entendessem que não estavam sozinhas em suas trajetórias de sofrimento.

O principal resultado observado foi a estabilização notável da saúde mental das participantes, com uma redução significativa e consistente nos episódios de automutilação. A prática permitiu que muitas jovens, que antes demandavam cuidado intensivo, alcançassem um estado de equilíbrio que possibilitou o encaminhamento para o cuidado ambulatorial tradicional. Além da melhora clínica, o grupo promoveu o resgate da dignidade e do autocuidado através das oficinas de estética e expressão criativa. O sucesso é mensurado nas pequenas conquistas: na coragem de compartilhar um texto escrito, no orgulho de um novo penteado e na construção de um refúgio de aceitação mútua e esperança.

Para serviços que desejam implementar práticas similares, recomenda-se priorizar a construção do vínculo e o sentimento de pertencimento acima de protocolos rígidos. É fundamental que o cuidado seja pensado de forma contínua e construído horizontalmente com as adolescentes, garantindo que as atividades (como oficinas de beleza ou escrita) surjam das demandas espontâneas do grupo. Outro ponto crucial é enxergar a potência que habita em cada jovem, olhando para além dos sintomas. É necessário criar um ambiente de “chão fértil” onde a escuta qualificada e o gesto concreto de cuidado possam ressignificar trajetórias de vida e promover o florescimento subjetivo.

autor Principal

Guilherme Manhães Ribeiro

guilhermemanhaes@gmail.com

Coordenador de Saúde Mental

Coautores

Guilherme Manhães Ribeiro, Luciene Novaes dos Santos de Almeida

A prática foi aplicada em

Itaboraí

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

CAPS Infantojuvenil Marinea Barreto - Itaboraí

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Guilherme Manhães Ribeiro

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

12 jan 2024

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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