A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apresenta, em carta aberta à sociedade, às candidaturas e às equipes responsáveis pela formulação de propostas para as eleições de 2026, um conjunto de prioridades para a saúde brasileira. Intitulado “Contribuições da Fiocruz para as Eleições 2026”, o documento propõe que a saúde seja tratada como um eixo estratégico das decisões públicas e articulada a temas como desenvolvimento sustentável, ciência, meio ambiente, redução das desigualdades e democracia.
Elaborada a partir das decisões do X Congresso Interno da Fiocruz, concluído em fevereiro de 2026, a carta é apresentada como uma contribuição ao debate público sobre os rumos do país. O documento busca fortalecer o diálogo com a sociedade, candidaturas, gestores públicos, movimentos sociais, trabalhadores e pesquisadores, defendendo a articulação entre conhecimento científico, saberes produzidos nos territórios, políticas públicas e participação social.
Ao abordar a saúde como parte estratégica do desenvolvimento nacional, a Fiocruz destaca que as decisões tomadas no presente produzem efeitos duradouros sobre as condições de vida da população. A instituição defende, portanto, que a saúde não seja tratada apenas como um tema setorial, mas como parte de um projeto de país comprometido com a redução das desigualdades e a dignidade das pessoas.
“Ao situar a saúde como campo estratégico para o desenvolvimento nacional, esta Carta reafirma que as escolhas realizadas no presente produzirão efeitos duradouros sobre as condições de vida da população. Por isso, a saúde não pode ser reduzida a um tema setorial ou periférico, mas deve orientar as decisões públicas e integrar um projeto de país mais justo, democrático, soberano e comprometido com a dignidade de todas as pessoas”, sublinha a instituição no documento.
Segundo a Fiocruz, o Brasil chega às eleições de 2026 com desafios relacionados às desigualdades no acesso aos serviços de saúde. O documento também aponta a necessidade de ampliar a capacidade nacional de produzir conhecimento, tecnologias, vacinas e medicamentos, além de fortalecer a preparação do país para emergências sanitárias.
Sete compromissos para a saúde
Diante desse cenário, a carta apresenta sete compromissos, que a Fiocruz propõe como pontos centrais para o debate sobre o futuro da saúde no país:
- Fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e melhorar o cuidado em todo o país;
- Valorizar quem trabalha na saúde;
- Produzir mais ciência, vacinas, medicamentos e tecnologias no Brasil;
- Reduzir desigualdades e proteger as populações em maior situação de vulnerabilidade;
- Preparar o país para os impactos da crise climática e para novas emergências em saúde ou pandemias;
- Fortalecer a confiança pública, enfrentar a desinformação e ampliar o diálogo entre ciência e sociedade;
- Defender o desenvolvimento sustentável e o papel do Brasil na cooperação internacional em saúde.
Fortalecimento do SUS
Entre os compromissos apresentados, o fortalecimento do SUS ocupa lugar de destaque.
“O Sistema Único de Saúde é uma das maiores conquistas da sociedade brasileira. É o SUS que está presente na vacinação, na atenção básica, nos atendimentos de urgência, na vigilância em saúde, nos transplantes, no controle de epidemias, na assistência farmacêutica, na saúde mental e em tantas outras ações que fazem diferença na vida da população, como ficou evidente durante a pandemia de Covid-19. Fortalecer o SUS é proteger a população e fortalecer a capacidade do país de cuidar das pessoas em todas as etapas da vida”, destaca.
A carta também relaciona o fortalecimento do sistema aos novos desafios demográficos e sanitários enfrentados pelo país, destacando o envelhecimento populacional, o aumento das condições crônicas e as crescentes demandas por cuidado. Ao apresentar a carta aberta, a Fiocruz reforça uma concepção de saúde que ultrapassa hospitais e medicamentos.
O documento é, em suma, um convite ao diálogo e uma contribuição para o debate público sobre os rumos do país. Confira a carta aberta na íntegra e tenha acesso aos sete compromissos apresentados pela Fiocruz para o debate sobre a saúde pública nas eleições de 2026.
Por Ana Karolina – jornalista e bolsista do IdeiaSUS Fiocruz