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Ampliação da cobertura vacinal em regiões ribeirinhas: utilização da lancha voadeira como estratégia de busca

O município de Santana conta, atualmente, com cerca de 124.808.000 habitantes, sendo o segundo município mais populoso do estado. É conhecida por Cidade-Porto do Amapá por sediar o principal porto do estado do Amapá. A população da zona rural é de, aproximadamente, 26.792 habitantes, o que corresponde a 21% da população geral do município. As ações de imunização na área urbana, ocorrem de maneira mais orgânica, tendo a população vindo na maioria das vezes até a unidade básica de saúde para realização da vacinação. Quando isso não é feito, a busca ativa é realizada para identificar as pessoas que ainda não foram vacinadas. A partir dos dados da Pesquisa ImunizaSus, é possível realizar um panorama sobre a realidade atual da vacinação, além da possibilidade de se obter uma visão holística diante de tudo que cerca esse processo de ampliação da cobertura vacinal, além de ser o pontapé para o desenvolvimento de novas estratégias e ações de busca para vacinação. Com a utilização da lancha voadeira VACINA JÁ, é possível além de aumentar a cobertura vacinal, garantir que o imunizante chegue conservado até o momento da aplicação. As viagens ocorrem semanalmente para essas localidades que são 16 no total (Água Branca do Piassacá, Alto do Pirativa, Santo Antônio do Matapí, São Raimundo do Pirativa, Cinco Chagas, Pancada do cafezal, Cachoeirinha, dentre outras). As comunidades ribeirinhas não recebem somente a vacinação, mas também diversos outros serviços de saúde com atendimentos médico, odontológico e de enfermagem, e com realização de testes rápidos, dispensação de medicamentos e coleta de PCCU.

Quando falamos de áreas ribeirinhas, precisamos levar em consideração o custo de deslocamento até a área urbana, que na maioria das vezes torna-se inviável para uma família de 6 a 8 pessoas. Outros percalços encontrados, são relacionados a dificuldade do acesso dessas pessoas a informação, que na maioria dos casos é limitadíssimo, eles não acompanham as campanhas vacinais, e logo não reconhecem a importância, o que faz com que não venham realizar a vacinação em outra localidade. Também é importante ressaltar, o quão é necessário que a localidade se sinta assistida e inserida nas atividades do município, pois quando ofertamos para aquela comunidade, vacinação apenas na área urbana, acabamos tornando aquela população apagada dos nossos indicadores, e deixamos também de dar o devido reconhecimento aquela comunidade, pois quando levamos até eles, a mensagem que é repassada é de que ali é um local assistindo pela saúde do município. Outro ponto importante, é garantir que a vacina chegue até a localidade bem conservada, para que o devido efeito possa surtir. Isso é garantir que o trabalho seja realizado de maneira eficaz. A equipe de imunização encontrou diversas dificuldades sendo uma dela a distância, pois a localidade mais longínqua chega até 5 horas de tempo de viajem com a lancha voadeira. Outra dificuldade são os rios muito estreito com troncos de madeiras e galhos, mata muito fechada e, assim dificultando acesso da lancha. Como é típico da nossa região o fenômeno da maré baixa (é a época em que o mar registra sua menor altura. O estado oposto à maré baixa é a maré alta (ou preamar). E com a maré baixa o acesso da lancha fica dificultoso a essas localidades. Observou-se também que ao chegar as residências muitos encontravam-se “doentes” ou com alguma síndrome gripal, tornando assim a não aplicação da vacina a este usuário. Além disso, algumas residências foram encontradas vazias, pois muitos são pescadores, trabalhadores da roça ou campo, e sendo assim a vacina não era ofertada.

O deslocamento da equipe até a área ribeirinha não garante apenas a ampliação da cobertura vacinal, como também a melhora dos indicadores vacinais do município. Importante destacar que quando a equipe chega até a comunidade, o objetivo principal é conscientizar a população a respeito da importância da vacinação, pois na maioria das vezes, por se tratar de comunidades mais isoladas, muitos possuem a ideia de que a vacinação não é necessária por não conviverem na área urbana. Ressalta-se que a visita da equipe reforça a atividade de imunização, pois quando o paciente vê a equipe completa, que um dia da semana foi reservado apenas para aquela comunidade, isso cria uma ponte de confiança com aquela população, tornando o processo totalmente orgânico e fazendo com que eles já aguardem as próximas campanhas vacinais e tenham a preocupação de sempre estar com o caderno de vacinação atualizado. Garantir o deslocamento seguro da equipe de saúde até essas populações reforça todos os princípios encabeçados pelo SUS, onde paciente precisa ser assistido em todos os aspectos, onde quer que esteja.

O município de Santana-AP tem buscado cada vez mais obter excelentes resultados nas campanhas de vacinação, após ampliação das coberturas, especialmente para as áreas ribeirinhas, onde os indicadores apresentavam-se defasados. A importância do monitoramento dessas áreas, garantiu que o município pudesse identificar quais populações estavam mais descobertas, e garantiu assim, que a equipe de saúde levasse os serviços de saúde até essas localidades. O resultado em 5 viagens (localidades) foram 317 doses aplicadas com as vacinas de rotina e Covid-19. Apesar das dificuldades o importante também é ganhar a credibilidade e confiança da equipe com a comunidade, pois assim cria-se um vínculo entre equipe de imunização e a comunidade ribeirinha.

Principal

Janaina Andreza Pereira Braga

A prática foi aplicada em

Todos os Estados (Norte)

Norte

Esta prática está vinculada a

Projeto ImunizaSUS

Endereço

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Conta vinculada

A prática foi cadastrada em

30 ago 2023

e atualizada em

29 set 2023

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos

Palavras-chave

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