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O projeto de educação permanente em saúde “OSTEOprevine: Prevenção, Diagnóstico e Manejo da Osteoporose na Atenção Primária à Saúde”, foi desenvolvido por meio de parceria entre o Instituto de Pesquisa e Apoio ao Desenvolvimento Social (IPADS), a Amgen Brasil e a Prefeitura Municipal de Campina Grande-PB, com o objetivo de capacitar médicos e enfermeiros da Atenção Primária à Saúde e seus componentes para a identificação, prevenção, avaliação do risco de fraturas, independente da realização de densitometria óssea, com a utilização da ferramenta FRAX Brasil 2.0.
As atividades foram desenvolvidas na modalidade EAD tutorada, por meio de plataforma digital organizada em cinco módulos teóricos, compostos por videoaulas com duração média de 7 a 10 minutos. Os conteúdos abordaram importância da temática e fatores de risco; diagnóstico e rastreio; prevenção e promoção da saúde óssea; tratamento farmacológico e suplementação; acompanhamento e atuação multiprofissional. Além das aulas, os participantes tiveram acesso a materiais complementares de apoio para utilização na prática profissional.
Como estratégia pedagógica, o curso contou com quatro tutoras do município responsáveis pela elaboração e acompanhamento de atividades práticas relacionadas aos conteúdos dos módulos, considerando a realidade da Rede de Atenção à Saúde local. Foram propostos pelo curso além das vídeo aulas atividades práticas a serem realizadas nos territórios de trabalho, a saber: rodas de conversa com as equipes de saúde; busca ativa de usuários com fatores de risco para osteoporose; visitas domiciliares; elaboração de planos de intervenção farmacológica e não farmacológica; e construção de Projeto Terapêutico Singular em conjunto com a equipe multiprofissional.
Para o acompanhamento dos participantes, foram criados grupos de WhatsApp com aproximadamente 25 profissionais cada, mediados por uma tutora, além da utilização de formulários eletrônicos para envio das atividades propostas e planilhas compartilhadas para monitoramento da participação e execução dessas atividades.
Ao final do curso, foi realizado um evento de encerramento com participação de especialistas das áreas de reumatologia, endocrinologia e geriatria, além das tutoras do projeto, promovendo troca de experiências e socialização das vivências desenvolvidas entre os profissionais/alunos ao longo do projeto de capacitação. Também foram abordadas condições atípicas e apresentação de casos clínicos contemplando os conteúdos apresentados ao longo do curso, na intenção de consolidar o aprendizado e discutir o fluxo da osteoporose na Rede de Atenção à saúde.
A osteoporose é uma doença osteometabólica caracterizada pela redução da massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, resultando em aumento da fragilidade óssea e maior suscetibilidade a fraturas, especialmente de quadril, consideradas as mais graves devido ao elevado impacto funcional, social e econômico. Além das fraturas, a doença pode ocasionar sérias limitações aos pacientes como dor crônica, redução da mobilidade, incapacidade funcional, deformidades e aumento da mortalidade, comprometendo significativamente a qualidade de vida das pessoas acometidas e de suas famílias.
Apesar da Atenção Primária à Saúde (APS) ocupar posição estratégica na prevenção, identificação precoce e manejo da osteoporose, por ser a porta de entrada do sistema de saúde a abordagem dessa patologia ainda é fragilizada no cotidiano dos serviços da APS evidenciando a necessidade de qualificação dos profissionais para a identificação precoce, o reconhecimento dos fatores de risco e a implementação de ações de promoção, prevenção e terapêuticas oportunas.
No desenvolvimento das atividades práticas, 26 profissionais realizaram rodas de conversa com suas equipes de saúde, atuando como multiplicadores dos conteúdos abordados no primeiro módulo e promovendo sensibilização acerca da importância da prevenção e manejo da osteoporose na APS.
No segundo módulo, os participantes desenvolveram ações de busca ativa no território para identificação de usuárias do sexo feminino com idade superior a 65 anos e usuários do sexo masculino acima de 70 anos que nunca haviam realizado rastreio para osteoporose. Como resultado, foram identificados, respectivamente 424 usuárias e 240 usuários com indicação para avaliação e acompanhamento.
Posteriormente no terceiro módulo, os profissionais selecionaram usuários identificados na busca ativa para realização de visitas domiciliares. Durante essas visitas, foi possível avaliar aspectos relacionados aos ambientes favoráveis ao risco de quedas, prática de atividade física, uso de calçados adequados, alimentação, ingestão de cálcio e vitamina D, uso de medicamentos, além da aplicação de testes de força muscular e do instrumento FRAX para avaliação do risco de fraturas.
A partir das observações realizadas, os participantes elaboraram planos de intervenção individualizados, considerando as necessidades de cada usuário e a realidade familiar e territorial, envolvendo ações farmacológicas e não farmacológicas desenvolvidas em conjunto com a equipe multiprofissional. As atividades contribuíram para ampliar o olhar dos profissionais sobre o agravo e a prevenção de fraturas, promoção da autonomia e redução dos riscos associados à osteoporose.
O projeto evidenciou a relevância da educação permanente em saúde como estratégia para sensibilizar e capacitar profissionais da Atenção Primária à Saúde no, rastreio e cuidado à osteoporose. A qualificação dos profissionais favorece a identificação precoce dos fatores de risco, o rastreio oportuno e o desenvolvimento de intervenções voltadas à prevenção de fraturas e à melhoria da qualidade de vida da população assistida, bem como a diminuição de gastos para o sistema de saúde com as limitações e complicações apresentadas pelos pacientes acometidos.
Destaca-se que a APS ocupa posição privilegiada nesse cuidado, por ser a porta de entrada do sistema de saúde, por ser o primeiro contato dos pacientes e por suas ações terem grande capilaridade nos territórios, ressalta-se ainda a longitudinalidade do cuidado e proximidade com os usuários e famílias, através de estabelecimento de vínculos de confiabilidade possibilitando ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e coordenação do cuidado de forma integral e multiprofissional.
Assim sendo, evidenciou-se a importância de parcerias institucionais para promoção de processos de qualificação dos profissionais de saúde que se objetivam em melhorias nas práticas de cuidado através de novos instrumentos e ferramentas, trazendo impactos positivos para os usuários do SUS e diminuição dos gastos públicos.
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