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A experiência foi desenvolvida em um projeto de contraturno escolar no município de Palhoça, voltado ao atendimento de crianças e adolescentes no período complementar às atividades escolares. O projeto está inserido em um contexto de promoção do desenvolvimento integral, oferecendo espaços de convivência, aprendizagem e fortalecimento de vínculos sociais. O público atendido é composto por jovens de diferentes realidades socioeconômicas do município, com demandas relacionadas ao acesso a oportunidades educativas, culturais e de participação social. Nesse contexto, a iniciativa buscou contribuir para o protagonismo juvenil, a ampliação de conhecimentos e o fortalecimento de competências pessoais e coletivas, por meio de atividades desenvolvidas em ambiente educativo e acolhedor.
A iniciativa partiu da psicóloga e ex-presidente do GAPA a partir do contato com os jovens participantes do projeto de contraturno escolar. Trata-se de um público em situação de vulnerabilidade social, atravessado por diferentes formas de violência, como racismo, homofobia e outras violações de direitos.
Durante as atividades, observou-se a recorrência de brincadeiras e comentários relacionados à sexualidade, especialmente entre os meninos, que muitas vezes geram constrangimento entre as meninas. Diante dessa realidade, identificou-se a necessidade de promover um espaço de diálogo e reflexão, levando informações qualificadas sobre sexualidade, prevenção e respeito às diferenças, de forma acolhedora, educativa e livre de preconceitos.
O objetivo foi de informar de forma leve e assertiva as tecnologias de prevenção combinada, gerando curiosidade entre os jovens.
Foram realizadas oficinas com os jovens, iniciadas por meio de uma dinâmica de “mitos e verdades” sobre sexualidade e saúde sexual. A atividade possibilitou a identificação de conhecimentos prévios, dúvidas e informações equivocadas sobre o tema. Durante as discussões, chamou a atenção a resposta de uma das participantes à pergunta sobre a possibilidade de gravidez na primeira relação sexual. A jovem afirmou que se tratava de um mito, demonstrando desconhecimento sobre uma informação básica relacionada à saúde sexual e reprodutiva. Esse momento evidenciou a importância de abordar temas que, embora pareçam óbvios, nem sempre são de conhecimento dos adolescentes.
Em seguida, foi realizada uma apresentação elaborada especificamente para a faixa etária dos participantes, entre 12 e 17 anos, atendidos pelo projeto. Foram abordados temas como sexualidade, respeito, consentimento e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Ao final, os jovens conheceram os insumos de prevenção disponibilizados, incluindo preservativos, gel lubrificante e autotestes, reforçando a importância do cuidado, da prevenção e do acesso à informação qualificada.
A estratégia principal é a informação sobre prevenção, cuidado e tratamentos disponíveis, mas também sobre preconceitos e estigmas. Além de informar, disponibilizar e ensinar a utilizar os insumos de prevenção, abrindo um diálogo para que possam tirar dúvidas posteriormente.
A ação realizada em Palhoça demonstrou a relevância de iniciativas de educação em saúde voltadas ao público jovem, especialmente considerando o contexto social do município, que possui extensas áreas marcadas por situações de vulnerabilidade social e pelo acesso limitado a informações qualificadas sobre saúde sexual e reprodutiva. Ao longo das atividades, ficou evidente a necessidade de fortalecer espaços de diálogo e aprendizagem que possibilitem a construção de conhecimentos seguros e o esclarecimento de dúvidas sobre temas fundamentais para o desenvolvimento saudável dos adolescentes.
Os conteúdos trabalhados durante as oficinas foram amplamente disseminados pelos próprios participantes em seus círculos sociais, contribuindo para a ampliação do alcance das informações compartilhadas. Como resultado dessa mobilização, o GAPA recebeu solicitações para a realização de novas oficinas e intervenções em diferentes territórios do município, incluindo ocupações urbanas e instituições de ensino. Essa demanda espontânea evidencia tanto a carência de ações educativas permanentes nessas comunidades quanto o impacto positivo da iniciativa, reforçando a importância de sua continuidade e expansão para alcançar um número cada vez maior de jovens e suas famílias.
Foram coletados dados quantitativos e qualitativos durante a realização das oficinas, incluindo o número de participantes, faixa etária atendida, principais dúvidas levantadas e percepções observadas pela equipe durante as atividades. As dinâmicas de mitos e verdades permitiram identificar lacunas de conhecimento sobre sexualidade, prevenção das ISTs e saúde sexual e reprodutiva, fornecendo subsídios para adequar a linguagem e os conteúdos trabalhados. Também foram registrados o nível de participação, o interesse demonstrado pelos jovens e os desdobramentos da ação junto à comunidade. Esses dados foram utilizados para avaliar a efetividade da metodologia adotada, orientar futuras intervenções e identificar demandas emergentes. O acompanhamento da experiência evidenciou a necessidade de ampliar ações educativas no território, fato corroborado pelos pedidos recebidos para novas oficinas em ocupações urbanas e instituições de ensino do município.
Durante as oficinas, foi possível observar momentos de brincadeiras e descontração por parte dos jovens, muitas vezes utilizados como forma de lidar com a timidez e o constrangimento que temas relacionados à sexualidade ainda podem gerar. Apesar disso, o interesse e a participação ativa foram constantes ao longo das atividades. A experiência evidenciou que os adolescentes têm amplo acesso a conteúdos sobre sexualidade, frequentemente sem mediação adequada ou informações confiáveis que contribuam para a proteção e o cuidado com a própria saúde. Ficou evidente a necessidade de ampliar o acesso a informações qualificadas, acessíveis e apropriadas para a faixa etária, criando espaços seguros para o diálogo e o esclarecimento de dúvidas. Os jovens demonstraram curiosidade e disposição para aprender, reforçando a importância de ações educativas que promovam conhecimento, autonomia e tomada de decisões informadas.
A experiência apresenta elevado potencial de sustentabilidade e replicação, uma vez que utiliza metodologias participativas, materiais de baixo custo e pode ser adaptada a diferentes contextos e públicos. Diante dos resultados positivos obtidos, já foi alinhado o retorno das atividades para este ano, garantindo a continuidade das ações junto aos jovens atendidos. Além disso, a iniciativa está sendo ampliada por meio da articulação de novas parcerias, incluindo a implementação de oficinas voltadas a adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social vinculados ao programa de aprendizagem do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) na Grande Florianópolis. A metodologia pode ser facilmente aplicada em escolas, projetos sociais, ocupações urbanas e demais espaços comunitários, contribuindo para a promoção da saúde, da prevenção e do acesso à informação qualificada sobre sexualidade e direitos, especialmente em territórios com maior vulnerabilidade social.
A experiência contribui para o fortalecimento da prevenção combinada no âmbito do SUS ao ampliar o acesso de adolescentes e jovens a informações qualificadas sobre saúde sexual, prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e direitos em saúde. Por meio de uma abordagem acolhedora, participativa e adequada à faixa etária, as oficinas aproximam os jovens dos serviços de saúde e promovem o desenvolvimento de conhecimentos que favorecem a adoção de práticas de autocuidado e prevenção.
A apresentação e demonstração dos insumos de prevenção, como preservativos, gel lubrificante e autotestes, contribuem para reduzir barreiras de acesso e desmistificar seu uso, fortalecendo a autonomia dos participantes na tomada de decisões relacionadas à sua saúde. Além disso, a iniciativa atua na redução das desigualdades em saúde ao alcançar jovens residentes em territórios de maior vulnerabilidade social, que frequentemente enfrentam dificuldades de acesso à informação e aos serviços.
Ao promover o diálogo aberto sobre sexualidade, respeito, consentimento e prevenção, a experiência fortalece os princípios do SUS, especialmente a promoção da saúde, a equidade e a prevenção, contribuindo para a construção de uma cultura de cuidado mais próxima das juventudes.
A realização da experiência contou principalmente com a mobilização de recursos humanos e institucionais. A equipe técnica foi responsável pelo planejamento, elaboração dos conteúdos, condução das oficinas e disponibilização de insumos de prevenção para demonstração e orientação dos participantes. Foram utilizados materiais educativos, recursos audiovisuais para a apresentação dos temas e insumos de prevenção, como preservativos, gel lubrificante e autotestes, fornecidos pelo GAPA para fins educativos e de promoção da saúde.
A ação também contou com a parceria da instituição que recebeu as atividades, responsável pela articulação com os jovens, disponibilização do espaço físico e apoio logístico para a realização das oficinas. Em relação aos recursos financeiros, a iniciativa foi desenvolvida com baixo custo operacional, sendo que as despesas de deslocamento da equipe foram custeadas pela própria psicóloga responsável pela atividade, presidente do GAPA na ocasião. A integração entre equipe técnica, instituição parceira e recursos já disponíveis permitiu a execução da ação de forma eficiente e com amplo alcance junto ao público atendido.
A iniciativa surgiu do contato da psicóloga do GAPA com jovens em vulnerabilidade social, expostos ao racismo, homofobia e violações de direitos.
A ação fortaleceu a educação em saúde entre jovens, ampliou o acesso à informação e gerou demanda por novas oficinas em Palhoça.
A implementação de iniciativas semelhantes deve partir da escuta das demandas da comunidade e da construção de vínculos com escolas, serviços públicos e lideranças locais.
Secretaria Municipal da Educação - Avenida Hilza Terezinha Pagani - Centro, Palhoça - SC, Brasil
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