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Capoeira no CAPS: cuidando da alma e do corpo

Rhudson Lopes

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Oi, eu sou Rhudson Lopes, professor de Capoeira há mais de dez anos. Minha jornada com essa arte começou na adolescência, quando o gingado da roda me salvou de um monte de perrengues da vida. Hoje, eu narro essa experiência que está mudando vidas aqui em Barra do Piraí (BP), no interior do Rio de Janeiro. É uma história de roda de música, de suor e principalmente de cuidado contínuo, atento, construído junto com o outro. Não é só bater palma, jogar o corpo no ar é acolher quem tá precisando de um respiro na alma.

Quem participou disso tudo? Crianças e adolescentes atendidos no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil (CAPS i) de BP. Esses meninos e meninas, entre 08 e 17 anos, vêm de realidades duras, famílias em vulnerabilidade, histórias de violência, ansiedade que aperta o peito e depressão que rouba o brilho dos olhos. Tem uns que chegam tímidos, cabisbaixos e outros cheios de raiva mal canalizada. Eu, junto com a equipe do CAPS i composta por: psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e terapeutas ocupacionais. Eu cumpro o papel de facilitador das rodas. Às vezes, pais ou cuidadores se juntam, batendo palmas e vibrando.

Onde isso rola? Bem no coração de BP, um município tranquilo, mas com suas cicatrizes sociais, numa região marcada pela desigualdade e pelo estigma em relação à saúde mental. Acontece dentro do CAPS i, que fica num prédio simples, acolhedor e no centro da cidade. Ocorre no espaço do serviço de saúde mental, transformando uma sala multifuncional num verdadeiro berimbau vivo. O território importa BP tem rios, morros e uma comunidade que valoriza o cultural, mas o CAPS i é o ponto de ancoragem para quem está à deriva. A proximidade com a natureza inspira a gente até levar o som do rio pras músicas da Capoeira. A experiência está em curso até hoje, com aulas semanais toda segunda-feira à tarde, das 14h às 16h. Não parou nem na chuva nem na seca e adaptando-se às ondas da vida.

Agora, o relato da experiência é o que mais me emociona. Imagina o cenário inicial: o CAPS i está lotado de atendimentos tradicionais, mas as crianças precisando de algo tátil e de movimento. A necessidade saltava aos olhos os relatos de sedentarismo, bullying online e famílias sobrecarregadas. “Como a gente cuida de verdade?” a equipe se perguntava. Eu, que já trabalhava com Capoeira em projetos sociais, fui chamado pra uma roda de conversa e a ideia surgiu ali, por que não usar a Capoeira como ferramenta de produção de vida em saúde? Não é só esporte, é ancestralidade africana, resistência, que constrói laços e devolve a autoestima.

Além da Capoeira procuro combinar outras atividades como: arte livre em camisas brancas nas mãos, as crianças chegam, trazendo em seus corações um universo de sonhos. Nelas, derramam cores, traços e sentimentos, criando com liberdade tudo o que as inspira. Cada pincelada é um sopro de vida, um manifesto de amor, um passo mais perto da realização de seus desejos mais profundos. Assim como passeios que levamos essas crianças e adolescentes à Casa de Arte e Educação de nossa cidade, onde o circo se tornou palco de uma experiência mágica. Os olhos delas brilhavam como estrelas em um céu sem fim, refletindo liberdade, acolhimento e plenitude. Naquele momento, sentiam-se vivas, amadas, carregadas de esperança — sentimentos que, mesmo tão jovens muitos já haviam perdido no caminho.

O que mudou? Ufa, muito! Nos usuários, vi crianças que mal olhavam uns pros outros agora liderando jogos, rindo alto e com olhos brilhando. Um garoto de 12 anos, que chegou agressivo por traumas familiares, hoje é o “mestre da roda” e ajudando os novatos. Relatos de melhora na concentração, sono melhor, menos crises de ansiedade e os psicólogos confirmam nas avaliações. Impactos nos profissionais: a equipe se uniu mais, trocando saberes e eu aprendi a ler sinais emocionais no corpo.

Vi crianças que mal olhavam uns pros outros agora liderando jogos, rindo alto e com olhos brilhando. Um garoto de 12 anos, que chegou agressivo por traumas familiares, hoje é o “mestre da roda” e ajudando os novatos. Relatos de melhora na concentração, sono melhor, menos crises de ansiedade .

O esporte e a cultura têm o poder de salvar vidas. São caminhos de transformação, inclusão e esperança. Precisamos, sim, levar mais arte para todos os espaços, especialmente para aqueles que mais precisam, pois é através dela que despertamos talentos, fortalecemos identidades e construímos futuros melhores.

autor Principal

Rhudson Lopes

rhudson_lopes7@outlook.com

Oficineiro

Coautores

Rhudson Lopes

A prática foi aplicada em

Barra do Piraí

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Capsi - Bem viver

Rua José Mastrangelo, 155 - Vila Helena, Barra do Piraí - RJ, 27120-250, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Rhudson Lopes

Conta vinculada

26 mar 2026

CADASTRO

26 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

07 jul 2025

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fim

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