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O ensino de protozoários e doenças negligenciadas no Ensino Médio costuma ocorrer de maneira predominantemente teórica, o que pode dificultar a compreensão dos estudantes sobre a relação entre esses organismos, as formas de transmissão, os vetores e os problemas de saúde presentes no território. Considerando a importância dessas doenças para a saúde pública e a atuação da Vigilância em Saúde em Santa Helena-MA, surgiu a proposta de aproximar o conteúdo escolar das práticas desenvolvidas pelo Sistema Único de Saúde.
A experiência teve como objetivo promover uma aprendizagem contextualizada sobre protozoários e doenças negligenciadas, permitindo que os estudantes conhecessem etapas básicas de uma investigação epidemiológica, identificassem agentes causadores e vetores, relacionassem fatores ambientais e sociais à ocorrência das doenças e propusessem medidas de prevenção e controle. Também se buscou estimular a observação, a formulação de hipóteses, a argumentação baseada em evidências e o trabalho em equipe.
A implementação foi justificada pela necessidade de tornar o conteúdo mais próximo da realidade dos estudantes e ampliar o conhecimento da comunidade escolar sobre o trabalho desenvolvido pela Vigilância em Saúde. A prática foi realizada no Centro de Ensino Deputado Luís Rocha, com cerca de 70 estudantes do 2º ano do Ensino Médio, por meio da articulação com a Vigilância em Saúde de Santa Helena, que cedeu lâminas, exemplares de vetores e materiais utilizados durante a atividade.
O laboratório escolar foi organizado como um centro de investigação epidemiológica. Divididos em equipes, os estudantes receberam casos simulados, fichas de investigação e diferentes evidências. Durante a atividade, analisaram sintomas, condições ambientais, formas de transmissão e presença de vetores. Também utilizaram microscópio óptico e lupa digital para observar uma lâmina positiva para Plasmodium falciparum e exemplares de triatomíneo, Anopheles e Aedes aegypti. Ao final, as equipes apresentaram suas hipóteses, justificaram as conclusões e indicaram medidas de prevenção e controle.
A experiência integrou educação e saúde, deu visibilidade às ações da Vigilância e aproximou os estudantes do funcionamento do SUS. Sua realização também demonstrou que a escola pode atuar como espaço de educação em saúde, divulgação científica e prevenção de doenças relevantes para o território.
A dificuldade dos estudantes em relacionar o conteúdo teórico sobre protozoários e doenças negligenciadas com situações reais de saúde pública e com as ações desenvolvidas pela Vigilância em Saúde gerou o interesse em desenvolver essa atividade. Diante disso, percebeu-se a oportunidade de aproximar escola e serviço de saúde, utilizando lâminas, vetores e casos simulados para ampliar o conhecimento sobre transmissão, diagnóstico, prevenção e controle dessas doenças.
A prática despertou o interesse e ampliou a participação dos estudantes, que passaram a relacionar com maior facilidade os agentes etiológicos, vetores, formas de transmissão e medidas de prevenção das doenças estudadas. Esse resultado também foi percebido na avaliação do período, que apresentou uma questão discursiva sobre a diferença entre vetor e agente etiológico. Nas respostas, os alunos explicaram corretamente que o agente etiológico é o organismo responsável por causar a doença, enquanto o vetor participa de sua transmissão, demonstrando compreensão e capacidade de aplicar os conceitos.
A atividade também possibilitou que os estudantes reconhecessem algumas espécies de triatomíneos de importância vetorial e aprendessem a forma segura de coletar, acondicionar e encaminhar esses insetos ao serviço de saúde para identificação. Esse conhecimento ajuda a evitar o manuseio direto ou o esmagamento do triatomíneo, reduzindo o risco de contato com fezes potencialmente contaminadas e fortalecendo a participação da comunidade na vigilância da doença de Chagas.
A principal inovação foi transformar o laboratório escolar em um centro de investigação epidemiológica, utilizando casos simulados, microscópio, lupa digital, lâmina positiva para Plasmodium falciparum e exemplares de triatomíneos, Anopheles e Aedes aegypti cedidos pela Vigilância em Saúde. A experiência aproximou os estudantes das ações desenvolvidas pelo SUS e mostrou que a integração entre escola e Vigilância torna o ensino mais concreto e relacionado à realidade do território. Como principal lição, observou-se que o uso de materiais reais, aliado à investigação de casos, favorece a aprendizagem e pode ser reproduzido em outras turmas e escolas.
Para implementar uma prática semelhante, recomenda-se estabelecer previamente uma parceria entre a escola e a Vigilância em Saúde, definindo quais materiais poderão ser cedidos e como serão utilizados. Os casos simulados devem abordar doenças relevantes para o território e apresentar informações adequadas à faixa etária dos estudantes. Também é importante organizar as equipes e as estações práticas com antecedência, garantindo que todos tenham tempo para observar as lâminas, os vetores e as demais evidências.
Os materiais biológicos devem ser identificados, acondicionados e manuseados com segurança, sempre sob supervisão. No caso dos triatomíneos, deve-se orientar que não sejam tocados ou esmagados com as mãos, mas coletados em recipiente fechado e encaminhados ao serviço de saúde. Caso a escola não disponha de microscópio ou lupa digital, podem ser utilizadas imagens ampliadas sem comprometer a investigação.
Recomenda-se aplicar uma atividade antes e outra depois da prática para verificar a aprendizagem, registrar o número de participantes e guardar fotografias, fichas e produções dos estudantes. A experiência funciona melhor quando combina explicação breve, análise de casos, observação prática e socialização das conclusões.
Travessa Dom Pedro II, Santa Helena - MA, Brasil
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