favor seguir as recomendações abaixo:
Areal-RJ faz parte da Região Centro-Sul fluminense e possui 11.828 habitantes (IBGE 2022). O processo de cuidado em saúde mental, antes da implantação da Reforma Psiquiátrica do município, se resumia a encaminhamentos indiscriminados à Policlínica Municipal que contava com dois psiquiatras e três psicólogos, sendo que os casos mais complexos ou estavam institucionalizados no Hospital Psiquiátrico Boa União ou estavam desassistidos no território. Ficou evidente que o cuidado na lógica ambulatorial não é capaz de dar assistência às pessoas vulnerabilizadas e com sofrimento psicossocial mais complexo, sendo necessário, para isso, o desenvolvimento do cuidado na lógica da Atenção Psicossocial. A recém-criada coordenação de saúde mental iniciou, portanto, o processo de desinstitucionalização, implantando um SRT tipo II no município. Outro eixo de trabalho da coordenação de saúde mental foi o reordenamento do cuidado em saúde mental, com o fomento do Apoio Matricial. Os profissionais (psicólogos e psiquiatras) do ambulatório passaram a fazer parte da carga horária de trabalho nas USF, de modo estratégico. Além disso, implantou-se uma eMULTI que passou a desenvolver assistência na lógica da Atenção Psicossocial em territórios com mobilidade urbana precária, ou seja, que não conseguiam acessar a Policlínica Municipal. Foi realizado um curso de Avaliação, Manejo e Seguimento do Cuidado no Território junto aos médicos, enfermeiros e ACSs da Atenção Primária, que passaram a seguir diretriz clínica da OPAS (MI-mhGAP), além do uso de estratificação de risco em saúde mental. Foi estabelecido um trabalho ordenado junto ao SAMU e Hospital Municipal, de modo a estabelecer ações de atenção à crise respeitando a delicadeza de cada caso. Todos os envolvidos, além da comunidade e rede intersetorial, foram convocados para o desenvolvimento de cuidado em saúde mental que respeite o tempo, as peculiaridades e modos de viver das pessoas.
A capilarização da Reforma Psiquiátrica é uma realidade no Brasil. Em 2024 o Estado do Rio de Janeiro finalizou o fechamento de todos os Hospitais Psiquiátricos em território fluminense. No caso de municípios pequenos fica evidente que estratégias utilizadas em grandes centros urbanos são iatrogênicas em contextos rurais. O que observamos com nossa experiência é que os critérios de intervenção diante de situações de crise são outros, sendo que intervenções mais contundentes muitas vezes deixam o usuário em risco. Em cidades pequenas o circuito do usuário em crise não deve ser desfeito sob pena de graves rupturas, devendo a RAPS atuar junto à comunidade, dando um contorno delicado à situação de crise.
Mesmo sem contingente populacional que permitisse a implantação de um CAPS, o município conseguiu justificar a importância deste dispositivo no município. O CAPS I foi implantado em dezembro de 2024 sendo que a RAPS já estava sendo convocada para trabalhar na lógica da Atenção Psicossocial. Diversos casos que estavam desassistidos e muitas vezes em crise passaram a receber cuidado a partir do trabalho territorial do CAPS juntamente com os profissionais da AP e comunidade.
Torna-se necessário o desenvolvimento de tecnologias de cuidado que operem em contextos rurais. Areal conta com população quilombola e o vínculo com a terra e saberes ancestrais é forte para toda a população. Para evitar barreiras de acesso as ações de assistência em saúde mental não somente deve chegar aos espaços mais distantes do centro das cidades pequenas, rompendo com o racismo ambiental, mas também devem se desenvolver alinhadas com a lógica sociocultural de cada um dos territórios rurais. O CAPS não deve atuar como ambulatório. Não ter agenda de atendimentos no CAPS de Areal facilita a atuação dos profissionais dentro da lógica da Atenção Psicossocial. O CAPS deve gerenciar o cuidado do usuário no e com o território, considerando as territorialidades.
Secretaria Municipal de Saúde - Rua Afonsina - Fazenda Velha, Areal - RJ, Brasil
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