Mitos e verdade sobre saúde sexual com juventude do projeto contraturno escolar

Você já pode imprimir seu certificado

Marília de Souza da Silveira

gapahivsc

Marília de Souza da Silveira

favor seguir os ajustes necessários abaixo:

Nenhuma recomendação da moderação

A experiência foi desenvolvida em um projeto de contraturno escolar no município de Palhoça, voltado ao atendimento de crianças e adolescentes no período complementar às atividades escolares. O projeto está inserido em um contexto de promoção do desenvolvimento integral, oferecendo espaços de convivência, aprendizagem e fortalecimento de vínculos sociais. O público atendido é composto por jovens de diferentes realidades socioeconômicas do município, com demandas relacionadas ao acesso a oportunidades educativas, culturais e de participação social. Nesse contexto, a iniciativa buscou contribuir para o protagonismo juvenil, a ampliação de conhecimentos e o fortalecimento de competências pessoais e coletivas, por meio de atividades desenvolvidas em ambiente educativo e acolhedor.

A iniciativa partiu da psicóloga e ex-presidente do GAPA a partir do contato com os jovens participantes do projeto de contraturno escolar. Trata-se de um público em situação de vulnerabilidade social, atravessado por diferentes formas de violência, como racismo, homofobia e outras violações de direitos.
Durante as atividades, observou-se a recorrência de brincadeiras e comentários relacionados à sexualidade, especialmente entre os meninos, que muitas vezes geram constrangimento entre as meninas. Diante dessa realidade, identificou-se a necessidade de promover um espaço de diálogo e reflexão, levando informações qualificadas sobre sexualidade, prevenção e respeito às diferenças, de forma acolhedora, educativa e livre de preconceitos.

O objetivo foi de informar de forma leve e assertiva as tecnologias de prevenção combinada, gerando curiosidade entre os jovens.

Foram realizadas oficinas com os jovens, iniciadas por meio de uma dinâmica de “mitos e verdades” sobre sexualidade e saúde sexual. A atividade possibilitou a identificação de conhecimentos prévios, dúvidas e informações equivocadas sobre o tema. Durante as discussões, chamou a atenção a resposta de uma das participantes à pergunta sobre a possibilidade de gravidez na primeira relação sexual. A jovem afirmou que se tratava de um mito, demonstrando desconhecimento sobre uma informação básica relacionada à saúde sexual e reprodutiva. Esse momento evidenciou a importância de abordar temas que, embora pareçam óbvios, nem sempre são de conhecimento dos adolescentes.
Em seguida, foi realizada uma apresentação elaborada especificamente para a faixa etária dos participantes, entre 12 e 17 anos, atendidos pelo projeto. Foram abordados temas como sexualidade, respeito, consentimento e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Ao final, os jovens conheceram os insumos de prevenção disponibilizados, incluindo preservativos, gel lubrificante e autotestes, reforçando a importância do cuidado, da prevenção e do acesso à informação qualificada.

A estratégia principal é a informação sobre prevenção, cuidado e tratamentos disponíveis, mas também sobre preconceitos e estigmas. Além de informar, disponibilizar e ensinar a utilizar os insumos de prevenção, abrindo um diálogo para que possam tirar dúvidas posteriormente.

A ação realizada em Palhoça demonstrou a relevância de iniciativas de educação em saúde voltadas ao público jovem, especialmente considerando o contexto social do município, que possui extensas áreas marcadas por situações de vulnerabilidade social e pelo acesso limitado a informações qualificadas sobre saúde sexual e reprodutiva. Ao longo das atividades, ficou evidente a necessidade de fortalecer espaços de diálogo e aprendizagem que possibilitem a construção de conhecimentos seguros e o esclarecimento de dúvidas sobre temas fundamentais para o desenvolvimento saudável dos adolescentes.
Os conteúdos trabalhados durante as oficinas foram amplamente disseminados pelos próprios participantes em seus círculos sociais, contribuindo para a ampliação do alcance das informações compartilhadas. Como resultado dessa mobilização, o GAPA recebeu solicitações para a realização de novas oficinas e intervenções em diferentes territórios do município, incluindo ocupações urbanas e instituições de ensino. Essa demanda espontânea evidencia tanto a carência de ações educativas permanentes nessas comunidades quanto o impacto positivo da iniciativa, reforçando a importância de sua continuidade e expansão para alcançar um número cada vez maior de jovens e suas famílias.

Foram coletados dados quantitativos e qualitativos durante a realização das oficinas, incluindo o número de participantes, faixa etária atendida, principais dúvidas levantadas e percepções observadas pela equipe durante as atividades. As dinâmicas de mitos e verdades permitiram identificar lacunas de conhecimento sobre sexualidade, prevenção das ISTs e saúde sexual e reprodutiva, fornecendo subsídios para adequar a linguagem e os conteúdos trabalhados. Também foram registrados o nível de participação, o interesse demonstrado pelos jovens e os desdobramentos da ação junto à comunidade. Esses dados foram utilizados para avaliar a efetividade da metodologia adotada, orientar futuras intervenções e identificar demandas emergentes. O acompanhamento da experiência evidenciou a necessidade de ampliar ações educativas no território, fato corroborado pelos pedidos recebidos para novas oficinas em ocupações urbanas e instituições de ensino do município.

Durante as oficinas, foi possível observar momentos de brincadeiras e descontração por parte dos jovens, muitas vezes utilizados como forma de lidar com a timidez e o constrangimento que temas relacionados à sexualidade ainda podem gerar. Apesar disso, o interesse e a participação ativa foram constantes ao longo das atividades. A experiência evidenciou que os adolescentes têm amplo acesso a conteúdos sobre sexualidade, frequentemente sem mediação adequada ou informações confiáveis que contribuam para a proteção e o cuidado com a própria saúde. Ficou evidente a necessidade de ampliar o acesso a informações qualificadas, acessíveis e apropriadas para a faixa etária, criando espaços seguros para o diálogo e o esclarecimento de dúvidas. Os jovens demonstraram curiosidade e disposição para aprender, reforçando a importância de ações educativas que promovam conhecimento, autonomia e tomada de decisões informadas.

A experiência apresenta elevado potencial de sustentabilidade e replicação, uma vez que utiliza metodologias participativas, materiais de baixo custo e pode ser adaptada a diferentes contextos e públicos. Diante dos resultados positivos obtidos, já foi alinhado o retorno das atividades para este ano, garantindo a continuidade das ações junto aos jovens atendidos. Além disso, a iniciativa está sendo ampliada por meio da articulação de novas parcerias, incluindo a implementação de oficinas voltadas a adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social vinculados ao programa de aprendizagem do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) na Grande Florianópolis. A metodologia pode ser facilmente aplicada em escolas, projetos sociais, ocupações urbanas e demais espaços comunitários, contribuindo para a promoção da saúde, da prevenção e do acesso à informação qualificada sobre sexualidade e direitos, especialmente em territórios com maior vulnerabilidade social.

A experiência contribui para o fortalecimento da prevenção combinada no âmbito do SUS ao ampliar o acesso de adolescentes e jovens a informações qualificadas sobre saúde sexual, prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e direitos em saúde. Por meio de uma abordagem acolhedora, participativa e adequada à faixa etária, as oficinas aproximam os jovens dos serviços de saúde e promovem o desenvolvimento de conhecimentos que favorecem a adoção de práticas de autocuidado e prevenção.
A apresentação e demonstração dos insumos de prevenção, como preservativos, gel lubrificante e autotestes, contribuem para reduzir barreiras de acesso e desmistificar seu uso, fortalecendo a autonomia dos participantes na tomada de decisões relacionadas à sua saúde. Além disso, a iniciativa atua na redução das desigualdades em saúde ao alcançar jovens residentes em territórios de maior vulnerabilidade social, que frequentemente enfrentam dificuldades de acesso à informação e aos serviços.
Ao promover o diálogo aberto sobre sexualidade, respeito, consentimento e prevenção, a experiência fortalece os princípios do SUS, especialmente a promoção da saúde, a equidade e a prevenção, contribuindo para a construção de uma cultura de cuidado mais próxima das juventudes.

A realização da experiência contou principalmente com a mobilização de recursos humanos e institucionais. A equipe técnica foi responsável pelo planejamento, elaboração dos conteúdos, condução das oficinas e disponibilização de insumos de prevenção para demonstração e orientação dos participantes. Foram utilizados materiais educativos, recursos audiovisuais para a apresentação dos temas e insumos de prevenção, como preservativos, gel lubrificante e autotestes, fornecidos pelo GAPA para fins educativos e de promoção da saúde.
A ação também contou com a parceria da instituição que recebeu as atividades, responsável pela articulação com os jovens, disponibilização do espaço físico e apoio logístico para a realização das oficinas. Em relação aos recursos financeiros, a iniciativa foi desenvolvida com baixo custo operacional, sendo que as despesas de deslocamento da equipe foram custeadas pela própria psicóloga responsável pela atividade, presidente do GAPA na ocasião. A integração entre equipe técnica, instituição parceira e recursos já disponíveis permitiu a execução da ação de forma eficiente e com amplo alcance junto ao público atendido.

A iniciativa surgiu do contato da psicóloga do GAPA com jovens em vulnerabilidade social, expostos ao racismo, homofobia e violações de direitos.

A ação fortaleceu a educação em saúde entre jovens, ampliou o acesso à informação e gerou demanda por novas oficinas em Palhoça.

A implementação de iniciativas semelhantes deve partir da escuta das demandas da comunidade e da construção de vínculos com escolas, serviços públicos e lideranças locais.

autor Principal

Marília de Souza da Silveira

mariliaconsultorio10@gmail.com

Psicóloga

Coautores

Marília de Souza da Silveira, Letícia Borges de Assis, Edna Cristina Siqueira

A prática foi aplicada em

Palhoça

Santa Catarina

Sul

Esta prática está vinculada a

Secretaria Municipal da Educação - Avenida Hilza Terezinha Pagani - Centro, Palhoça - SC, Brasil

Uma organização do tipo

Terceiro Setor

Foi cadastrada por

Marília de Souza da Silveira

Conta vinculada

13 jul 2026

CADASTRO

13 jul 2026

ATUALIZAÇÃO

01 dez 2025

inicio

03 dez 2025

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos