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Até o segundo semestre de 2025, o município de Patrocínio/MG (93.852 habitantes, com mais de 77% da população dependente do SUS) gerenciava a regulação assistencial de forma fragmentada, exclusivamente por planilhas eletrônicas. Diante da ausência de recursos para sistemas pagos, a gestão optou pela implantação do e-SUS Regulação, tornando-se o município pioneiro da Macrorregião Triângulo do Norte, ao implementar as Ofertas de Cuidados Integrados (OCI).
A experiência consistiu na migração tecnológica, capacitação de 100% das equipes, reorganização dos fluxos regulatórios e integração entre Atenção Primária, Especializada e Hospitalar. Foram seguidos os passos técnicos preconizados pelo Ministério da Saúde: habilitação no CNES, parametrização dos serviços, envio das filas via RNDS, capacitação da rede e monitoramento do percurso do usuário.
Até 2025, Patrocínio/MG enfrentava um paradoxo clássico do SUS: possuía uma rede assistencial completa (UBS, CAPS, Policlínica, UPA e Santa Casa), porém operava a regulação de forma manual e fragmentada por planilhas eletrônicas. Essa realidade gerava demora no acesso, dificuldade de acompanhamento do percurso do paciente, perda de produção faturável e baixa integração entre os níveis de atenção. Diferente de grandes centros que investem em sistemas caros, o município identificou na adoção do e-SUS Regulação (ferramenta pública e gratuita) a oportunidade de superar limitações tecnológicas, organizar os fluxos de forma integrada e implementar as Ofertas de Cuidados Integrados (OCI), transformando um gargalo histórico em vantagem competitiva de gestão.
A implantação do e-SUS Regulação e das OCI gerou transformação significativa. Entre junho e dezembro de 2025, o município registrou 3.451 procedimentos OCI aprovados, alcançando o 4º lugar em Minas Gerais em volume absoluto e o 1º lugar proporcional ao porte populacional, com 380 OCI a cada 10 mil habitantes — índice superior ao de grandes cidades como Belo Horizonte (199), Uberlândia (53) e Contagem (29).
Financeiramente, foram captados R$ 552.330,00 via FAEC, fortalecendo o orçamento da saúde. Assistencialmente, houve redução nos tempos de espera, maior continuidade do cuidado e integração real entre os níveis de atenção. Patrocínio tornou-se referência macrorregional, capacitando outros municípios da SRS Uberlândia. A experiência comprovou que municípios de médio porte podem alcançar alta performance com ferramentas públicas, boa parametrização e engajamento das equipes.
Para municípios que desejam replicar a experiência, recomendamos seguir rigorosamente o passo a passo técnico do Ministério da Saúde: realizar diagnóstico situacional detalhado, habilitar os serviços no CNES, indicar o profissional responsável pelo Núcleo Regulador, parametrizar corretamente os serviços de apoio diagnóstico e enviar as filas via RNDS.
Invista prioritariamente na capacitação de 100% das equipes (da APS ao hospitalar) e na adesão aos protocolos de encaminhamento do programa “Agora Tem Especialista”. O segredo não está na tecnologia em si, mas na organização dos fluxos, na governança e na cultura de regulação centrada no paciente. Comece pequeno, monitore semanalmente os indicadores e use os resultados financeiros como alavanca para sustentação política. Cidades de qualquer porte podem obter sucesso semelhante, desde que priorizem integração, precisão de registro e compromisso das equipes.
Rua Marechal Floriano, 72 - Cidade Jardim, Patrocínio - MG, Brasil
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