A atividade educação sexual e prevenção de IST entre indígenas LGBT+ Guarani-Kaiowá na cidade de Sidrolândia (MS)

A experiência foi desenvolvida no contexto de Sidrolândia, município do Estado de Mato Grosso do Sul, reconhecido pela forte presença de comunidades indígenas Guarani-Kaiowá e pela diversidade sociocultural que caracteriza a região. A iniciativa surge diante dos desafios históricos de acesso à informação e aos serviços de saúde enfrentados por populações indígenas, especialmente por pessoas LGBT+ desses territórios, frequentemente invisibilizadas nas políticas públicas e nas ações de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST).
Nesse cenário, a proposta buscou construir um espaço de diálogo intercultural que valorizasse saberes tradicionais, identidades e práticas de cuidado locais, articulando-os com as estratégias de prevenção combinada preconizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto foi elaborado no âmbito de cooperação técnica entre o autor e o Ministério da Saúde, conforme contrato de cessão de direitos autorais firmado com base na Lei nº 9.610/1998 e Portaria nº 612/2009, integrando o acervo da Biblioteca Virtual em Saúde.
2. Objetivos
O objetivo principal da experiência foi promover a educação sexual como instrumento de fortalecimento da autonomia e da prevenção de ISTs entre jovens e adultos indígenas LGBT+ Guarani-Kaiowá. Especificamente, buscou-se:
• Ampliar o acesso à informação sobre HIV, PrEP, PEP e métodos de prevenção combinada;
• Reduzir o estigma e o preconceito dentro e fora das aldeias, promovendo o respeito à diversidade sexual e de gênero;
• Formar multiplicadores indígenas capazes de atuar em ações educativas e rodas de conversa comunitárias;
• Contribuir para a construção de materiais educativos culturalmente adequados e bilíngues (português e guarani), integrando linguagem acessível e representações locais.
3. Justificativa
A iniciativa justifica-se pela lacuna de ações específicas voltadas a populações indígenas LGBT+, frequentemente excluídas de estratégias oficiais de prevenção e de debates sobre saúde sexual e reprodutiva. Além de responder a uma demanda emergente de lideranças e coletivos indígenas, o projeto reforça o compromisso ético e político com a promoção da equidade em saúde, a valorização das identidades plurais e o enfrentamento da discriminação institucional.
A articulação entre o conhecimento biomédico e as cosmologias indígenas permitiu desenvolver metodologias educativas sensíveis à realidade cultural local, respeitando práticas tradicionais e evitando abordagens impositivas ou moralizantes. A parceria com o Ministério da Saúde garantiu respaldo técnico, institucional e jurídico para a difusão da obra em âmbito nacional, assegurando a visibilidade da produção indígena e o reconhecimento da autoria.
4. Implementação e Desenvolvimento
O projeto foi implementado por meio de oficinas presenciais nas aldeias, rodas de conversa e produção de materiais visuais ilustrados (cartazes, guias e vídeos curtos). O processo contou com a colaboração de profissionais de saúde indígena, agentes comunitários, lideranças locais e jovens indígenas que participaram ativamente da construção dos conteúdos.
As etapas envolveram diagnóstico participativo, elaboração dos materiais educativos, validação comunitária, capacitação de facilitadores e avaliação qualitativa da receptividade das ações. A adesão da comunidade e o protagonismo indígena na condução das atividades demonstraram a potência transformadora da proposta, que uniu conhecimento científico e práticas de cuidado ancestral.
Atualmente, a experiência compõe o acervo do Ministério da Saúde, podendo ser utilizada como referência para replicação em outros contextos, especialmente em regiões de fronteira e territórios tradicionais que enfrentam vulnerabilidades semelhantes.

Diante da dificuldade de acesso e da invisibilidade das demandas indígenas LGBT+ nos serviços de saúde, a equipe optou por sair da unidade e promover rodas de conversa nas aldeias, criando um espaço de diálogo intercultural e acolhimento, valorizando o protagonismo local.

O encontro com os indígenas LGBT+ transforma a equipe: ouvir, aprender e dialogar fora da unidade revelou uma nova forma de cuidar mais sensível, diversa e humana.

A experiência “Educação Sexual e Prevenção de IST entre Indígenas LGBT+ Guarani-Kaiowá”, desenvolvida em Sidrolândia-MS, demonstrou o potencial transformador de ações que promovem o diálogo direto entre profissionais de saúde e populações historicamente invisibilizadas. Ao deslocar-se da unidade de saúde até as aldeias, a equipe rompeu barreiras físicas e simbólicas que, muitas vezes, afastam os usuários dos serviços públicos, possibilitando a criação de vínculos afetivos e de confiança fundamentais para o êxito das estratégias de prevenção, a experiência revelou que o simples ato de “ir até o território” amplia o olhar sobre o cuidado e ressignifica o papel dos profissionais de saúde, que passam a compreender o contexto cultural, social e espiritual em que vivem as pessoas atendidas. Essa escuta ativa, livre de julgamentos, fortalece a autonomia dos sujeitos e permite construir intervenções que respeitam as identidades e os modos de vida indígenas e LGBT+, articulando saberes tradicionais e práticas biomédicas em uma perspectiva de interculturalidade.
Recomenda-se que outras cidades adotem metodologias semelhantes, estimulando as equipes de atenção básica e saúde indígena a desenvolverem rodas de conversa e oficinas participativas em espaços comunitários, respeitando as especificidades locais. É fundamental investir em capacitações sobre diversidade sexual, gênero e cultura indígena, promovendo a sensibilização de gestores e trabalhadores da saúde para o acolhimento humanizado e inclusivo.
Além de seu impacto direto na prevenção de IST, a experiência gera benefícios intangíveis, como o fortalecimento de laços comunitários, a redução do estigma e o empoderamento coletivo. Sua inovação está na valorização da presença na escuta e no diálogo como práticas de cuidado, mostrando que a prevenção se faz também com afeto, respeito e reconhecimento da diversidade. Replicar iniciativas como esta é reafirmar o compromisso com um SUS plural, equitativo e verdadeiramente comprometido com todas as formas de vida.

autor Principal

Marianna Agnes de Almeida Soares

hallymarco@gmail.com

pós doutoranda e ativista da ATTMS

Coautores

Marianna Agnes de Almeida Soares, Percival Henrique de Souza Fernandes, Guilherme Rodrigues Passamani, Larissa Martins, Priscilla Soares Teruya

A prática foi aplicada em

Campo Grande

Mato Grosso do Sul

Centro-Oeste

Esta prática está vinculada a

UFMS - UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL - Rua Ufms - Vila Olinda, Campo Grande - MS, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Marianna Agnes de Almeida Soares

Conta vinculada

11 nov 2025

CADASTRO

11 nov 2025

ATUALIZAÇÃO

16 jul 2022

inicio

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos

TAGS

nenhuma
unblocked games + agar.io