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A experiência desenvolvida no município de São Luís (MA) resultou da articulação entre o Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) São Francisco, a Unidade Básica de Saúde (UBS) São Francisco, o Centro de Saúde(CS) Bezerra de Menezes e diversos parceiros da rede de proteção social, com o propósito de qualificar o atendimento às famílias e fortalecer respostas integradas às situações de vulnerabilidade presentes no território.
A iniciativa foi construída a partir do reconhecimento de que os desafios enfrentados pela população não podem ser compreendidos ou enfrentados de forma isolada pelos serviços públicos. Questões relacionadas à vulnerabilidade social extrema, violência, fragilidade dos vínculos familiares, uso de substâncias psicoativas e dificuldades de acesso às políticas públicas exigem uma atuação articulada entre diferentes setores e profissionais.
Entre os anos de 2025 e 2026 foram realizadas diversas ações intersetoriais envolvendo famílias, crianças, adolescentes, idosos e comunidade em geral. As atividades incluíram mutirões de oferta de serviços, campanhas educativas, ações comunitárias de promoção da saúde, atividades voltadas à prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes e iniciativas de fortalecimento da convivência comunitária e do acesso a direitos.
Entre as ações de destaque está o Natal Solidário, realizado em dezembro de 2025, que reuniu aproximadamente 500 participantes e contou com atendimentos socioassistenciais, atualização e inclusão no Cadastro Único, concessão de cestas básicas, palestras educativas, vacinação, consultas médicas e realização de testes rápidos. A atividade mobilizou diferentes instituições em torno da ampliação do acesso da população a serviços essenciais.
Outro destaque foi a ação comunitária realizada durante a campanha Maio Laranja, voltada à sensibilização da comunidade sobre a prevenção e o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. A iniciativa reuniu Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Conselho Tutelar e parceiros locais, promovendo palestras, rodas de conversa, vacinação, consultas e testagens.
O desenvolvimento das ações foi sustentado por reuniões de planejamento, visitas institucionais, definição compartilhada de responsabilidades e construção conjunta de estratégias de atuação. Esse processo favoreceu a criação de fluxos permanentes de trabalho, fortaleceu a comunicação entre os serviços e ampliou a capacidade de resposta da rede diante das demandas identificadas no território.
A experiência contou com o apoio do Programa Ciclo Saúde Proteção Social, uma iniciativa da Fundação Vale e do CEDAPS, no âmbito do Programa Juntos pela Saúde (BNDES e IDIS), em implementação no período de 2022 a 2026. O programa contribuiu para o fortalecimento da rede de proteção social, promovendo a integralidade do cuidado, a otimização de recursos, a construção de respostas compartilhadas para problemas complexos do território e o fortalecimento da articulação entre as políticas públicas de Saúde e Assistência Social.
A maioria dos problemas que exigem a realização de ações intersetoriais no cotidiano do cuidado está relacionada à vulnerabilidade social extrema, ao aumento da violência nos territórios, ao consumo abusivo de álcool e outras drogas e ao baixo acesso, identificando o público de pessoas em situação de rua e idosos isolados e adesão dos usuários aos programas públicos. Diante desse contexto, identificou-se a necessidade de fortalecer a articulação entre os serviços para ampliar a capacidade de resposta às demandas sociais e promover atendimentos mais integrados e resolutivos.
Os principais resultados alcançados foram a otimização de recursos, a melhoria da qualidade do atendimento e o fortalecimento dos vínculos entre os serviços e a população. As ações contribuíram para a criação de uma linguagem comum entre as equipes, maior integração entre CRAS e UBS, compartilhamento de informações, qualificação dos fluxos de trabalho e fortalecimento da rede de proteção social. Também foi consolidado um canal direto de comunicação entre os serviços e uma visão compartilhada das vulnerabilidades presentes no território, favorecendo respostas mais ágeis e efetivas às demandas da população
A implementação da intersetorialidade exige que as equipes mantenham o foco no cidadão e no território onde ele vive. Recomenda-se criar espaços permanentes de escuta e diálogo, reunir profissionais em torno de objetivos comuns, estruturar grupos de trabalho, documentar ações e fluxos e investir na construção de mecanismos permanentes de cooperação entre os serviços. A institucionalização das práticas intersetoriais, por meio de reuniões regulares, fluxos padronizados e capacitação contínua das equipes, é fundamental para garantir a sustentabilidade das ações e ampliar seus impactos no território.
Rua das Paparaubas, 25 - Jardim Sao Francisco, São Luís - MA, Brasil
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