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ATUAÇÃO DO NÚCLEO DE APOIO À GESTÃO NA REGIAO METRO 1 DO RJ NO MONITORAMENTO DO PATE

MARCIA CRISTINA RIBEIRO PAULA

Marcia Cristina Ribeiro Paula

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MARCIA CRISTINA RIBEIRO PAULA

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A Região Metropolitana I do Rio de Janeiro, composta por 12 municípios — Belford Roxo, Duque de Caxias, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Queimados, Rio de Janeiro, São João de Meriti e Seropédica, historicamente enfrenta desafios estruturais na articulação da Rede de Atenção à Saúde (RAS), marcados pela fragmentação dos sistemas de informação e pela heterogeneidade das capacidades técnicas municipais. A publicação da Portaria GM/MS nº 3.492/2024 instituiu o Programa Nacional de Expansão e Qualificação da Atenção Ambulatorial Especializada (PNAES — “Agora Tem Especialistas”), estruturado em Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs) nas especialidades de Cardiologia, Oncologia, Oftalmologia, Ortopedia, Otorrinolaringologia e Ginecologia. Em seu Capítulo IV, a mesma portaria institui o Núcleo de Apoio à Gestão (NAG) como dispositivo estratégico para monitorar as ações em nível regional. Por meio da Deliberação CIR Metropolitana I nº 21/2025, o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Baixada Fluminense (CISBAF) foi pactuado como entidade responsável pelo NAG, com atuação iniciada em março de 2025.
A motivação central desta experiência foi a necessidade de superar a despadronização dos sistemas de regulação locais — e-SUS Regulação, SISREG e sistemas próprios municipais —, que dificultava um acompanhamento unificado e orientado por dados. Nesse contexto, o presente trabalho relata a experiência de implantação e operacionalização do NAG/CISBAF no período de março de 2025 a março de 2026, tendo como população-alvo os gestores, reguladores, coordenadores da atenção primária a saúde, coordenadores da atenção especializada dentre outros nos 12 municípios da Região Metropolitana I do Rio de Janeiro
Objetivo Geral:
Estabelecer um modelo regional de monitoramento unificado e orientado por dados para a Rede de Atenção à Saúde da Região Metropolitana I do Rio de Janeiro, por meio da integração de múltiplos sistemas de regulação e faturamento em uma plataforma de Business Intelligence, com vistas a ampliar a transparência das filas de espera, fortalecer a governança interfederativa e apoiar tecnicamente os 12 municípios na implementação, execução e avaliação das OCIs do Programa Agora Tem Especialistas. O período analisado foi de março de 2025 a março de 2026.
Objetivos Específicos:
1. Integrar e padronizar os dados provenientes dos diferentes sistemas de regulação municipais (e-SUS Regulação e sistemas próprios) em um painel regional de Business Intelligence, garantindo visibilidade unificada da produção ambulatorial especializada;
2. Apoiar os 12 municípios na confecção de portaria de habilitações, normativas, monitorar o cadastro das habilitações de estabelecimentos no CNES e no envio regular de produção ao TABNET, por meio de visitas técnicas in loco, checklists periódicos e suporte direto aos reguladores e faturistas municipais;
3. Qualificar os profissionais envolvidos na execução das OCIs por meio de Educação Permanente ofertadas pela plataforma NEP/CISBAF,
4. Identificar e orientar as correções de inconsistências operacionais, incluindo erros de regulação fora das condicionantes das OCIs e incorreções no cadastro de profissioprofissionais no CNES.
METODOLOGIA
A estratégia metodológica fundamentou-se na criação de um ecossistema de Business Intelligence (BI) gerenciado pelo NAG/CISBAF. Um dashboard regional foi desenvolvido no Looker Studio, integrando dados de regulação extraídos do e-SUS Regulação, de sistemas próprios municipais e dos registros de faturamento disponíveis no TABNET/DATASUS. Os municípios com sistemas próprios tiveram suas variáveis padronizadas terminologicamente pelo CISBAF, tornando viável o monitoramento unificado dos 12 municípios. O painel opera com acesso individualizado por município e visão consolidada para os gestores. Os dados são extraídos semanalmente, consolidados pelo NAG e validados pelos técnicos municipais e pelo CISBAF antes de cada ciclo de monitoramento, assegurando a confiabilidade das informações utilizadas para a tomada de decisão.
Em março de 2025, foi aplicada uma Pesquisa de Nivelamento que mapeou a situação de cada município quanto a sistemas de regulação utilizados, situação das filas, habilitações no CNES e integração entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e a atenção especializada. Checklists periódicos foram utilizados para validar portarias de habilitação, cadastros de estabelecimentos e envio de produção ao TABNET. Entre março e agosto de 2025, foram realizadas múltiplas rodadas de visitas técnicas in loco em 11 municípios, envolvendo 61 gestores, com finalidades de diagnóstico situacional, parametrização de sistemas e alinhamento dos fluxos de faturamento.
Complementarmente, foi desenvolvido um aplicativo para o faturamento de APACs, com interface intuitiva voltada à redução de erros operacionais. Na dimensão formativa, a plataforma NEP/CISBAF ofertou 5 cursos de Educação Permanente nas especialidades de Cardiologia, Oncologia, Oftalmologia, Ortopedia e Otorrinolaringologia, com tradução em Libras e emissão de certificado digital de 4 horas por curso.

A Região Metropolitana I do Rio de Janeiro apresentava, no início de 2025, um cenário de marcada fragmentação na gestão da Rede de Atenção à Saúde: os 12 municípios operavam com sistemas de regulação heterogêneos — e-SUS Regulação,e sistemas proprios municipais —, impossibilitando o monitoramento unificado das filas de espera, da produção ambulatorial especializada e da execução financeira das Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs). A ausência de padronização terminológica entre os sistemas impedia a consolidação regional dos dados e comprometia a identificação tempestiva de inconsistências operacionais, como regulações fora das condicionantes das OCIs e erros de cadastro no CNES. A heterogeneidade da capacidade técnica entre os municípios agravava esse cenário, gerando ritmos diferenciados de implantação e qualidade variável das informações. A publicação da Portaria GM/MS nº 3.492/2024 e a instituição do Programa Agora Tem Especialistas criaram a oportunidade normativa e financeira para a constituição de um modelo de governança regional orientado por dados, com potencial de superar a fragmentação histórica e garantir transparência e eficiência alocativa na aplicação de R$ 125,6 milhões em recursos pactuados para mais de 10 milhões de habitantes.

No período de março/2025 a março/2026, o NAG/CISBAF obteve resultados expressivos na implementação das Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs) na Região Metropolitana I do RJ. Todos os 12 municípios aderiram ao Programa Agora Tem Especialistas, iniciando a execução entre fevereiro e julho/2025. O Rio de Janeiro foi o primeiro (fev/2025) e Seropédica o último (17/07/2025). Durante o processo, todos publicaram portarias de habilitação, cadastraram estabelecimentos no CNES e passaram a solicitar APACs à SAECA.
O monitoramento registrou forte expansão dos agendamentos: de menos de 200 em fevereiro/2025 para cerca de 9.800 em novembro/2025, mantendo patamar elevado nos meses seguintes, consolidando o acesso especializado. Financeiramente, Japeri liderou a execução (34,02%), seguido por Itaguaí (25,23%) e Mesquita (21,11%).
O dashboard regional permitiu identificar inconsistências críticas, como regulações fora das condicionantes de idade e sexo das OCIs e erros de CBO no CNES, com ausência de médicos cadastrados. As falhas foram comunicadas e corrigidas, reforçando o papel fiscalizador do monitoramento orientado por dados.
Na dimensão formativa, a plataforma NEP/CISBAF ofertou 5 cursos de Educação Permanente (Cardiologia, Oncologia, Oftalmologia, Ortopedia e Otorrinolaringologia), com 1.106 inscritos e 452 certificações emitidas.
O conjunto das ações garantiu transparência, eficiência alocativa e rastreabilidade sobre R$ 125,6 milhões em recursos pactuados, beneficiando mais de 10 milhões de habitantes. Entre as limitações, destacam-se a dependência da qualidade dos dados municipais, risco de sub-registro no TABNET e heterogeneidade da capacidade técnica entre os municípios, que gerou ritmos diferenciados de implantação.

Com base na experiência de implantação e operacionalização do NAG/CISBAF, recomendam-se as seguintes orientações para gestores e técnicos interessados em replicar o modelo:
1. Iniciar com Pesquisa de Nivelamento: antes de qualquer parametrização de sistemas, aplicar instrumento diagnóstico que mapeie os sistemas de regulação em uso, a situação das filas, as habilitações no CNES e a integração APS-especializada em cada município. Esse levantamento inicial é indispensável para identificar lacunas e planejar ações prioritárias.
2. Assegurar pactuação formal: formalizar a responsabilização do ente consorcial ou regional por deliberação da Comissão Intergestores Regional (CIR), garantindo respaldo normativo e comprometimento institucional dos municípios desde o início.
3. Adotar plataforma de BI acessível e colaborativa: o Looker Studio (gratuito e integrado ao Google Workspace) mostrou-se solução viável para contextos com restrições orçamentárias, permitindo acesso individualizado por município e visão consolidada para gestores regionais.
4. Realizar visitas técnicas in loco antes da parametrização: o contato direto com reguladores e faturistas municipais, previamente à configuração do painel, permitiu compreender os fluxos locais e ajustar a padronização terminológica de forma participativa.
5. Envolver reguladores e faturistas desde o início: os profissionais responsáveis pela regulação e pelo faturamento de APACs devem ser incorporados ao processo de modelagem do BI, pois são os produtores primários dos dados e os principais usuários dos alertas gerados pelo dashboard.
6. Ofertar Educação Permanente por especialidade: cursos estruturados por OCI, com tradução em Libras e certificação digital, ampliaram o alcance formativo e reduziram erros operacionais. A disponibilização em plataforma assíncrona favorece a adesão de profissionais com limitações de tempo.
7. Instituir ciclos regulares de validação e monitoramento: a extração semanal de dados, seguida de validação compartilhada entre o NAG e os técnicos municipais, foi determinante para a confiabilidade das informações e para a correção ágil de inconsistências. Recomenda-se formalizar esses ciclos em calendário pactuado, com responsabilidades claramente definidas para cada ente participante.

autor Principal

MARCIA CRISTINA RIBEIRO PAULA

mcribeiro.paula@hotmail.com

Diretora Tecnica CISBAF

Coautores

Marcia Cristina Ribeiro Paula, Rosangela Bello, Samyr Ozibel de Oliveira, Fabricio Teixeira de Melo, Adriana Paulo Jalles, Daniel Fernandes Pereira, Lilian da Silva Almeida

A prática foi aplicada em

Belford Roxo, Duque de Caxias, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Queimados, Rio de Janeiro, São João de Meriti, Seropédica

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Av. Gov. Roberto Silveira, 2012 - Posse, Nova Iguaçu - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

MARCIA CRISTINA RIBEIRO PAULA

Conta vinculada

24 mar 2026

CADASTRO

24 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

01 mar 2025

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fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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