Comunicação em saúde para o combate ao estigma e à discriminação

O projeto “Comunicação em saúde para o combate ao estigma e à discriminação” foi realizado em São Paulo, em especial no centro da cidade, abrangendo as regiões da Sé, República e Luz, na chamada “Cracolândia”, em que pessoas que vivem nesses territórios estão em alta vulnerabilidade social, sofrem sobreposições de estigmas e enfrentam barreiras de acesso a serviços de saúde. As ações ocorreram na sede do Centro de Convivência É de Lei, no Teatro de Contêiner Mungunzá, no Museu da Língua Portuguesa e na Clínica AHF. Esses espaços foram escolhidos por sua relevância territorial e simbólica, permitindo a articulação entre sociedade civil, serviços de saúde e população em situação de maior vulnerabilidade.

O projeto teve como objetivo prinicipal criar materiais de comunicação em saúde para combater o estigma e a discriminação, aumentando o acesso à informação, prevenção e diagnóstico de IST/HIV/aids e hepatites virais nas populações-chave.

Para isso, foram produzidos conteúdos para redes sociais e materiais impressos sobre prevenção combinada (incluindo PrEP e PEP), testagem, imunização, tratamento e estratégias de redução de danos, inclusive para práticas de “chemsex” (relacionados ao uso de álcool e outras drogas). Além disso, o projeto promoveu encontros e produções de vídeo para compartilhar experiências e reflexões sobre as barreiras de acesso à saúde impostas pelo estigma.

A campanha de comunicação nas redes sociais teve como base dois artigos publicados no blog do Centro de Convivência É de Lei. Um sobre estigma e outro sobre prevenção combinada do HIV. A partir desses dois conteúdos, foram veiculadas 10 campanhas nas redes sociais por meio de cards, vídeos e carrosséis no Instagram. Alguns dos cards foram impulsionados, para aumentar o alcance das publicações.

Em relação aos materiais físicos produzidos e distribuídos, a seguinte mensagem sobre estigma: “Desconstruir estereótipos constrói cuidado. Toda pessoa, independente de quem seja e da situação em que se encontra, deve ser respeitada e ter seus direitos garantidos” foi incluída em folders de cocaína/crack, maconha, álcool, ecstasy, LSD, GHB, poppers, ketamina, plantas de poder e lança perfume. Imprimimos as novas versões para serem distribuídas nas ações de redução de danos do É de Lei e também disponibilizamos no site. A mensagem também foi incluída em dois novos folders sobre drogas K e sobre metanfetamina.

A disponibilização de informações sobre drogas K e estratégias de redução de danos relacionadas é uma demanda que vem crescendo nos últimos anos. O É de Lei é constantemente procurado por trabalhadores de serviços de saúde e assistência social com pedidos de ajuda tanto de informação em como lidar com situações de uso/risco como também para o compartilhamento de estratégias de redução de danos. Também somos bastante procurados por pessoas usuárias de drogas K que nos identificam como um espaço seguro para procurar ajuda em relação ao uso e referência para informações. A partir da produção desse folder, podemos ampliar o alcance dessas informações e usá-lo para criar vínculos e construir em conjunto estratégias para a redução de danos e riscos relacionados ao uso de drogas K.

O uso de metanfetamina associado a práticas sexuais tem aumentado exponencialmente em São Paulo. Apesar disso, o acesso amplo a pessoas que praticam sexo químico, por exemplo, ainda é difícil e por isso a divulgação de estratégias de redução de danos entre essa pessoas tem sido um desafio. A partir do desenvolvimento deste folder, podemos compartilhar tais informações de maneira mais ampla e também usá-los para criar vínculos e construir em conjunto estratégias para a redução de danos e riscos relacionados ao uso de metanfetamina.

Os encontros formativos tiveram como objetivo promover trocas de experiências entre pares para que pudessem encontrar em conjunto estratégias para romper barreiras de acesso à saúde impostas por estigmas atribuídos às populações-chave. Os encontros aconteceram de maneira presencial e virtual, em espaços que proporcionaram acolhimento e segurança para as pessoas presentes se sentirem à vontade para falar sobre suas experiências e sobre as barreiras que encontraram durante suas tentativas de acessar seus direitos. Os encontros presenciais foram realizados no Centro de Convivência É de Lei e também em espaços de organizações parceiras: Teatro de Contêiner Mungunzá, Museu da Língua Portuguesa e Clínica AIDS Healthcare Foundation (AHF).

Dois desses encontros forram dedicados à gravação de vídeo com participantes sobre os relatos que quiserem compartilhar acerca das barreiras de acesso encontradas. O principal objetivo foi a sensibilização do público geral em relação às barreiras de acesso a direitos a saúde encontradas pela populações-chave.

O projeto surgiu da compreensão de que o estigma e outras barreiras são obstáculos significativos que dificultam o acesso das populações-chave e prioritárias aos serviços de saúde e socioassistenciais. A comunicação em saúde desempenha um papel fundamental na redução dessas barreiras, promovendo a reflexão e a conscientização da população geral, de profissionais de saúde e socioassistenciais.

Em muitos casos, a comunicação em saúde pode ser afetada pelo estigma social, o que pode trazer consequências significativas para os indivíduos e as populações como a discriminação, isolamento social, falta de rede de apoio, desconhecimento sobre prevenção e tratamento de doenças e acesso limitado aos serviços de saúde, em especial se falamos sobre pessoas que usam álcool e outras drogas, pessoas vivendo com HIV, pessoas trans, gays e HSH e pessoas em situação de rua.

Ainda, a persistência de discursos punitivos, moralizantes e criminalizantes reforça a exclusão social e limita o direito à saúde, especialmente em territórios vulnerabilizados como a região central de São Paulo. Essa realidade é agravada pela falta de acesso à informação e de estratégias baseadas na Redução de Danos. Portanto, combater o estigma e capacitar as populações vulnerabilizadas promovem autonomia para que possam acessar informações sobre seus direitos e seus cuidados adequados.

As atividades formativas realizadas no âmbito do projeto “Comunicação em saúde para o combate ao estigma e à discriminação” possibilitaram discussões qualificadas sobre estigma, discriminação, prevenção combinada e redução de danos, fortalecendo o papel da sociedade civil na resposta ao HIV. Esses encontros ampliaram a troca de conhecimentos entre pares, contribuindo para a identificação de barreiras de acesso à saúde e outros serviços e para a construção coletiva de estratégias de enfrentamento.

As campanhas de comunicação em redes sociais tiveram amplo alcance, superando 230 mil contas, e possibilitaram disseminar informações acessíveis e fundamentadas na redução de danos. Os artigos publicados no site do É de Lei obtiveram mais de 1.500 visualizações. Também foram produzidos e atualizados materiais informativos sobre dez substâncias psicoativas e redução de danos, além da produção e impressão de 12 mil folders sobre drogas K e 12 mil sobre metanfetamina. Esses materiais foram distribuídos em campo e em serviços de saúde, fortalecendo a prevenção combinada e qualificando o diálogo com populações-chave.

Por fim, a produção de vídeo garantiu maior visibilidade ao tema, diversificou os formatos tradicionalmente usados e ampliou o alcance das mensagens de enfrentamento ao estigma e promoção da saúde.

A experiência contribuiu para ampliar o acesso à informação e à prevenção combinada, qualificar estratégias de vinculação, e fortalecer a integração da sociedade civil para reduzir estigma e discriminação.

Foram monitorados: número de atividades realizadas (7 encontros), número de pessoas participantes presenciais e online (aproximadamente 200), alcance das campanhas digitais (mais de 150 mil impressões), visualizações de artigos no site (mais de 1.500 acessos), além de dados de engajamento em redes sociais (curtidas, comentários, compartilhamentos e cliques em links).

A divulgação ocorreu principalmente pelas redes sociais do É de Lei (Instagram, Facebook, site/blog institucional), com campanhas digitais impulsionadas para ampliar o alcance. Também houve divulgação por meio de artigos publicados no site da organização, folders disponibilizados no site e impressos distribuídos em campo e em serviços de saúde, além da circulação em espaços como o Museu da Língua Portuguesa e o Teatro de Contêiner Mungunzá.

As atividades formativas alcançaram diretamente cerca de 200 pessoas em encontros presenciais e online. O lançamento e distribuição de materiais impressos alcançou aproximadamente 100 pessoas em evento presencial na sede do Centro de Convivência É de Lei. As campanhas nas redes sociais tiveram alcance superior a 230 mil contas.

O projeto foi realizado com recursos financeiros provenientes do edital Projetos de Comunicação em Saúde que contribuam para a ampliação das ações de prevenção e diagnóstico das populações-chave e prioritárias, do DATHI/Ministério da Saúde e do PNUD. Foram mobilizados recursos humanos da equipe técnica do É de Lei e especialistas convidados para a mediação dos encontros. Utilizamos espaços parceiros como a Clínica AHF, o Museu da Língua Portuguesa e o Teatro de Contêiner Mungunzá, além da sede do É de Lei. Ainda, houve a produção de materiais gráficos impressos e digitais, como folders e vídeo.

A experiência trouxe benefícios concretos ao SUS ao ampliar o acesso a materiais de comunicação qualificados sobre prevenção combinada e redução de danos, em formatos digitais e impressos. Todos os conteúdos produzidos estão disponíveis no site e nas redes sociais do É de Lei, permanecendo acessíveis para uso contínuo nas ações da organização e de parceiros, incluindo equipamentos do SUS.

Já durante a execução, após o lançamento do folder informativo sobre drogas K, trabalhadores de serviços de saúde procuraram o É de Lei para solicitar exemplares, a fim de utilizá-los em atividades com pessoas atendidas. Esse movimento demonstra a relevância do material para subsidiar práticas de cuidado e fortalecer o vínculo entre profissionais e populações em maior vulnerabilidade.

Para ampliar esse impacto, a instituição mantém ativo um formulário de solicitação de folders físicos, permitindo que trabalhadores da saúde retirem materiais para utilização em seus serviços. Esse mecanismo também gera registros que possibilitam acompanhar quem são os parceiros e de que forma os materiais estão sendo aplicados. Com isso, torna-se possível fortalecer a integração entre sociedade civil e SUS, além de qualificar a oferta de insumos e informações de prevenção.

A experiência demonstrou que a comunicação em saúde, quando construída em diálogo e respeito, o protagonismo das populações-chave e prioritárias em seu cuidado, se torna ferramenta poderosa para enfrentar estigmas. Aprendemos que estratégias digitais podem ampliar o alcance, mas precisam ser complementadas por encontros presenciais, que fortalecem vínculos e a construção coletiva de soluções. A interseccionalidade é essencial: discutir raça, gênero e território de forma integrada enriqueceu as formações e materiais. Desafios incluíram barreiras de impulsionamento em redes sociais devido a políticas restritivas sobre drogas, evidenciando a importância de diversificar meios de divulgação.

autor Principal

Ana Luiza Satie Voltolini Uwai

analuiza@edelei.org

Coordenadora Geral

Coautores

Ana Luiza Satie Voltolini Uwai, Janaina Rubio Gonçalves, Karin Di Monteiro , Leticia Tapia , Paulo Giacomini, Leticia Vieira da Silva, Danilo Ferreira Gonçalves

A prática foi aplicada em

São Paulo

São Paulo

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Lettiere, 65 - Bela Vista, São Paulo - SP, Brasil

Uma organização do tipo

Terceiro Setor

Foi cadastrada por

Ana Luiza Satie Voltolini Uwai

Conta vinculada

25 nov 2025

CADASTRO

25 nov 2025

ATUALIZAÇÃO

01 nov 2023

inicio

31 jul 2024

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos

TAGS

nenhuma
unblocked games + agar.io