Do microscópio à prevenção: escola e vigilância em saúde no enfrentamento das doenças negligenciadas em Santa Helena (MA)

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Isabela Cristina Sousa

bellamachado8@gmail.com

Isabela Cristina Sousa

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O ensino de protozoários e doenças negligenciadas no Ensino Médio costuma ocorrer de maneira predominantemente teórica, o que pode dificultar a compreensão dos estudantes sobre a relação entre esses organismos, as formas de transmissão, os vetores e os problemas de saúde presentes no território. Considerando a importância dessas doenças para a saúde pública e a atuação da Vigilância em Saúde em Santa Helena-MA, surgiu a proposta de aproximar o conteúdo escolar das práticas desenvolvidas pelo Sistema Único de Saúde.
A experiência teve como objetivo promover uma aprendizagem contextualizada sobre protozoários e doenças negligenciadas, permitindo que os estudantes conhecessem etapas básicas de uma investigação epidemiológica, identificassem agentes causadores e vetores, relacionassem fatores ambientais e sociais à ocorrência das doenças e propusessem medidas de prevenção e controle. Também se buscou estimular a observação, a formulação de hipóteses, a argumentação baseada em evidências e o trabalho em equipe.
A implementação foi justificada pela necessidade de tornar o conteúdo mais próximo da realidade dos estudantes e ampliar o conhecimento da comunidade escolar sobre o trabalho desenvolvido pela Vigilância em Saúde. A prática foi realizada no Centro de Ensino Deputado Luís Rocha, com cerca de 70 estudantes do 2º ano do Ensino Médio, por meio da articulação com a Vigilância em Saúde de Santa Helena, que cedeu lâminas, exemplares de vetores e materiais utilizados durante a atividade.
O laboratório escolar foi organizado como um centro de investigação epidemiológica. Divididos em equipes, os estudantes receberam casos simulados, fichas de investigação e diferentes evidências. Durante a atividade, analisaram sintomas, condições ambientais, formas de transmissão e presença de vetores. Também utilizaram microscópio óptico e lupa digital para observar uma lâmina positiva para Plasmodium falciparum e exemplares de triatomíneo, Anopheles e Aedes aegypti. Ao final, as equipes apresentaram suas hipóteses, justificaram as conclusões e indicaram medidas de prevenção e controle.
A experiência integrou educação e saúde, deu visibilidade às ações da Vigilância e aproximou os estudantes do funcionamento do SUS. Sua realização também demonstrou que a escola pode atuar como espaço de educação em saúde, divulgação científica e prevenção de doenças relevantes para o território.

A dificuldade dos estudantes em relacionar o conteúdo teórico sobre protozoários e doenças negligenciadas com situações reais de saúde pública e com as ações desenvolvidas pela Vigilância em Saúde gerou o interesse em desenvolver essa atividade. Diante disso, percebeu-se a oportunidade de aproximar escola e serviço de saúde, utilizando lâminas, vetores e casos simulados para ampliar o conhecimento sobre transmissão, diagnóstico, prevenção e controle dessas doenças.

A prática despertou o interesse e ampliou a participação dos estudantes, que passaram a relacionar com maior facilidade os agentes etiológicos, vetores, formas de transmissão e medidas de prevenção das doenças estudadas. Esse resultado também foi percebido na avaliação do período, que apresentou uma questão discursiva sobre a diferença entre vetor e agente etiológico. Nas respostas, os alunos explicaram corretamente que o agente etiológico é o organismo responsável por causar a doença, enquanto o vetor participa de sua transmissão, demonstrando compreensão e capacidade de aplicar os conceitos.
A atividade também possibilitou que os estudantes reconhecessem algumas espécies de triatomíneos de importância vetorial e aprendessem a forma segura de coletar, acondicionar e encaminhar esses insetos ao serviço de saúde para identificação. Esse conhecimento ajuda a evitar o manuseio direto ou o esmagamento do triatomíneo, reduzindo o risco de contato com fezes potencialmente contaminadas e fortalecendo a participação da comunidade na vigilância da doença de Chagas.
A principal inovação foi transformar o laboratório escolar em um centro de investigação epidemiológica, utilizando casos simulados, microscópio, lupa digital, lâmina positiva para Plasmodium falciparum e exemplares de triatomíneos, Anopheles e Aedes aegypti cedidos pela Vigilância em Saúde. A experiência aproximou os estudantes das ações desenvolvidas pelo SUS e mostrou que a integração entre escola e Vigilância torna o ensino mais concreto e relacionado à realidade do território. Como principal lição, observou-se que o uso de materiais reais, aliado à investigação de casos, favorece a aprendizagem e pode ser reproduzido em outras turmas e escolas.

Para implementar uma prática semelhante, recomenda-se estabelecer previamente uma parceria entre a escola e a Vigilância em Saúde, definindo quais materiais poderão ser cedidos e como serão utilizados. Os casos simulados devem abordar doenças relevantes para o território e apresentar informações adequadas à faixa etária dos estudantes. Também é importante organizar as equipes e as estações práticas com antecedência, garantindo que todos tenham tempo para observar as lâminas, os vetores e as demais evidências.
Os materiais biológicos devem ser identificados, acondicionados e manuseados com segurança, sempre sob supervisão. No caso dos triatomíneos, deve-se orientar que não sejam tocados ou esmagados com as mãos, mas coletados em recipiente fechado e encaminhados ao serviço de saúde. Caso a escola não disponha de microscópio ou lupa digital, podem ser utilizadas imagens ampliadas sem comprometer a investigação.
Recomenda-se aplicar uma atividade antes e outra depois da prática para verificar a aprendizagem, registrar o número de participantes e guardar fotografias, fichas e produções dos estudantes. A experiência funciona melhor quando combina explicação breve, análise de casos, observação prática e socialização das conclusões.

autor Principal

Isabela Cristina Sousa

bellamachado8@gmail.com

Professora de Biologia, Agente de Combate às Endemias e Microscopista

Coautores

Isabela Cristina Sousa

A prática foi aplicada em

Santa Helena

Maranhão

Nordeste

Esta prática está vinculada a

Travessa Dom Pedro II, Santa Helena - MA, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Isabela Cristina Sousa

Conta vinculada

26 set 2026

CADASTRO

26 set 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

11 jun 2026

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos